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Cidades

Se MS é o que mais vacina, por que ainda é o estado com maior avanço da covid?

"É o estado que mais vacina, mas tem parte do povo mais rebelde e irresponsável do País", alega secretário

Por Paula Maciulevicius Brasil | 01/06/2021 10:17
Ao mesmo tempo em que MS é o estado que mais vacina, também amargura os piores índices da doença do País. (Foto: Saul Scharmm/Governo Estadual)
Ao mesmo tempo em que MS é o estado que mais vacina, também amargura os piores índices da doença do País. (Foto: Saul Scharmm/Governo Estadual)

Se Mato Grosso do Sul é recorde em vacinados, por que no ranking ele também aparece como estado onde mais cresce o número de casos e mortes de covid-19 no Brasil? A resposta inclui dois fatores. O primeiro vale para qualquer local do mundo: para conter a pandemia é preciso vacinar entre 70% e 80% da população acima de 18 anos (faixa etária apta à imunização).

Isso significa atingir cerca de 1,4 milhão de pessoas com 2 doses da vacina aqui em Mato Grosso do Sul. Atualmente, só 361.651 pessoas foram completamente imunizadas, tomando a 2ª dose. Para chegar a meta, a campanha tem de somar mais de 1 milhão nessa conta.

No Brasil, a pesquisa mais avançada em relação aos efeitos da vacinação em massa ocorreu em Serrana, interior de São Paulo, com 100% da população acima dos 18 vacinada. No decorrer da pesquisa, só com 75% da população-alvo imunizada, a pandemia foi controlada.

Todo mundo na rua - O segundo ponto é a desobediência de quem ainda insiste em desrespeitar as medidas de biossegurança. Secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, é uma das autoridades que já tem na ponta do língua o mesmo discurso que vem repetindo, segundo ele próprio, "ininterruptamente" há 15 meses.

"Sim. É o estado que mais vacina, mas aqui tem parte do povo mais rebelde e irresponsável de todo território nacional. A irresponsabilidade leva eles a não terem o compromisso com as suas vidas e da vida de seus semelhantes", diz.

Vacinação precisa avançar muito ainda para que casos fiquem controlados. (Foto: Marcos Maluf)
Vacinação precisa avançar muito ainda para que casos fiquem controlados. (Foto: Marcos Maluf)

Movidos pelo que o secretário diz como "desobediência cega", a falta de cuidados como aglomeração e o não uso de máscaras faz com que Mato Grosso do Sul siga com número crescente de casos ao mesmo tempo em que a vacinação não está nem perto de atingir o percentual ideal.

"Só vamos ter uma decaída sentida da doença no Estado quando a gente vier a vacinar pelo menos, pelo menos, 60% ou 70% da nossa população, e isso vai acontecer no ritmo que está indo, lá por setembro, outubro", conclui Geraldo.

Enquanto isso, o Estado convive com a circulação do vírus e a possibilidade de mutações, inclusive uma genuinamente "sul-mato-grossense".

Um dos eventos que protagonizaram aglomeração de pessoas durante a pandemia. (Foto: Direto das Ruas)
Um dos eventos que protagonizaram aglomeração de pessoas durante a pandemia. (Foto: Direto das Ruas)

"Nós podemos ter daqui uns dias uma variante sul-mato-grossense, porque o vírus para sobreviver vai sofrendo mutações e vai ficando mais agressivo, mais contagioso. A gente sabe muito bem que as mutações estão acontecendo numa velocidade muito rápida, porque não temos a população imunizada e essa desobediência cega leva as pessoas a levarem uma vida como se estivesse tudo normal", resume o secretário.

Para o médico infectologista da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, a resposta ao questionamento do por quê apesar de ser o primeiro no ranking da vacina, Mato Grosso do Sul segue em estado crítico, está no percentual de imunizados.

"O percentual de vacinados em duas doses está muito distante do ideal. Nós teríamos que ter pelo menos 80% da população imunizada para ter um impacto significativo na ocorrência da doença", enfatiza o médico.

Além da vacina, Rivaldo também diz que se trata de um "casamento de duas coisas". O percentual de cobertura vacinal está longe do ideal e em algumas situações não se vê nenhuma medida de segurança. "Quase nenhum distanciamento físico está sendo feito, então, se as pessoas não estão vacinadas e estão se expondo, é natural que ocorra a doença. Não tem como ser diferente".

*Colaborou o repórter Guilherme Correia.

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