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Cidades

Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya no país

Município de MS soma 8 dos 19 óbitos registrados no Brasil em 2026 e enfrenta surto com alta incidência

Por Viviane Oliveira | 24/04/2026 09:18
Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya no país
Água acumulada em área exposta favorece a proliferação do mosquito transmissor da Chikungunya em Dourados (Foto: divulgação/Prefeitura de Dourados))

Dourados, a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, concentra 42% das mortes por chikungunya registradas no Brasil neste ano. Dados do Ministério da Saúde apontam que, até 17 de abril, o país contabilizou 19 óbitos pela doença, sendo 8 apenas no município sul-mato-grossense.

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Dourados, segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, concentra 42% das mortes por chikungunya no Brasil em 2026, com 8 dos 19 óbitos nacionais registrados no município. Com 4.959 casos prováveis e incidência de 2.037 por 100 mil habitantes, a cidade decretou calamidade pública. Sete das oito mortes locais são de indígenas. O estado abriu 15 leitos no Hospital Regional e o município integra estratégia piloto de vacinação.

No Estado, a situação também preocupa. Dos 13 óbitos registrados em Mato Grosso do Sul, a maioria ocorreu em Dourados, que vive um cenário de surto com impacto direto sobre a rede pública de saúde.

Diante do avanço da doença, o prefeito Marçal Filho decretou situação de calamidade em saúde pública no dia 20 de abril. A medida permite agilizar contratações e ações emergenciais para conter a epidemia.

O município acumula 4.959 casos prováveis de chikungunya, com 2.204 confirmações. O índice de incidência chega a 2.037,6 casos por 100 mil habitantes, patamar muito acima do limite considerado epidêmico por organismos de saúde, que é de 300.

Entre as vítimas, há forte impacto sobre a população indígena. Das oito mortes registradas na cidade, sete são de indígenas, incluindo dois bebês com menos de três meses de idade.

A pressão sobre o sistema de saúde já é visível. Pelo menos 41 pacientes seguem internados, enquanto o município criou um COE (Centro de Operações de Emergências) para coordenar o enfrentamento da doença.

Como resposta, o governo do Estado reforçou a estrutura hospitalar com a abertura de 15 leitos exclusivos no HRD (Hospital Regional de Dourados), além de implantar um fluxo emergencial para casos graves.

No campo, as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti foram intensificadas, principalmente em áreas indígenas. Em mutirões, mais de 4 mil residências foram vistoriadas, com identificação de mais de mil focos do vetor, a maioria em recipientes como caixas d’água e lixo acumulado.

Apesar das medidas, especialistas apontam que o cenário favorece a disseminação da doença. Fatores como clima quente, período chuvoso e dificuldade no controle do mosquito contribuem para o avanço da chikungunya na região.

No Brasil, já são mais de 31 mil casos prováveis da doença em 2026. Diante do cenário, Dourados e outros municípios foram incluídos em uma estratégia piloto de vacinação, com início previsto ainda em abril, na tentativa de conter o avanço da epidemia.

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