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Cidades

Mesmo com nova cepa, ainda devo tomar vacina da gripe? Especialista responde

Há surtos de nova mutação da influenza em grandes cidades do País; vacina atual protege de outras cepas

Por Guilherme Correia | 22/12/2021 11:33
Dose de vacina contra a influenza (gripe) é aplicada por meio do SUS e no setor particular. (Foto: Henrique Kawaminami)
Dose de vacina contra a influenza (gripe) é aplicada por meio do SUS e no setor particular. (Foto: Henrique Kawaminami)

A campanha de vacinação contra a covid-19 tem tomado boa parte do noticiário e da atenção da população, já que esta doença, nos picos da pandemia, gerou caos na saúde pública, por conta da superlotação de hospitais e uma série de mortes. No entanto, outras doenças com vacina também devem ser ressaltadas, já que oferecem risco à saúde individual e coletiva.

Recentemente, o Brasil tem enfrentado alguns surtos de influenza, vírus da gripe, em determinadas regiões. Ao menos, três casos da H3N2, uma cepa do vírus que não é contemplada pelas atuais vacinas, foram confirmados também em Campo Grande, mas a situação em território sul-mato-grossense ainda não preocupa autoridades sanitárias.

No entanto, é importante ressaltar que medidas preventivas da covid - uma doença transmitida por um vírus, com sintomas e características que lembram a gripe - continuam recomendadas, como uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento social.

O que fazer? - De acordo com o professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Everton Lemos, a recomendação é que a população sem vacina da influenza procure o imunizante.

De acordo com o PNI (Plano Nacional de Imunizações), o fármaco é oferecido gratuitamente com exclusividade aos públicos-alvo da campanha - como idosos, crianças e profissionais de saúde. “A vacina protege as pessoas e reduz o risco de evolução grave da gripe, tais como SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e óbito”, explica.

O doutor em Doenças Infecciosas também ressalta que há fármacos disponíveis, já que, passado o período de vigência desta ação, a tendência é que as vacinas antigripais estejam nos estoques dos postos de saúde vinculados ao SUS (Sistema Único de Saúde). Além disso, clínicas particulares também vendem e aplicam a vacina a qualquer indivíduo.

Devo tomar vacina da gripe todo ano? - As doses de vacina contra a gripe têm período de seis a 12 meses, de acordo com cada patente, e a orientação é que se mantenha o ciclo vacinal frequente, conforme recomendações médicas. “A população pode buscar os serviços de saúde, pois ainda há doses”, completa Lemos.

Além disso, nos últimos meses, campanhas de multivacinação a crianças foram estratégias para completar a carteirinha do público infantil, que também têm uma série de vacinas disponibilizadas pelo SUS.

Por meio de nota, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) de Mato Grosso do Sul reforçou o pedido e orientação quanto a este imunizante. "A Secretaria de Estado de Saúde recomenda a população que quem não tomou a vacina contra a influenza que procure uma unidade de saúde para se vacinar".

"A dose contra a influenza é aplicada uma única vez ao ano, assim, não há necessidade de dose de reforço para quem já tomou o imunizante neste ano. As recomendações são as mesmas da covid, por ser tratar de um vírus respiratório, a indicação é usar máscara e sempre manter a higienização das mãos e evitar aglomerações. O Ministério da Saúde deve lançar em abril/naio de 2022, nova campanha de imunização contra a influenza".

Nova cepa - Grandes centros urbanos do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, apresentaram uma alta incidência de casos de gripe nas últimas semanas e há algumas hipóteses.

O aumento de casos neste mês é considerado incomum e pode estar associado à baixa cobertura vacinal contra a gripe, à flexibilização das medidas de restrição adotadas como prevenção à covid-19. Além disso, muitos casos estão associados principalmente à linhagem “Darwin” do vírus influenza A (H3N2).

Esta mutação não está incluída na composição das atuais vacinas em uso no hemisfério Sul. Seguindo a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde), de 2020, os produtores de vacina incluíram as linhagens H1N1 Victoria.

Em geral, as campanhas nacionais de vacinação contra a gripe no Brasil têm início no mês de abril, antecipando a chegada do inverno, com o objetivo de proteger o organismo de pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças, imunossuprimidos e pessoas com comorbidades.

O Instituto Butantan, produtor das vacinas da gripe aplicadas no país via SUS, diz que os imunizantes atualizados serão fabricados em janeiro. “Quanto a vacina específica, incluindo essa nova cepa, essa ocorrerá em meados de março a maio de 2022, quando lançam o calendário da influenza. Até lá, você poderá tomar uma nova dose de imunizante”, finaliza Lemos.

Adesão - Segundo o Ministério da Saúde, em 2021, houve cerca de 71,2% da cobertura vacinal apenas do público-alvo da campanha antigripal. Em 2020, o índice foi de 82% e em 2019, chegou a 91%.

De acordo com a pasta, o aumento de casos de influenza em alguns estados é acompanhado, assim como evidências científicas quanto à eficácia da vacina utilizada na campanha deste ano para a prevenção da nova cepa circulante.

Por fim, o Ministério também já informou, via nota técnica, que não há necessidade de aguardar um intervalo mínimo entre as vacinas de covid-19 e as demais utilizadas no Brasil - ou seja, podem ser aplicadas num mesmo dia, a fim de facilitar a logística do acesso à saúde.

(*) matéria editada às 16h41 para acréscimo de informações da SES.

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