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Cidades

Na flor da idade, mulheres de 20 a 39 anos são principais vítimas de feminicídio

Nos últimos 10 anos, o Estado registrou 360 assassinatos de pessoas do sexo feminino

Por Lucia Morel | 22/06/2026 17:47
Na flor da idade, mulheres de 20 a 39 anos são principais vítimas de feminicídio
Algumas vítimas de feminicídio de 2024: Na primeira fileira: Mayara, Renata, Dayane, Gilvanda e Marta. Na segunda fileira: Gisely, Joelma, Gisieli e Luciene. (Foto: Montagem)

Jovens são as principais vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Estatísticas do Dossiê Feminicídio, mantido pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), revelam que as mulheres que mais morrem têm entre 20 e 39 anos de idade. Elas representam 54,4% de todos os crimes cometidos entre 2015 e este ano. Quando o recorte é de 2020 até agora, elas se mantêm no topo, com 52,4%.

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Jovens entre 20 e 39 anos são as principais vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul, representando 54,4% dos crimes registrados entre 2015 e 2026, segundo o Dossiê Feminicídio do MPMS. Nos últimos dez anos, 360 mulheres foram assassinadas no estado, sendo 195 nessa faixa etária. Mais de 90% das vítimas não tinham medida protetiva. Em 2026, já são 12 mortes registradas.

Nos últimos 10 anos, 360 mulheres foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Dessas, 195 tinham de 20 a 39 anos. A segunda faixa etária mais atacada é de 40 a 49 anos. Do total, mais de 90% não tinham medida protetiva de urgência solicitada.

Entre 2025 e 2026 esse quadro muda um pouco e do total de 53 feminicídios consumados, 24% são de mulheres com idade entre 40 e 49 anos, sendo o maior índice entre os recortes etários. Em segundo lugar estão as de 20 a 29 anos, que representam 20,8%

Ainda vale destacar que no mesmo período - janeiro de 2015 a 19 de junho de 2026 - 147 autores foram condenados pelo crime. Além disso, 46 dos autores cometeram suicídio após matarem suas companheiras ou ex-companheiras.

Outros dados relevantes são quanto à etnia e cor das mulheres vítimas, sendo 24,7% delas pardas, 2,2% negras, 15,8% brancas e 6,4% indígenas. O restante - 50,6% - é de etnia não informada.

Ontem, o Campo Grande News mostrou, conforme os dados do dossiê, que metade dos assassinatos de mulheres registrados no Estado ocorreu dentro da casa onde a vítima vivia com o companheiro e durante a noite. Os números reforçam uma realidade que especialistas e órgãos de proteção alertam: o maior risco para as mulheres está justamente no ambiente doméstico e nas relações afetivas.

Até agora, em todo o Estado, 12 mulheres morreram vítimas de feminicídio. Para a coordenadora do Nudem (Núcleo de Defesa das Mulheres), a defensora pública Kricilaine Oksman avalia que a violência estrutural contra a mulher, independentemente da idade, decorre da própria natureza desse tipo de crime: a misoginia, ou seja, repulsa e ódio pelas mulheres.

“Mulheres entre 20 e 39 anos, em tese, está começando ou se estabelecendo no mercado de trabalho, se empoderando e acessando os espaços públicos. Também está em um relacionamento estável e tem laços afetivos mais longos. Com isso, vem a retaliação de quem não aceita essa liberdade”, comenta.

Oksman diz também que mudar esse cenário e atuar mais na prevenção que na reação às violências consumadas conta ainda com um longo trabalho. “A questão é cultural, é um trabalho complexo que exige a atuação de todos”.

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