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Ex-juiz confessa propina de US$ 140 mil para impedir extradição de Jarvis Pavão

O ex-juiz paraguaio, Crescencio Ocampos assumiu que beneficiou o traficante sul-mato-grossente

Por Lucia Morel | 23/06/2021 17:52
Jarvis Gimenes Pavão no dia em que foi expulso do Paraguai e entregue à PF brasileira (Foto: Arquivo)
Jarvis Gimenes Pavão no dia em que foi expulso do Paraguai e entregue à PF brasileira (Foto: Arquivo)

O ex-juiz paraguaio, Crescencio Ocampos, que em dezembro de 2017 suspendeu a extradição do narcotraficante sul-mato-grossense, Jarvis Gimenes Pavão, confessou à Polícia Paraguai que recebeu 140 mil dólares para cancelar decisão de envio dele ao Brasil.

A confissão ocorreu durante depoimento ao Departamento de Investigação de Delitos, que o prendeu por suspeita de envolvimento em tentativa de assalto ao Banco Continental, no distrito de Santa Rosa del Aguaray, no departamento de San Pedro, cerca de 250 Km da capital do Paraguai, Assunção.

Ele contou à reportagem do ABC Color, depois de reclamar do tipo de abordagem feita a ele durante a prisão, que recebeu 140 mil dólares para livrar Pavão da extradição e que isto não seria crime, uma vez que “temos que fazer favores”,.

Detalhou ainda que o dinheiro lhe foi entregue em uma maleta preta, na casa do também ex-juiz, Vidalino Jara, na cidade de Guayaybí, departamento de San Pedro.

Por muitos anos, Pavão comandou a remessa de cocaína vinda da Bolívia, Peru e Colômbia e da maconha produzida no Paraguai, enviadas ao Brasil através de Ponta Porã. Ele declarou guerra contras as organizações rivais para manter esse controle

Após extradição em 2017, o traficante começou uma peregrinação pelos presídios brasileiros.

Mas mesmo na prisão, o narcotraficante continuou bancando vida de luxo e ostentação para seus familiares, entre esposa, filhos, irmãos, sobrinhos, tios, mãe e padrasto. No ano passado, operação bloqueou R$ 300 milhões das contas bancárias de pessoas ligadas a ele.

Através de empresas de câmbio, a organização criminosa enviava o dinheiro do crime organizado para o exterior e depois outras empresas de fachada destinavam os valores para os familiares mais próximos.

Pavão é considerado, inclusive, o mandante da execução de Jorge Rafaat, em junho de 2016, morte que só agravou a guerra na Linha Internacional. Depois da execução de Rafaat, parentes de Pavão passaram a sofrer atentados, muitos foram mortos, inclusive o irmão e a advogada dele, Laura Casuso, executada a tiros em Pedro Juan Caballero, em novembro de 2018.

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