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Cidades

“Frete seguro” de cocaína rendeu 50 mil a ex-chefe da “tropa de elite” da Penal

Operação da Denar mira esquema de tráfico com uso de veículo oficial

Por Anahi Zurutuza | 17/04/2026 19:19
“Frete seguro” de cocaína rendeu 50 mil a ex-chefe da “tropa de elite” da Penal
Antônio Fernando Martins da Silva, que foi preso em fevereiro e voltou a ser alvo de operação da Denar (Foto: Reprodução)

O transporte de carga de cocaína de Corumbá a Campo Grande em veículo oficial, o chamado “frete seguro” para o tráfico, rendeu R$ 50 mil ao policial penal Antônio Fernando Martins da Silva, o ex-chefe do Cope (Comando de Operações Penitenciárias), grupo considerado a “tropa de elite” da Polícia Penal. A informação foi dada pelo próprio servidor durante depoimento.

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Um policial penal, ex-chefe do Cope, admitiu ter recebido R$ 50 mil para transportar 300 kg de cocaína de Corumbá a Campo Grande em viatura oficial. Preso desde fevereiro, ele foi alvo novamente da Operação Rota Blindada, que cumpriu sete dos oito mandados de prisão expedidos, além de 13 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos uma embarcação avaliada em R$ 400 mil, quatro veículos e uma motocicleta.

Preso desde fevereiro, ele foi alvo pela segunda vez de operação da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) nesta sexta-feira (17). Antônio Fernando está em cela do CT (Centro de Triagem) Anísio Lima, no Complexo Penal do Jardim Noroeste, na Capital.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, o policial assumiu ser o responsável pelos 300 kg de cocaína, que buscou em Corumbá e levou até centro de distribuição no Bairro Indubrasil na Capital. Mais detalhes sobre o depoimento são mantidos em sigilo.

“Rota Blindada” – A Polícia Civil deflagrou hoje a segunda fase da Operação “Rota Blindada”, que investiga um esquema de tráfico de drogas entre Corumbá e Campo Grande com uso de viatura oficial e possível participação de agentes públicos. A ação é um desdobramento de investigação iniciada no fim de janeiro, após a apreensão de entorpecentes no galpão do Indubrasil ocasião em que duas pessoas foram presas em flagrante.

A partir dessa apreensão, as investigações apontaram que a droga havia sido transportada em viatura da Polícia Penal. A descoberta levou à primeira fase da operação, em fevereiro, quando Antônio Fernando Martins da Silva foi preso. Ele foi afastado das funções após a prisão.

Com o avançar das apurações, a análise de conteúdo apreendido revelou a participação de outros envolvidos. Ao todo, para esta nova etapa da operação, foram expedidos oito mandados de prisão preventiva, dos quais sete foram cumpridos, além de 13 mandados de busca e apreensão.

As ações ocorreram em diferentes regiões, com a prisão de um suspeito em Corumbá, responsável pelo armazenamento da droga, outro no Paraná, apontado como responsável por cooptar o policial penal, e mais três investigados em Campo Grande, ligados à logística de transporte e armazenamento. Um dos alvos não foi localizado e segue foragido, embora uma quantidade significativa de cocaína tenha sido apreendida em sua residência.

Durante a operação, também foram apreendidos bens de alto valor, incluindo uma embarcação avaliada em cerca de R$ 400 mil, além de quatro veículos e uma motocicleta. Em Corumbá, um homem ainda foi preso em flagrante por posse de arma de fogo de uso permitido.

Entre os alvos desta sexta-feira, está o policial militar Lucas Villegas Campos, que já estava preso desde a última segunda-feira (13), suspeito de envolvimento no furto de drogas em outro caso registrado no Bairro Parque dos Girassóis. Segundo a investigação, ele também teria se apropriado de parte da carga transportada na viatura, o que motivou a expedição de mandado de prisão preventiva. Apesar disso, a polícia afirma que os dois casos não têm relação direta.

De acordo com o delegado Guilherme Sarian, há indícios de que o entorpecente transportado no veículo oficial não foi totalmente apreendido. As investigações indicam que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas que incluía o armazenamento da droga na fronteira, transporte até a Capital, locação de galpões para descarregamento, monitoramento por “olheiros” e apoio logístico na distribuição.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer completamente a dinâmica do esquema, que envolve o transporte interestadual de drogas e o uso indevido de estruturas públicas.

O espaço fica aberto para a manifestação das defesas dos investigados.

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