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Política

Disque 100 passa a receber denúncias de violência contra indígenas

Governo desativou número de Whatsapp e mantém outros 2 canais para receber relatos

Por Clara Farias | 30/10/2026 13:19
Disque 100 passa a receber denúncias de violência contra indígenas
Mulher discando o telefone 100, canal disponibilizado para denúncias (Foto: Clara Farias)

O Governo Federal desativou o número de WhatsApp utilizado para receber denúncias de violência contra povos indígenas. A mudança foi comunicada nesta sexta-feira (30), nas redes sociais do Ministério dos Povos Indígenas. A partir de agora, os relatos devem ser encaminhados pelo Disque 100, pela plataforma Fala.BR ou diretamente à Ouvidoria do ministério.

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O Governo Federal desativou o WhatsApp criado para denúncias de violência contra povos indígenas, três dias após anunciá-lo, por causa do volume de mensagens sem relação com o tema. Os relatos devem ser feitos pelo Disque 100, pela plataforma Fala.BR ou pela Ouvidoria do Ministério dos Povos Indígenas. O caso ocorre após áudios de servidores de Tacuru (MS) sugerirem envenenar a água de uma comunidade indígena. Três ministros viajam ao estado, e a Força Nacional reforça o policiamento.

A mudança ocorre após o governo federal anunciar, na terça-feira (27), um canal direto com o MPI (Ministério dos Povos Indígenas) pelo WhatsApp. Entre as alternativas disponíveis agora está o Disque 100, que funciona 24 horas e conta com um canal específico para denúncias de perseguição e violência política.

Conforme o MPI, o número foi desativado devido ao volume de mensagens recebidas sem relação com denúncias de violência.

Os relatos também podem ser registrados pela plataforma Fala.BR, no endereço falabr.cgu.gov.br, ou encaminhados à Ouvidoria do MPI, pelo e-mail mpi.ouv@povosindigenas.gov.br e pelos telefones (61) 2020-1278 e (61) 2020-1480.

Ameaças após 2° turno - Em Mato Grosso do Sul, um dos casos de violência contra a comunidade indígena foi registrado em Tacuru, onde dois servidores municipais trocaram áudios com ofensas aos indígenas e sugeriram envenenar a água consumida pela comunidade Sassoró.

A conversa foi divulgada na segunda-feira (26) pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Em uma das gravações, um dos funcionários sugere colocar veneno na água para matar integrantes da comunidade. A motivação seria o resultado eleitoral no município, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu a maioria dos votos.

O episódio provocou manifestações de órgãos federais. A DPU (Defensoria Pública da União) instaurou procedimento para cobrar a responsabilização dos envolvidos e classificou as declarações como discurso de ódio de matriz racista e discriminatória. O MPF (Ministério Público Federal) também cobrou explicações da Prefeitura de Tacuru e questionou as medidas adotadas para garantir a segurança dos indígenas.

Diante das denúncias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou o envio de três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar a situação de perto. Eloy Terena, dos Povos Indígenas, Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública, e Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania, chegam a Dourados nesta sexta-feira (30).

A comitiva deve visitar comunidades indígenas de Coronel Sapucaia e Tacuru. Segundo Eloy Terena, a viagem foi antecipada após determinação do presidente, que pediu que os ministros fossem até os territórios para acompanhar as providências diante das denúncias.

A Força Nacional também iniciou policiamento em três comunidades indígenas do sul do Estado. O efetivo já estava sediado em Dourados e foi deslocado conforme a demanda. O governo federal avalia a necessidade de ampliar o contingente.

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