Igreja de Tia Eva será reinaugurada no centenário da matriarca
Templo está praticamente pronto após obra de R$ 2,2 milhões; programação inclui missa, exposição e futebol

A Igreja de São Benedito, na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, será reinaugurada no dia 11 de novembro, com missa às 19h. A data marca os 100 anos da morte de Eva Maria de Jesus.
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A Igreja de São Benedito, na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, será reinaugurada em 11 de novembro, com missa às 19h, data que marca os 100 anos da morte de Eva Maria de Jesus. A reforma custou cerca de R$ 2,2 milhões e incluiu restauro da estrutura, do túmulo da matriarca e requalificação do entorno. Haverá ainda exposição no pátio e programação cultural até 28 de novembro. A comunidade foi tombada em setembro como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Além da missa, haverá a abertura da exposição Vozes do Quilombo: O Legado Vivo de Tia Eva, no pátio da igreja. Em visita ao local na quinta-feira (29), a reportagem encontrou o templo praticamente pronto para a reabertura, após uma reforma estimada em R$ 2,213 milhões.
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O contrato da obra ficou a cargo da empresa Marco Arquitetura, Engenharia, Construções e Comércio. O projeto foi contratado pela Prefeitura, elaborado com participação da comunidade e doado ao Governo do Estado para execução. Além da restauração da igreja, ele abrange a requalificação do entorno e melhorias em espaços comunitários.
Conforme divulgado anteriormente, a obra exigiu intervenções estruturais. Partes de uma torre e de uma lateral da igreja precisaram ser desmontadas e reconstruídas. Os tijolos retirados foram limpos e reaproveitados, o telhado recebeu escoramento durante os trabalhos e a fachada azul foi mantida. O cruzeiro, o busto de Tia Eva e outros elementos históricos também passaram por restauro.
O projeto para o entorno incluiu a reorganização dos espaços externos, com áreas em diferentes níveis e escadarias. Também foi feita uma praça e áreas de convivência, um espaço para visitantes e atividades educativas. O paisagismo foi pensado para remeter às lembranças da comunidade sobre Tia Eva, com arruda, mangueira e flores vermelhas.

Interior será surpresa - A tataraneta de Tia Eva, Vânia Lúcia Batista Duarte, preferiu guardar o interior da igreja para a reinauguração. Quem for à celebração no dia 11 conhecerá o espaço depois da reforma. A igrejinha terá lugar para 21 pessoas sentadas. O túmulo da matriarca, que fica à esquerda de quem entra pela porta principal, permaneceu no mesmo lugar e também foi restaurado.
Por conta do espaço reduzido dentro da igreja, Vânia afirma que a missa de reinauguração deverá ser realizada no pátio em frente ao prédio para acomodar toda a comunidade.
Segundo Vânia, antes havia um cemitério ao lado da igreja, onde eram sepultados moradores da comunidade. Com a urbanização da região, o cemitério deixou de existir, e as lideranças mais antigas decidiram levar os restos mortais de Tia Eva para dentro do templo, que foi construído pela própria quilombola em pagamento de promessa feita a São Benedito.
Para Vânia, a igreja é um espaço de memória e reverência à matriarca, que construiu o templo e formou a comunidade. “O seu legado continua vivo aqui dentro da comunidade com seus descendentes”, afirma.
Programação - As atividades continuam no Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, às 8h30, com torneio de futebol aquilombar na Arena Tia Eva. No dia seguinte (21), às 9h30, será realizada uma caminhada com roteiro de afroturismo por espaços de memória, cultura e religiosidade da comunidade.
A programação termina no dia 28, com celebração cultural a partir das 17h. Estão previstas apresentações culturais e musicais, feira quilombola, exposição e homenagens à trajetória de Tia Eva e de seus descendentes. Todas as atividades serão realizadas em parceria da comunidade com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e Guia Negro.
Origem - Relatos orais reunidos pela comunidade contam que Tia Eva veio de Goiás com as filhas Sebastiana, Joana e Lázara. Um de seus bisnetos, Sérgio Antônio da Silva, popularmente conhecido como Seu Michel, já relatou que ela comprou terras na região em 1910 e associa a construção da igreja a uma promessa feita a São Benedito. Primeiro foi feita uma igreja em pau-a-pique e a construção de alvenaria foi erguida em 1919.
A comunidade, formada inicialmente em uma área rural, foi incorporada à cidade à medida que Campo Grande cresceu. Em setembro deste ano, recebeu o certificado de tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro, tornando-se a primeira comunidade quilombola inscrita no novo Livro do Tombo do Iphan. O reconhecimento abrange o território e a história preservada por seus moradores.
Programação do centenário de Tia Eva e do Mês da Consciência Negra:
- 11 de novembro, às 19h:
Memória e fé: missa em homenagem aos 100 anos da morte de Tia Eva e abertura da exposição Vozes do Quilombo: O Legado Vivo de Tia Eva. Local: pátio da Igreja de São Benedito.
- 20 de novembro, às 8h30:
Esporte e encontro: torneio de futebol aquilombar, com participação de comunidades quilombolas e bairros vizinhos. Local: Arena Tia Eva.
- 21 de novembro, às 9h30:
História pelo território: caminhada com roteiro de afroturismo e visitas a espaços de memória, cultura e religiosidade da comunidade.
- 28 de novembro, a partir das 17h:
Celebração cultural: apresentações culturais e musicais, feira quilombola, exposição e homenagens à trajetória de Tia Eva e de seus descendentes.
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