Delegado que virou traficante teve "lucro" de R$ 15 milhões com o crime
Transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, Hoffman D'Ávila está preso desde setembro
Uma bagatela de R$ 15 milhões teria sido o lucro do delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa com a venda de cocaína desviada da própria delegacia que comandava. Preso desde setembro por envolvimento em um esquema descoberto pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Narcotráfico), o policial foi alvo de novo mandado nesta quarta-feira (4), desta vez pela Polícia Federal, durante a operação Ifrit, desencadeada para desarticular organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas.
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O delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso desde setembro, foi alvo de novo mandado da Polícia Federal na operação Ifrit e transferido para presídio federal de segurança máxima. Segundo a investigação, ele teria lucrado R$ 15 milhões com a venda de cerca de 2 toneladas de cocaína desviada da Denar, substituída por mistura adulterada. A defesa diz que ainda não teve acesso integral às provas e que prisão preventiva não é condenação.
Conforme a investigação jornalística do Campo Grande News, a operação conjunta entre PF e Receita Federal descobriu que o delegado negociava cada quilo da droga por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil.
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Afastado da Polícia Civil e preso na sede do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), a qual já comandou, Hoffman foi transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima, diante da gravidade dos crimes atribuídos a ele em mais uma ofensiva policial.
Além dele, a Justiça Federal determinou o envio de mais 10 integrantes da organização investigada para presídios federais de segurança máxima, unidades destinadas a presos considerados de alta periculosidade. A operação foi deflagrada em sete estados e também teve como alvos mais dois policiais civis, um policial militar e um policial rodoviário federal.
Segundo a investigação, Hoffman mantinha ligação direta com a cúpula da organização e facilitou a entrada de traficantes na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), unidade que concentra drogas apreendidas pelas forças de segurança na região de Campo Grande.
Conforme a reportagem apurou junto a fontes do sistema judiciário e policial, o esquema teria permitido o desvio de aproximadamente 2 toneladas de cocaína em cerca de dois anos. Além dos R$ 15 milhões obtidos com a comercialização da droga, a PF aponta que o delegado teria recebido veículos, uma mansão de alto padrão no condomínio Alphaville, em Campo Grande, e um sítio em Pirenópolis (GO).
Para esconder os desvios, a organização substituía a cocaína original por uma mistura de baixa pureza, preparada com amido de milho, fermento e outras substâncias.
“O material adulterado era colocado no depósito da delegacia e posteriormente encaminhado para destruição, enquanto a droga de maior pureza era comercializada”, informou uma fonte.
A PF encontrou conversas, imagens e vídeos dos investigados manipulando a droga, inclusive dentro da unidade policial. O esquema aproveitava falhas na fiscalização dos depósitos, já que os testes realizados não identificavam o grau de pureza da cocaína.
Perfil - Policial há 17 anos, Hoffman começou a carreira como escrivão em Goiás e ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul como delegado em 2014. Comandou a Denar até fevereiro deste ano, quando assumiu a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros). Posteriormente, passou pela 6ª Delegacia e foi transferido para Terenos.
Conforme já revelou o Campo Grande News, o delegado chegou ao topo da carreira, como delegado de classe especial, com salário bruto próximo de R$ 40 mil. Mesmo afastado das funções, continua recebendo remuneração.
Na Operação Infiltrados, deflagrada em setembro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), Hoffman foi apontado como um dos líderes de um esquema de desvio e comercialização de drogas apreendidas. Na semana passada, se tornou réu por suspeita de obstrução de Justiça, em investigação sobre vazamento de informações sigilosas da operação do Gaeco.
Nesta semana, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu a manutenção da prisão preventiva do delegado, sob o argumento de que sua liberdade poderia permitir a destruição de provas e interferências nas investigações. A defesa havia proposto o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas para que ele deixasse a prisão.
Defesa - Em nota divulgada nesta quarta-feira, a banca de advogados de Hoffman, liderada por José Roberto da Rosa, confirmou o cumprimento da nova ordem de prisão e informou que ainda não teve acesso integral ao processo e às provas da Operação Ifrit.
A defesa alegou que seria prematuro comentar as novas acusações e ressaltou que prisões preventivas não representam condenação. Os advogados informaram que analisarão o procedimento e adotarão as medidas judiciais cabíveis.


