Valor a ser devolvido por 91 magistrados de MS soma R$ 1 milhão em penduricalhos
CNJ apontou que a metodologia do TJMS elevou o valor de cinco verbas indenizatórias
Noventa e um juízes e desembargadores do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) terão que devolver R$ 1.083.103,40 por “penduricalhos” pagos a mais nos meses de março e abril.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
91 juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul terão que devolver R$ 1.083.103,40 referentes a pagamentos indevidos realizados em março e abril. A Corregedoria Nacional de Justiça determinou a devolução após auditoria que identificou falhas na metodologia do tribunal, que incluiu a rubrica "Indenização de cargo" na base de cálculo de verbas indenizatórias. Os descontos serão realizados em junho e julho.
Juízes de primeiro grau terão que devolver cerca de R$ 3,5 mil. Outros, já no segundo grau, em torno de R$ 4 mil. Para desembargadores que ocuparam função administrativa, o valor a ser devolvido supera R$ 10 mil.
- Leia Também
- TJ vai descontar dos magistrados os penduricalhos pagos a mais
- Comissão vai revisar salários da magistratura e propor mudanças
Na terça-feira (dia 9), o Campo Grande News divulgou a ordem da Corregedoria Nacional de Justiça, ligada ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), para a devolução de valores. Na ocasião, a reportagem questionou o TJMS sobre o montante, mas não obteve resposta.
A auditoria apurou que em março o valor pago a mais foi de R$ 18.968,82. Em abril, a cifra saltou para R$ 1.064.134,57. O valor e a quantidade de magistrados foram divulgados pelo jornal O Estado de São Paulo, o Estadão.
Penduricalho é o nome popular para os benefícios e salários que inflam a remuneração. Circular do presidente do TJ, desembargador Dorival Renato Pavan, comunicou aos magistrados que as parcelas de valores identificados como pagos a maior serão descontadas nos meses de junho e julho.
A auditoria do CNJ apontou que a metodologia usada pelo Tribunal de Justiça elevou o valor de cinco verbas indenizatórias. O procedimento foi instaurado pela Corregedoria Nacional de Justiça para auditar folhas de pagamento ordinárias e extraordinárias de magistrados do TJMS.
Segundo o relatório técnico, o problema está na inclusão da rubrica “Indenização de cargo” na base de cálculo de cinco pagamentos: abono pecuniário, abono de férias, gratificação natalina, férias indenizatórias e licença compensatória. Para o CNJ, essa verba tem natureza transitória e não poderia ser usada para compor a base das indenizações.
Controle - Nesta semana, o CNJ criou uma comissão para revisar salários da magistratura e propor mudanças. O grupo terá 180 dias para apresentar diagnósticos e sugestões sobre teto salarial, transparência e padronização.
A iniciativa integra um conjunto de ações após recentes decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) voltadas à transparência e ao controle dos pagamentos realizados pelos tribunais.
Entre os temas que serão discutidos estão a revisão anual dos subsídios dos magistrados, a regulamentação de dispositivos relacionados ao teto salarial e a criação de um modelo remuneratório mais claro e estável para juízes e desembargadores.
Segundo o STF, a falta de uniformidade na aplicação das normas ao longo dos anos contribuiu para desigualdades, insegurança jurídica e dificuldades de fiscalização.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


