ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, TERÇA  01    CAMPO GRANDE 24º

Economia

Crédito rural com atraso ou inadimplência quase dobra em 18 meses em MS

Financiamentos em situação problemática passou de 13,9% para 27,6% entre janeiro de 2025 e junho de 2026

Por Jhefferson Gamarra | 01/09/2026 13:37
Crédito rural com atraso ou inadimplência quase dobra em 18 meses em MS
Maquinário faz a colheita da soja em lavoura de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo/Aprosoja)

O crédito rural em Mato Grosso do Sul acendeu um alerta diante do avanço dos financiamentos classificados como problemáticos pelo Banco Central. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, a parcela desses contratos praticamente dobrou em relação ao total de crédito rural contratado no Estado, passando de 13,9% para 27,6%.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O crédito rural em Mato Grosso do Sul registrou avanço preocupante nos financiamentos problemáticos, que passaram de 13,9% para 27,6% do total entre janeiro de 2025 e junho de 2026, segundo levantamento da Aprosoja/MS. Os contratos em atraso mais que dobraram, chegando a 12,6%. A entidade aponta o planejamento e a renegociação de dívidas como soluções, além de defender políticas públicas para conter o agravamento do quadro.

Os dados constam no Informativo Econômico nº 11/2026, elaborado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) com base em informações do Banco Central. O levantamento considera um período de 18 meses e aponta que, embora o volume de crédito rural captado tenha permanecido em níveis constantes, aumentou de forma significativa a parcela dos financiamentos que entrou em situação considerada problemática.

O cenário preocupa porque o crédito rural tem papel central no financiamento das atividades do campo. Além de bancar custos operacionais da lavoura, os recursos são utilizados para financiar inovações e processos voltados ao aumento da produtividade. Com uma parcela maior dos contratos apresentando dificuldades, cresce também a preocupação sobre as condições de acesso a novos financiamentos.

Atrasos avançam - O detalhamento dos chamados créditos problemáticos mostra que o quadro se agravou principalmente entre os contratos em atraso. Segundo a análise da Aprosoja/MS, em 2026, os créditos com atraso superior ao período considerado para essa classificação mais que dobraram proporcionalmente, passando de 4,9% para 12,6% do total.

No mesmo período, os créditos classificados como inadimplentes tiveram alta de 1,5%. Em sentido contrário, houve redução proporcional dos créditos problemáticos que passaram por algum tipo de ação para solucionar a situação, como renegociação ou prorrogação. Para a entidade, esse movimento indica uma baixa procura por mecanismos de resolução das dívidas.

A classificação de crédito problemático utilizada no levantamento é a denominação adotada pelo próprio Banco Central. Dentro desse grupo estão diferentes situações relacionadas à dificuldade de pagamento, entre elas operações renegociadas, inadimplentes, prorrogadas e em atraso.

Mais risco pode significar crédito mais caro - A deterioração dos pagamentos também pode ter efeito direto sobre quem precisa contratar um novo financiamento. De acordo com a análise da Aprosoja/MS, o aumento da inadimplência gera maior incerteza para bancos, financeiras e cooperativas que ofertam crédito.

Uma das consequências apontadas é a possibilidade de elevação das taxas de juros. A lógica é que as instituições financeiras podem incorporar uma margem de segurança maior para compensar o risco de não pagamento. Assim, quanto maior a parcela dos tomadores que deixa de quitar seus débitos, maior pode ser o custo repassado aos novos contratos.

O efeito pode criar um ciclo de maior dificuldade para o produtor. Quem contrata crédito com juros mais elevados e, posteriormente, enfrenta uma condição adversa que comprometa sua capacidade de pagamento pode precisar reorganizar a dívida. Nesse caso, segundo o informativo, a solução pode resultar em mais juros ou em um prazo maior para a quitação do débito.

Planejamento é apontado como caminho - Diante desse cenário, a Aprosoja/MS aponta o planejamento como uma das principais medidas para evitar o agravamento das dificuldades financeiras.

Para o produtor que está adimplente e precisa de crédito para financiar a produção, a orientação apresentada no estudo é buscar formas de reduzir a taxa de juros e se organizar para cumprir corretamente o pagamento da dívida. O objetivo é evitar que o financiamento entre na categoria de crédito problemático.

Já para quem enfrenta dificuldades e possui operações nessa classificação, a recomendação é procurar mecanismos de resolução, como renegociação ou prorrogação da dívida, antes que o problema se agrave.

O informativo também defende a adoção de políticas públicas para reduzir esses casos e ampliar a orientação aos produtores que contratam crédito rural, de forma a diminuir a possibilidade de problemas futuros.

Para a entidade, o enfrentamento da situação depende de uma atuação conjunta entre quem oferta e quem toma o crédito, com maior responsabilidade, previsibilidade para eventuais contratempos e rapidez na solução dos problemas. A expectativa é que isso contribua para ampliar a segurança financeira, reduzir as taxas de juros e manter maior circulação de recursos na economia.