Diagnóstico revela barreiras à saúde sexual e reprodutiva de presas em MS
Pesquisa ouviu mais de 480 mulheres: 58,6% relataram falta de contraceptivos e 53,7% não tiveram orientação

Mais da metade das mulheres ouvidas em seis unidades prisionais femininas do interior de Mato Grosso do Sul afirmou não ter recebido informações sobre direitos sexuais e reprodutivos. É o que traz edição do "Diagnóstico com perspectiva de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado - Etapa de Interiorização", apresentado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.
RESUMO
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Diagnóstico do Nudem, da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, aponta que 53,7% das presas de seis unidades femininas do interior não receberam informações sobre direitos sexuais e reprodutivos, e 58,6% não têm acesso a contraceptivos. Foram ouvidas 488 mulheres, cerca de dois terços das custodiadas. Entre elas, 62,3% usam medicação contínua, 56,5% sofreram violência doméstica e 39,3% relataram abuso sexual na infância ou adolescência. Os dados orientarão ações da Defensoria.
O levantamento também apontou que 58,6% das custoadas entrevistadas disseram não ter acesso a métodos contraceptivos durante a prisão. Outras 53,7% disseram não ter recebido informações sobre o tema e 62,3% afirmaram que usavam medicação contínua.
O levantamento foi desenvolvido pelo Nudem (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) em parceria com a CPES (Coordenadoria de Pesquisas e Estudos). Entre novembro de 2025 e julho de 2026, 488 mulheres aceitaram participar das entrevistas, o que representa cerca de dois terços das 731 custodiadas nas seis unidades em agosto de 2026.
Na área da saúde mental, a apresentação informou que psicotrópicos estavam entre os medicamentos citados pelas entrevistadas. A Defensoria Pública ressaltou, contudo, que o uso desses remédios, por si só, não comprova prescrição inadequada. O dado se refere ao uso de medicação contínua.

A psicóloga do Nudem, Keila Oliveira Antônio, que participou das entrevistas, relatou ter ouvido de algumas mulheres que faziam uso de diferentes medicamentos psiquiátricos e que não haviam passado por consulta com psiquiatra. Ela ponderou que saúde mental não se resume ao uso de medicação. Esses relatos são observações de campo e não aparecem como um resultado quantificado do diagnóstico.
A pesquisa registrou ainda histórias de violência anteriores ao encarceramento: 56,5% das entrevistadas disseram ter sofrido violência doméstica antes da prisão e 39,3% relataram violência ou abuso sexual na infância ou adolescência. Os dados não estabelecem, por si só, relação entre essas experiências e a situação de saúde das mulheres.
As entrevistas foram realizadas em unidades de Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Jateí. A psicóloga explicou que a amostra não foi estratificada por unidade, e nem todas as participantes responderam a todas as perguntas.
Os dados vão orientar o planejamento de ações da Defensoria Pública, ajudar a aprimorar o atendimento jurídico e contribuir para o debate de políticas públicas voltadas às mulheres privadas de liberdade.
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