Mato Grosso do Sul tem só 0,74% de suas rodovias duplicadas
Dos 18.285 quilômetros de estradas federais e estaduais, apenas 137 estão em pista dupla

Mato Grosso do Sul tem somente 0,74% de sua malha viária, somando rodovias federais e estaduais, duplicada. Dos 18.285 quilômetros de estradas, pouco mais da metade, 51,83%, o equivalente a 9.478,5 quilômetros, são pavimentados e, destes, apenas 137 quilômetros têm pista dupla em cada sentido.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul tem apenas 0,74% de sua malha viária duplicada, com 137 km de pista dupla em 18.285 km totais, dos quais 51,83% (9.478,5 km) são pavimentados. Na malha federal (3.816,4 km asfaltados), 79,5 km (1,70%) são duplicados; na estadual (5.662,1 km asfaltados), 57,5 km (0,42%). O estado ocupa o oitavo pior índice nacional em federais, atrás de Goiás (12,53%) e Mato Grosso (6,42%). Trechos duplicados são curtos (até 9,2 km), e os mais movimentados, como BR-163 (10.056 veículos/dia), são de pista simples.
A extensão duplicada no estado, segundo dados do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), é equivalente à distância de Campo Grande ao município de São Gabriel do Oeste, no norte do estado: 137 quilômetros.
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A malha federal é a que tem o maior percentual de vias duplicadas. Conforme o levantamento de 2026 do SNV (Sistema Nacional de Viação), do DNIT, dos 4.653,5 quilômetros, 563,7 são de estradas ainda planejadas, que não existem fisicamente; 273,4 quilômetros são de vias não pavimentadas; e 3.816,4 quilômetros de estruturas já asfaltadas.
Das estradas que possuem revestimento asfáltico, 79,5 quilômetros, 1,70% do total, contam com pista dupla. É pouco mais que a distância de Campo Grande a Rochedo, de 81 quilômetros.
Em relação à malha estadual, a Agesul detalha que, dos 13.631,8 quilômetros, 7.969,7 quilômetros não têm pavimentação, apesar de 494,5 quilômetros estarem em obras para receber capa asfáltica, e que, dos 5.662,1 quilômetros asfaltados, apenas 57,5 quilômetros, 0,42% do total, são duplicados.
A extensão com pista dupla de jurisdição do estado é pouco menor do que a distância da Capital sul-mato-grossense ao município de Sidrolândia, cerca de 70 quilômetros.
O Campo Grande News entrou em contato com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Motiva Pantanal (concessionária responsável pela BR-163), Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) e Setlog-MS (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Estado de Mato Grosso do Sul), para analisar os impactos que uma malha viária duplicada tão diminuta pode causar ao setor produtivo e ao desenvolvimento do estado, mas, até a mais recente atualização, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Raio-X das federais
Considerando a extensão federal duplicada (veja principais trechos no mapa acima) no estado em relação à malha total, Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do SNV, tem o oitavo pior índice do país.
Na comparação com os outros estados do Centro-Oeste, o percentual de rodovias federais duplicadas do estado fica ainda mais ínfimo. Goiás, com 6.340,7 quilômetros de vias da União, tem 794,2 quilômetros duplicados, 12,53% do total. Mato Grosso, com uma malha de 6.651,4 quilômetros, possui 426,8 quilômetros de vias com pista dupla, 6,42%.
O desempenho do estado fica aquém, mesmo entre estados com extensão viária semelhante. O Maranhão, com 4.339,6 quilômetros de BRs, tem 144 quilômetros com pista dupla, 3,32% do total.
O SNV aponta que o estado não tem nenhum trecho longo duplicado. As distâncias variam entre 500 metros e 9,2 quilômetros, no máximo. A menor fica em Campo Grande, no entroncamento da BR-060 com a MS-162, e a maior na BR-163, no entroncamento da MS-276, na Vila São Pedro, com Vila Vargas (veja detalhes na tabela abaixo).
A maior parte dessas curtas duplicações fica na entrada das cidades, nos contornos urbanos (minianéis), próxima a praças de pedágio, em corredores logísticos e em regiões metropolitanas.
Da malha federal com pista dupla no estado, 42,6 quilômetros são de trechos cuja exploração e administração a União concedeu à iniciativa privada, como os da BR-163, sob responsabilidade da Motiva Pantanal, ou ao governo do estado, como os da BR-262 e BR-267, que compõem a Rota da Celulose e foram leiloados em maio do ano passado, tendo o consórcio K&G como vencedor.
Outros 10,9 quilômetros, na BR-158, são de trechos em que a União delegou ao estado a gestão, e 26 quilômetros são de estradas que estão a cargo da administração direta do governo federal, por meio do DNIT.
O DNIT, por meio do PNCT (Plano Nacional de Contagem de Tráfego), aponta que todos os trechos mais movimentados das principais rodovias federais do estado são de pista simples. A BR-163, a mais movimentada de Mato Grosso do Sul, registrou, em 2025, no trecho de maior fluxo entre Rio Brilhante e Dourados, a passagem de 10.056 veículos por dia.
A BR-060, próxima a São Gabriel do Oeste, registrou 7.676 veículos por dia. A mesma rodovia, no trecho entre Campo Grande e Sidrolândia, que deve fazer parte do trajeto da Rota Bioceânica, teve 6.719 veículos por dia. A BR-158, entre Paranaíba e Cassilândia, 6.683. A BR-267, entre Maracaju e Jardim, 6.469. A BR-376, entre Dourados e Fátima do Sul, 5.310 e a BR-262, entre Água Clara e Três Lagoas, 5.269.%



