Leilão prevê R$ 4,1 bi em obras para ampliar transmissão de energia em MS
Projeto contempla 1,1 mil quilômetros de linhas de 500 kV, novas subestações e 8,2 mil empregos

Mato Grosso do Sul será um dos principais beneficiados pelo último leilão de transmissão de energia elétrica realizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2026. O certame, realizado nesta sexta-feira (30), na sede da B3, em São Paulo (SP), garantiu R$ 4,11 bilhões em investimentos para obras que vão ampliar a capacidade de transmissão de energia no Estado, permitir o escoamento da produção de fontes renováveis e fortalecer a interligação elétrica entre Brasil e Bolívia.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O leilão de transmissão de energia da Aneel, realizado em 30 de janeiro na B3, garantiu R$ 4,11 bilhões em investimentos em Mato Grosso do Sul. O Lote 4, vencido pela Celeo Redes com deságio de 50,55%, prevê 1.167 quilômetros de linhas e subestações, 8.225 empregos e elevação da Rede Básica do Estado para 500 kV. Os oito lotes somaram R$ 8,87 bilhões em sete estados, com deságio médio de 50,10% e economia estimada em R$ 20,77 bilhões aos consumidores.
O principal empreendimento está previsto no Lote 4, arrematado pela Celeo Redes Brasil S.A., que apresentou proposta de R$ 377,09 milhões de RAP (Receita Anual Permitida), com deságio de 50,55% em relação ao valor máximo estabelecido pela agência reguladora. O lote concentra o maior volume de investimentos do leilão e contempla obras em Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás.
- Leia Também
- Leilão de transmissão prevê R$ 4,1 bilhões em investimentos em MS, PR e GO
- Leilão de energia prevê obras em MS e reforço na conexão com a Bolívia
Ao todo, estão previstos 1.167 quilômetros de novas linhas de transmissão e a construção de subestações. A estimativa é de geração de 8.225 empregos durante a implantação dos empreendimentos, cujo prazo para conclusão é de até 60 meses, contados a partir da assinatura dos contratos.
Um dos principais efeitos esperados é a elevação do nível de tensão da Rede Básica de Mato Grosso do Sul para 500 quilovolts (kV). Atualmente, o Estado conta com instalações de transmissão limitadas a 230 kV nesse nível da rede. A ampliação deve aumentar a capacidade de transporte da energia produzida em território sul-mato-grossense, especialmente de fontes como biomassa e solar.
A medida também cria condições para ampliar a capacidade remanescente de geração, ou seja, a possibilidade de conectar novos empreendimentos de produção de energia ao sistema elétrico. Com uma infraestrutura mais robusta, o Estado poderá receber novos investimentos no setor e terá melhores condições de transportar a energia gerada para outras regiões.
O projeto ainda é considerado estratégico para a integração elétrica internacional entre Brasil e Bolívia, além de fortalecer a conexão entre Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.
Obras previstas - O Lote 4 reúne diferentes empreendimentos de transmissão. Um deles é a construção da linha de 500 kV entre Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, e Sarandi, no Paraná, com extensão total de 620 quilômetros, além de uma subestação em Rio Brilhante, com níveis de tensão de 500/230/138 kV e capacidade de transformação de 2.400 MVA (megavolt-ampères).
Outro conjunto de obras contempla Mato Grosso do Sul e Goiás, com a implantação das linhas de transmissão de 500 kV entre Rio Verde Norte e Chapadão e entre Chapadão e Rio Brilhante, totalizando 547 quilômetros. Também está prevista a construção da Subestação Chapadão, com tensão de 500/230 kV e capacidade de transformação de 1.200 MVA.
A Aneel chegou a dividir o lote em dois sublotes, identificados como 4A e 4B, que foram ofertados simultaneamente com a possibilidade de contratação do empreendimento completo. A avaliação da agência foi de que a aquisição do conjunto integral seria economicamente mais vantajosa, opção escolhida pela Celeo Redes.
O resultado coloca a empresa entre as principais vencedoras do leilão. Considerando todos os lotes arrematados, a Celeo ficou responsável por R$ 4,86 bilhões em investimentos, o equivalente a 54,83% do volume total contratado no certame.
Leilão teve 100% dos lotes arrematados - Além do impacto previsto em Mato Grosso do Sul, o leilão garantiu investimentos de R$ 8,87 bilhões em empreendimentos distribuídos por sete estados brasileiros: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.
Os oito lotes ofertados foram arrematados, com previsão de construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e ampliação da capacidade de transformação em subestações em 12.694 MVA. O conjunto de projetos também prevê a continuidade da operação e manutenção de 483 quilômetros de linhas já existentes.
O resultado financeiro foi marcado por um deságio médio de 50,10%. A Receita Anual Permitida máxima estabelecida pela Aneel era de R$ 1,625 bilhão, mas as empresas vencedoras apresentaram propostas que somam R$ 811,09 milhões por ano.
A diferença representa uma economia estimada em R$ 20,77 bilhões para os consumidores de energia durante o período de concessão dos empreendimentos, que será de 30 anos. A RAP é a remuneração anual paga às concessionárias pela construção, operação e manutenção das instalações de transmissão.
O lote 4, que contempla Mato Grosso do Sul, também foi o que apresentou o maior valor de investimento individual. Na sequência, aparece o Lote 3, em São Paulo, com previsão de R$ 1,07 bilhão em investimentos e vitória da CYMI Construções e Participações S.A., que apresentou deságio de 57,08%.
O certame integra o ciclo de expansão da infraestrutura de transmissão de energia elétrica no Brasil, que mobilizou investimentos estimados em R$ 69,64 bilhões entre 2023 e 2026. Considerada a atualização pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o volume chega a R$ 77,54 bilhões.
Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e operacionalizado pela Aneel, o leilão também integra o Programa de Parcerias de Investimentos e o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Para a diretora substituta da Aneel, Ludimila Lima, os empreendimentos vão reforçar a infraestrutura nacional e garantir que a energia chegue aos locais onde há necessidade. Ela afirmou que a agência acompanhará a execução das obras para assegurar a qualidade dos serviços, a segurança do sistema e o cumprimento dos prazos estabelecidos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também destacou o resultado, afirmando que a expansão da transmissão é necessária para garantir o escoamento da energia limpa produzida no país e preparar o sistema elétrico para novas demandas, como a instalação de data centers e o avanço da inteligência artificial.

