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Cidades

Saúde proíbe antecipação de 2ª dose e prevê vacina a crianças sem comorbidade

Nota assinada por conselhos e Ministério da Saúde dispõe sobre intervalo entre doses e vacinação de crianças

Por Guilherme Correia | 28/07/2021 10:29
Jovem recebe vacina contra covid; somente imunizante da Pfizer pode ser aplicado em menores de 18 anos (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
Jovem recebe vacina contra covid; somente imunizante da Pfizer pode ser aplicado em menores de 18 anos (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

Órgãos gestores do SUS (Sistema Único de Saúde), responsável também pela vacinação contra a covid-19, reforçaram que não deve haver mais antecipação da segunda dose do imunizante e definiram quais critérios têm de ser cumpridos para que a vacinação de adolescentes sem comorbidades aconteça no Brasil.

Nota técnica assinada pelos conselhos de secretarias municipais e estaduais de Saúde de todo o País, além do próprio Ministério da Saúde, destaca que estados e municípios têm de seguir "rigorosamente" definições elencadas pelo governo federal no PNI (Plano Nacional de Imunizações) em relação aos intervalos de aplicação entre doses.

O texto sugere que entidades que não respeitarem tal medida estarão sob risco de "pena de responsabilidade futura".

Em meados de julho, Mato Grosso do Sul, por meio da SES (Secretaria Estadual de Saúde), já havia voltado atrás em relação a essa prática de antecipar período de aplicação do reforço do imunizante, priorizando o tempo definido pela pasta federal.

Apesar disso, municípios têm tido autonomia para definir tal mudança, como em Campo Grande, que permite nesta quarta-feira (28), por exemplo, que vacinados com primeira dose recebam a segunda em tempo menor do que o definido no PNI.

Conforme noticiado pelo Campo Grande News, a previsão é de que a partir de agosto isso seja revisto e que não haja mais antecipações, o que foi confirmado à reportagem hoje pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública).

VacinaComo é na CapitalComo deve ficar
Coronavac14 a 28 dias14 a 28 dias
PfizerCerca de 60 dias90 dias*
AstrazenecaCerca de 60 dias90 dias

Os imunizantes da Pfizer, cuja bula estabelece três semanas de intervalo, foram definidos com 90 dias de prazo entre doses pelo Ministério da Saúde como estratégia de alcançar mais pessoas com a primeira dose. Atualmente, setores técnicos da pasta avaliam reduzir prazo para 21 dias.

Por fim, segundo a nota recente do Ministério, quando todos os adultos estiverem vacinados com pelo menos o primeiro imunizante, "será analisada a redução do intervalo entre a primeira e a segunda dose, baseada, sempre, nas melhores evidências científicas, trazidas nas discussões da Câmara Técnica Assessora de Imunizações".

Vacinação de adolescentes - A nota elaborada pelo Ministério da Saúde, Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde) também elenca outros pontos a serem cumpridos pelos entes municipais e estaduais do País.

Entre outras medidas estão a já definida vacinação por faixa etária quando os grupos prioritários receberem ao menos uma dose e somente então a inclusão de adolescentes acima de 12 anos, priorizando os que têm comorbidades.

No Estado, a vacinação de crianças entre 12 e 17 anos já foi autorizada pela SES, em 18 de junho.

Posteriormente, o Cosems-MS (Conselho de Secretarias Municipais de Mato Grosso do Sul) pediu ao governo brasileiro permissão para vacinar com Pfizer e Coronavac indivíduos de três a 17 anos - o que foi negado pelo ente federal. Além disso, naquele momento, o titular da SES, Geraldo Resende, também entendia que essa vacinação teria de ser feita somente após os adultos receberem dose.

Isso foi até assunto de reunião do Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia), que define diretrizes estaduais do enfrentamento à covid-19, que chegou a avaliar possibilidade de aplicar esses antígenos nos menores de 18 anos, quando os adultos tivessem recebido pelo menos a primeira vacina.

Vacina contra a covid é aplicada em moradora de Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
Vacina contra a covid é aplicada em moradora de Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

Segundo a Sesau, ainda não há como prever a data para vacinação de adolescentes a partir de 12 anos de idade, uma vez que o município depende do envio de doses pelo Ministério da Saúde para dar seguimento à vacinação da população em geral.

Atualmente, segundo a pasta, a campanha está centrada no público através da faixa etária, visando a vacinação da população economicamente ativa, que é aquela que está sendo mais afetada, com o maior número de novos casos de covid-19 e internações pela doença.

Além disso, a SES também informa que aguarda definições do PNI para dispor sobre a imunização desse público.

Vale lembrar que segundo previsão feita pelo governo de Mato Grosso do Sul, estima-se que quase toda a população adulta esteja vacinada com pelo menos a primeira dose até o final de agosto.

Segundo dados do Vacinômetro, elaborado pelo governo estadual, Mato Grosso do Sul tem cerca de 727,6 mil pessoas com menos de 18 anos. Boa parte delas (de 12 a 17 anos) estará apta a se vacinar, a princípio apenas com doses da Pfizer, contra a covid.

Por fim, segundo o documento, foi reforçada também a "compensação gradual" de doses em lugares onde foram encaminhadas mais vacinas em determinado momento. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, com a realização de estudo imunológico na fronteira, os 13 municípios receberam maior quantitativo, que deverá ser "compensado" às outras cidades.

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