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Cidades

Mesmo sem leitos, prefeituras com bandeira vermelha seguem inertes

Gestores não tomam medidas de prevenção mais rígidas para conter a pandemia da covid-19

Por Gabriela Couto | 05/03/2021 13:30
Faltam leitos de UTI para Covid no interior do Estado e pacientes são transferidos (Foto Saul Schramm/Governo de MS)
Faltam leitos de UTI para Covid no interior do Estado e pacientes são transferidos (Foto Saul Schramm/Governo de MS)

Com o prenúncio de um colapso na saúde de Mato Grosso do Sul, por conta da pandemia da covid-19, o secretário de Saúde, Geraldo Resende, disse nesta quinta-feira que vai tentar sensibilizar os prefeitos na segunda-feira (05) sobre a importância das medidas de restrição de circulação da população. Somente os municípios têm autonomia para decretar as regras de prevenção à doença.

Apesar de 31 cidades estarem com bandeira vermelha no programa Prosseguir do governo do Estado, apenas alguns gestores estão tomando decisões mais drásticas. Nenhum decidiu pelo lockdown.

A prefeita de Naviraí, Rhaiza Matos, publicou novo decreto determinando fechamento do comércio para os próximos dois finais de semana. Somente serviços essenciais vão funcionar. “Recebi recomendação do Governo do Estado para a implantação de lockdown por 14 dias em Naviraí, mas entendo que temos uma última oportunidade de minimizar as restrições, reforçar a fiscalização e, principalmente, contar com a compreensão da população.”

Barreiras sanitárias foram implantadas em todas as saídas do município e as multas também foram revistas. A punição é de R$ 500 para pessoas físicas, R$ 1 mil para pessoas jurídicas e R$ 5 mil para organizadores de eventos clandestinos.

A cidade tem recebido pacientes de Iguatemi, que hoje está com 34% da taxa de ocupação de leitos a mais do que a capacidade. Com nove óbitos, há apenas dois leitos de UTI na cidade. Ontem mais um paciente de Covid foi encaminhado para Naviraí.  Além do toque de recolher das 22h às 05h, festas e eventos estão proibidos em Iguatemi.

Em Camapuã, desde o dia 03 de março um novo decreto está em vigor. A população tem que se recolher a partir das 20h. A medida tem surtido efeito no controle de aglomerações. Também é aplicada multa em estabelecimentos comerciais e pessoas que não cumprem as regras de biossegurança.

Comerciantes e pessoas jurídicas podem pagar R$ 250 inicialmente e ter até o alvará suspenso. Pessoas sem máscaras são penalizadas em R$ 50 e podem responder de forma administrativa, civil e penal. E já houve caso de reincidência de estabelecimentos multados.

A cidade não tem leito de UTI e os números crescentes de infectados tem gerado um alerta da administração do município. “Ontem dois pacientes foram transferidos para Campo Grande. Temos oito internados em UTI divididos na capital e em Costa Rica”, afirmou o secretário de Saúde de Camapuã, André Targino.

Em Costa Rica, a subsecretária de saúde se demitiu nesta sexta-feira (05). A enfermeira Adriana Carrijo deixou o cargo em meio a possibilidade de colapso no hospital do município. “Hoje estou deixando meu cargo na Secretaria de Saúde, me perdoem, mas não consigo ir adiante, já não tenho paz interior para continuar ajudando, cheguei ao meu limite emocional Então, é hora de sair para que novas pessoas consigam ajudar mais e melhor que eu nesse momento tão necessitado que estamos passando. A todos peço desculpas pelas falhas, pelos erros, mas é hora de parar, ganhar foças e depois recomeçar", desabafou.

A secretária de Saúde de Caracol, Rosineia Gomes de Assis, disse que a prefeitura está revendo os decretos municipais em relação a pandemia. Hoje o toque de recolher é das 22h às 05h. “Apesar de estar sob controle a pandemia não descartamos o lockdown. Estamos avaliando a possibilidade aplicação de multas também.”

Em Bela Vista, até o dia 18 de março o toque de recolher será das 22h às 05h. Já em Dourados teve a ampliação de cinco novos leitos de UTI no Hospital Santa Rita. Novas tratativas com o Hospital Universitário estão sendo feitas para habilitar novos dez leitos. Praças e parques permanecem fechados.

O trabalho agora é para abrir novos leitos no Estado, já que pacientes estão sendo transferidos para outros polos de saúde, bem distantes da macrorregião de transferência. Ontem, um paciente de Amambai, na região sul de Mato Grosso do Sul, teve que ser levado para um hospital de Aquidauana, na região oeste. O motivo era a falta de leitos de UTI disponíveis em Dourados e Ponta Porã.

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