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Cidades

Quando a voz falha, o corpo avisa: sinais ignorados podem esconder doenças

Uso excessivo da voz e hábitos diários estão entre os principais vilões

Por José Cândido | 15/04/2026 10:40
Quando a voz falha, o corpo avisa: sinais ignorados podem esconder doenças
Alterações na voz, muitas vezes ignoradas, podem ser sinais de problemas que vão desde inflamações simples até doenças mais graves. (Foto divulgação)

A voz é identidade, ferramenta de trabalho e ponte de comunicação. Ainda assim, costuma ser negligenciada — até falhar. No dia 16 de abril, quando se celebra o Dia Mundial da Voz, o alerta ganha força: mudanças aparentemente simples no timbre ou na forma de falar podem ser o primeiro sinal de que algo não vai bem.

RESUMO

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Alterações no timbre ou na forma de falar podem ser sintomas de problemas vocais sérios, como nódulos, pólipos e até câncer de laringe. Segundo fonoaudióloga do Humap-UFMS, hábitos como gritar, fumar e consumir álcool desgastam a voz. A prevenção passa por hidratação, sono e boa postura. Se a rouquidão persistir por mais de 15 dias, é recomendável buscar um especialista.

De acordo com a fonoaudióloga Vanessa Ponsano Giglio, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), as chamadas disfonias — alterações na qualidade vocal — estão entre os problemas mais comuns. E não se trata apenas de um incômodo passageiro.

“Os problemas podem ter causas variadas, desde laringites até lesões nas pregas vocais, como nódulos e pólipos. Também há casos mais graves, como paralisias e até tumores malignos, como o câncer de laringe”, explica.

Na prática, o que começa como uma rouquidão após um dia de esforço pode evoluir silenciosamente. E, muitas vezes, o estilo de vida é o principal gatilho.

Hábitos que desgastam a voz

Gritar, falar por longos períodos sem pausa, tentar “vencer” o barulho ao redor — tudo isso cobra um preço. Soma-se a isso o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e até problemas como refluxo, que irritam a laringe de forma contínua.

“A exposição à poluição, fumaça e produtos químicos também contribui para o problema”, reforça a especialista.

Em cidades em crescimento, como Campo Grande, onde o ritmo urbano se intensifica, esses fatores passam despercebidos na rotina — mas deixam marcas.

Prevenção começa no básico

Cuidar da voz não exige fórmulas complexas. Pelo contrário: passa por escolhas simples, muitas vezes ignoradas no dia a dia.

Hidratação adequada, alimentação equilibrada, sono de qualidade e prática regular de atividade física formam a base. Além disso, postura ao falar e respiração bem coordenada fazem diferença na preservação vocal.

Do outro lado, alguns hábitos merecem atenção redobrada:

  • falar em ambientes muito barulhentos
  • pigarrear com frequência
  • cantar sem preparo vocal
  • fumar

Pequenas atitudes, repetidas diariamente, podem ser a diferença entre uma voz saudável e um problema crônico.

A voz também envelhece

Assim como o corpo, a voz muda com o tempo. Desde os primeiros sons emitidos na infância até a fase adulta, há um desenvolvimento natural das estruturas responsáveis pela fala.

“Nos bebês, a laringe fica em posição mais alta, facilitando a amamentação. Já nos adultos, há maior desenvolvimento das estruturas, o que favorece a projeção vocal”, explica Giglio.

Com o envelhecimento, no entanto, surgem novas alterações. A perda de massa muscular e a menor mobilidade da laringe podem levar à chamada presbifonia — quando a voz se torna mais fraca, instável ou trêmula.

Quando procurar ajuda

Nem toda rouquidão é motivo de alarme imediato. Mas o tempo é decisivo.

A disfonia pode se manifestar de diferentes formas: voz áspera, soprosa, instável, além de sintomas como cansaço ao falar, tosse seca, dor ou pigarro constante.

O sinal de alerta é claro:
se a alteração persistir por mais de 15 dias, é hora de procurar um especialista.

“O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e preservação da voz”, orienta a fonoaudióloga.

No fim das contas, a voz não falha por acaso. Ela avisa — e, quando ignorada, cobra. Ouvir esses sinais pode ser o primeiro passo para manter não apenas a comunicação, mas a própria qualidade de vida.