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Internado, Nilson chegou a comemorar melhora com a família, mas covid venceu

Além de dizer às filhas que as amava, Nilson também falou em ligação que sentia muita falta da esposa, falecida há dois anos

Por Lucia Morel | 22/07/2020 08:08
Nilson ao lado da esposa, falecida há dois anos. (Foto: Arquivo da Família)
Nilson ao lado da esposa, falecida há dois anos. (Foto: Arquivo da Família)

O que parecia passar sem maiores complicações, transformou-se em saudade. Nilson Oliveira, de 66 anos, passou 15 dias internado com covid-19, melhorou, chegou a ligar entusiasmado para a família, mas diante da agressividade da doença, voltou a ser entubado e não resistiu.

Falecido no último domingo, 19 de julho, Nilson morava em Rio Negro, havia perdido a esposa há dois anos, e nas conversas com as filhas, bem antes da covid-19, mas também dentro do hospital, dizia sempre que sentia muito a falta dela.

Para a filha Hellen Ferreira de Menezes Oliveira Maidana, 41, que é professora no município que fica a 154 Km de Campo Grande, o pai sucumbiu à doença devido às próprias características do novo coronavírus. Diabético, Nilson mantinha essa cormobidade controlada e mesmo durante a internação recente, não houve alteração significativa nos níveis de glicose.

Nilson com as três filhas. (Foto: Arquivo da Família)
Nilson com as três filhas. (Foto: Arquivo da Família)

“Ele tinha diabetes, mas estava controlada. No hospital deu uma alteração, mas corrigiram. Ele fazia caminhada todos os dias, sábados e domingos, se cuidava, cuidava até da alimentação, mas o pulmão dele ficou muito comprometido. No hospital mostrou que estava 75% tomado”, contou.

Dos profissionais de saúde, as informações foram de que, além do pulmão bastante comprometido, o coração de Nilson foi enfraquecendo, provavelmente diante da dificuldade respiratória “até que parou”. Para Hellen, o que ocorreu foi uma fatalidade.

Internado no Hospital Cassems em Campo Grande no dia 3 de julho, quando saiu o resultado positivo para covid-19, os sintomas apareceram antes, pelo menos uma semana. Segundo Hellen, a suspeita é de que a visita do pai a um amigo no Distrito de Nova Esperança, no Perdigão, ainda em Rio Negro, o tenha infectado.

Isso porque, dias depois de Nilson ter ido até lá, a família soube que o amigo havia testado positivo para o novo coronavírus. “No domingo (28 de junho) a gente soube que o homem que estava com ele, estava positivo e daí já o levamos pro Hospital da Cassems e fez exames”, contou a filha.

Em festa de aniversário das duas de sete netas e netos. (Foto: Arquivo da Família)
Em festa de aniversário das duas de sete netas e netos. (Foto: Arquivo da Família)

Na radiografia, foi identificada mancha compatível com sinais de covid-19, e no mesmo dia, foi coletada a mucosa, para o exame RT-PCR, que saiu uma semana depois. “Mas antes do resultado, ele já saiu de lá medicado e ficou em casa, isolado. Na sexta (3 de julho), saiu o resultado e a gente voltou pra avaliação e aí já viram que ele estava com dificuldade de respirar e o internaram. Dois dias depois ele foi pra UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”.

Segundo Hellen, apesar da dificuldade respiratória, Nilson estava bem, falante, forte e sem sinais de debilidade. “Nem ele mesmo se sentia mal”, disse. Apesar disso, ele foi entubado e dias depois, por volta de 12 de julho, saiu da UTI e fez uma chamada de vídeo para falar com as filhas.

“Ele estava todo contente, dizendo que nos amava e perguntando se tínhamos pagado as contas dele”, relembra. Feliz, a família comemorou a melhora e acompanhava a evolução do quadro de Nilson pelo boletim diário do hospital. “Já tinha até reduzido a carga de oxigênio que ele precisava pra respirar”.

No entanto, num dia foi informado que haviam aumentado a carga de oxigênio, no outro também, até que a carga necessária já estava em 100%, porque a saturação estava muito baixa e Nilson foi novamente levado para um leito de UTI.

A piora foi do dia 12 até 20 de julho, quando Nilson faleceu e foi se encontrar com a esposa, Irma. “Às 4h15 de segunda-feira eles ligaram pra minha irmã e falaram pra ela ir até lá, porque tiveram que entubá-lo de novo e que o coração foi ficando fraco, até que parou”.

Com três filhas e sete netos, Nilson deixa a elas legado de união familiar, “que nunca vamos perder” e exemplo de serviço e respeito às pessoas. “Ele e minha mãe nos deixaram o ensinamento de servir sempre e é o que vamos fazer”, declara Hellen.

As filhas não passaram por nenhum exame, mas por terem tido contato com Nilson, todas ficaram em isolamento por 14 dias.  Da família, apenas um cunhado de Hellen foi testado e deu negativo para covid-19.

Matéria alterada às 18h17 para correção de informações.

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