Avanço de macrófitas mobiliza municípios às margens do Rio Pardo
Santa Rita do Pardo e Bataguassu buscam providências diante de prejuízos ao turismo de pesca
O avanço das macrófitas pelo Rio Pardo está mobilizando representantes de Santa Rita do Pardo e Bataguassu, que buscam providências junto aos órgãos responsáveis diante dos impactos provocados pelo acúmulo das plantas aquáticas. A principal preocupação é com o turismo de pesca, já afetado pela dificuldade de navegação e, segundo empresários do setor, pela desistência de turistas que tinham temporadas programadas na região.
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Municípios de Santa Rita do Pardo e Bataguassu enfrentam prejuízos no turismo de pesca devido ao avanço de macrófitas pelo Rio Pardo. As plantas, que proliferaram no reservatório da UHE Mimoso em fevereiro de 2025, desceram o rio após abertura de comportas e dificultam a navegação. Representantes locais levaram o caso ao Ministério Público, e o Imasul multou a Suzano em R$ 500 mil pelo agravamento do problema.
Em vídeos que circulam nos grupos na região, pescadores e donos de pousadas reclamam de prejuízos. O empresário João José Gariotto, proprietário da Pousada Rio Pardo, em Santa Rita do Pardo, conta que, recentemente, um grupo de turistas de São Paulo, que costuma frequentar o local, antecipou a volta para casa porque não conseguiu pescar.
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As plantas, conhecidas popularmente como “alfaces-d’água”, começaram a se proliferar em grande quantidade no reservatório da UHE Mimoso (Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand), em Ribas do Rio Pardo, em fevereiro de 2025. Posteriormente, com a abertura das comportas da usina, passaram a descer o Rio Pardo e chegaram a Santa Rita do Pardo e Bataguassu, cerca de 240 quilômetros rio abaixo.
Em Santa Rita do Pardo, representantes do setor municipal de Meio Ambiente, da Câmara de Vereadores e proprietários de ranchos se reuniram para discutir a situação e, posteriormente, levaram as reclamações ao Ministério Público.
Segundo a diretora de Meio Ambiente do município, Keile Barcelos Faustino, empresários que dependem do turismo de pesca relatam prejuízos desde que as plantas passaram a se acumular no rio.
“Eles vivem do turismo de pescadores e, devido ao que está acontecendo, os turistas estão desistindo das temporadas que já haviam agendado. Então, os proprietários estão sendo muito prejudicados”, afirmou.
Uma nova reunião está marcada para esta quarta-feira (26), na Câmara de Vereadores de Santa Rita do Pardo, com representantes do município, Legislativo, proprietários de empreendimentos e demais interessados. O objetivo é discutir os problemas, apresentar propostas e definir os próximos encaminhamentos.
“O município está totalmente empenhado nisso. Estamos dando as mãos para encontrar a melhor solução”, disse Keile.
Mobilização - A articulação envolve também representantes de Bataguassu. No dia 12 de agosto, integrantes dos dois municípios, empresários ligados ao turismo e à pesca e representantes do setor público participaram de uma reunião com o Ministério Público para apresentar informações, fotos e vídeos sobre a situação do Rio Pardo.
O assessor parlamentar João Carlos Kotai, que atua na região de Bataguassu e Santa Rita do Pardo e participou da mobilização, afirma que as macrófitas estão dificultando a navegação. Segundo ele, as plantas podem se prender às hélices das embarcações e comprometer o funcionamento dos motores, além de dificultar a pesca.
“A vegetação está atrapalhando o turismo, está atrapalhando a pesca”, relatou.
Kotai afirma que a preocupação aumentou à medida que grandes concentrações de plantas começaram a aparecer rio abaixo. Em Bataguassu, há pousadas, condomínios e outros imóveis com acesso ao Rio Pardo, enquanto em Santa Rita do Pardo funcionam ranchos e empreendimentos voltados ao turismo de pesca.
“O nosso rio nunca sofreu o que está sofrendo hoje”, afirmou o assessor.
As macrófitas já foram registradas nas proximidades da ponte da MS-395, em Bataguassu, e perto da confluência do Rio Pardo com o Rio Paraná. Antes disso, também haviam sido observadas em Santa Rita do Pardo, inclusive em pontos próximos à MS-040.
Do reservatório ao rio - A proliferação das plantas começou no reservatório da UHE Mimoso e já havia sido investigada pelo Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Estudo técnico do instituto apontou que o local atingiu estado crítico de hipereutrofização, condição provocada pelo excesso de nutrientes disponíveis na água.
O diagnóstico concluiu que o problema tem influência de vários fatores como lançamentos industriais, esgoto sanitário urbano, degradação do solo em propriedades rurais e problemas de saneamento em loteamentos e ranchos de pesca.
Conforme o estudo, o represamento do Rio Pardo também interfere nesse processo, por conta da redução da velocidade da água, que favorece a retenção de nutrientes, principalmente fósforo e matéria orgânica, criando condições para a proliferação das plantas aquáticas.
O relatório apontou ainda que efluentes lançados pela indústria de celulose Suzano contribuíram para o agravamento da situação e, consequentemente, para o crescimento da população de macrófitas. O Imasul aplicou multa de R$ 500 mil à empresa e determinou adequações no sistema de tratamento e redução das cargas de fósforo e nitrogênio.
A UHE Mimoso, por sua vez, foi notificada a elaborar e executar um plano de limpeza e remoção contínua das macrófitas do reservatório, além de adotar medidas para reduzir a retenção de matéria orgânica.
Ao se manifestar anteriormente sobre o relatório, a Suzano afirmou que opera de acordo com a legislação e os parâmetros estabelecidos no licenciamento ambiental e ressaltou que o próprio documento do Imasul atribui as condições encontradas no reservatório a diferentes fatores presentes na bacia hidrográfica. A empresa informou ainda que apresentou os esclarecimentos técnicos solicitados e permanece à disposição do órgão ambiental.

