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Cidades

Dinheiro e vídeos na internet viram "chumbo trocado" entre Urandir e investidora

Empresária pede devolução de R$ 300 mil de investimento feito em 2019

Por Ângela Kempfer | 06/02/2026 13:10
Dinheiro e vídeos na internet viram "chumbo trocado" entre Urandir e investidora
Processos que Urandir Fernandes trava na Justiça ainda não tiveram decisão (Foto/Reprodução)

Disputa entre empresária de Campo Grande e o ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira se desdobra em dois processos judiciais distintos, ambos em tramitação na Justiça de Mato Grosso do Sul e revela versões opostas sobre aplicações financeiras e as consequências jurídicas da repercussão do caso.

RESUMO

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Disputa judicial entre empresária campo-grandense e o ufólogo Urandir Fernandes envolve cobrança de R$ 300 mil referente a investimento realizado em 2019. O valor, que deveria ter sido devolvido em 2021, já alcança R$ 805 mil com correções. A empresária questiona a existência da empresa BKC Distribuição Ltda., citada no contrato, e move ação por danos morais contra Urandir após ele fazer acusações em redes sociais. A Justiça determinou a remoção do vídeo com as declarações. Os processos seguem em tramitação sem decisão final.

No centro do conflito está um investimento de R$ 300 mil, feito em 2019, que Ana Carolina tenta reaver judicialmente. A cobrança motivou manifestações posteriores por parte de Urandir e acabou originando uma segunda ação, agora por danos morais. Em 5 de fevereiro, a Justiça proferiu decisão favorável à empresária e determinou a remoção de vídeo citado no processo.

No primeiro processo, ajuizado em dezembro de 2025, a empresária cobra a devolução de R$ 300 mil aplicados como investidora-anjo, com base em contrato firmado em abril de 2019. Segundo a ação, o acordo previa que o valor poderia ser resgatado após dois anos, prazo que teria vencido em abril de 2021, sem que o pagamento fosse realizado.

Com correção monetária pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), juros de 1% ao mês e multa contratual, a cobrança chega a R$ 805.680,62. O ponto central da ação é a alegação de que a empresa indicada no contrato, BKC Distribuição Ltda., não tem existência jurídica comprovada. A autora sustenta que o CNPJ informado é inválido, que não há registro da empresa na Receita Federal, que o endereço indicado não funciona como sede empresarial e que não existe comprovação de atividade econômica.

Com base nesses argumentos, ela pede que Urandir Fernandes de Oliveira e Alan Fernandes de Oliveira, que assinaram o contrato como sócios, respondam diretamente pela dívida, com o patrimônio pessoal, sob o entendimento de que a empresa teria sido apenas aparente.

Após a ação de cobrança passar a ser noticiada, a empresária ingressou com um segundo processo, protocolado em janeiro de 2026, desta vez contra Urandir Fernandes de Oliveira. Nessa ação, ela afirma que o ufólogo, ao comentar publicamente o caso, teria feito acusações diretas e nominativas, atribuindo a ela a apropriação indevida de ativos digitais e insinuando a prática de irregularidades patrimoniais, além de sugerir que a empresária teria financiado veículos de imprensa para divulgar notícias falsas ou padronizadas sobre a disputa, o que ela nega.

As declarações, conforme descrito nos autos, foram feitas em vídeos publicados nas redes sociais, com ampla circulação. Diante disso, a empresária pediu a retirada do conteúdo e a intervenção do Judiciário. Em decisão proferida no dia 5 de fevereiro, a Justiça acolheu o pedido de tutela e determinou a remoção do vídeo mencionado no processo.

Além da retirada do conteúdo, a ação pede a proibição de novas manifestações com o mesmo teor e o pagamento de R$ 60 mil por danos morais. O processo sustenta que houve extrapolação do direito de manifestação, com imputação de condutas que, segundo a autora, atingem sua honra e reputação.

Apesar da repercussão, o embate entre as partes permanece concentrado no Judiciário. Um processo discute a existência da empresa e a devolução do investimento; o outro trata das consequências jurídicas das acusações feitas após a cobrança. Ambos seguem em tramitação, sem decisão de mérito sobre o conflito financeiro até o momento.

O ufólogo também trava disputa judicial contra a ex-nora Gabriela Pache da Silva. Em janeiro deste ano, a BDM Soluções Digitais Ltda., ligada a Urandir, moveu uma queixa-crime por calúnia e difamação contra ela, em uma Vara Criminal de Campo Grande, depois que ela usou redes sociais para acusar a empresa de operar como “sistema Ponzi” ou pirâmide financeira.

Em resposta à reportagem, a defesa de Urandir Fernandes de Oliveira informou que não tem conhecimento da existência das ações mencionadas na matéria. Segundo os advogados, diante da ausência de informações sobre eventual recebimento dessas ações pelo Poder Judiciário ou da possibilidade de que os processos tramitem sob segredo de justiça, a ética profissional impede, neste momento, qualquer manifestação, sob pena de eventuais consequências legais, inclusive de natureza cível e criminal.




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