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Cidades

Sem colaboração, jeito é apostar em sorteios para lotar reuniões de condomínio

Com brindes e incentivo, adesão saiu de 13 para cerca de 80 participantes em treino voluntário contra incêndio

Por Inara Silva | 16/04/2026 08:35
Sem colaboração, jeito é apostar em sorteios para lotar reuniões de condomínio
Moradores em reunião da assembleia no condomînio. (Foto: Arquivo pessoal)

Em meio à dificuldade comum de reunir moradores para decisões e obrigações coletivas, uma síndica de Campo Grande encontrou uma saída inusitada ao premiar quem participa das reuniões. A estratégia, que inclui café da manhã, lanches e sorteio de brindes, fez a adesão às atividades do condomínio saltar de pouco mais de uma dezena de pessoas para cerca de 80 participantes.

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Para aumentar a adesão dos moradores em assembleias e treinamentos, uma síndica de Campo Grande implementou um sistema de incentivos que inclui cafés da manhã e sorteios de brindes. A estratégia elevou a participação de 17 para cerca de 80 pessoas, facilitando a renovação de licenças do corpo de bombeiros. Além de sortear o uso de áreas comuns, a gestão compra vouchers de moradores que são revendedores, estimulando a economia local e fortalecendo o senso de comunidade no condomínio.

A iniciativa é da síndica Weila Escobar, que administra um condomínio Parque Castelo de Verona, com 368 apartamentos distribuídos em 23 blocos, somando 1.724 moradores cadastrados. Segundo ela, a baixa participação sempre foi um entrave, especialmente em ações obrigatórias, como o curso de brigada de incêndio.

“Sem estímulo, as pessoas não vêm. Enxergam como obrigação da administração, quando na verdade é uma responsabilidade coletiva de quem vive em condomínio”, afirma.

A solução encontrada por ela, que atua profissionalmente como analista de cuidado ao cliente, foi aplicar conceitos comuns ao mundo corporativo com  reconhecimento e incentivo. “Se oferecemos algo em troca pelo tempo e dedicação, criamos um gatilho natural de atração. Mas o objetivo vai além do prêmio, é fomentar o senso de pertencimento”, explica.

Sem colaboração, jeito é apostar em sorteios para lotar reuniões de condomínio
Moradores durante treinamento da brigada de incêndio. (Foto: Arquivo pessoal)

Na prática, a estratégia é simples. Durante os convites para treinamentos e assembleias, a síndica oferece café da manhã ou lanche da tarde e realiza sorteios. Os prêmios variam desde aluguel de churrasqueira e salão de festas até vouchers de compra de marcas como Avon, Natura e Eudora, adquiridos de moradores que atuam como revendedores.

Segundo Weila, além de incentivar a participação, a medida também movimenta a economia interna. “O condomínio compra os vouchers dos próprios moradores. Isso faz com que eles se sintam parte do processo e ainda estimula o trabalho deles”, diz.

O resultado foi imediato. Antes, entre 13 e 17 moradores participavam anualmente do curso de brigada. No último ciclo, o número chegou a 78. “É um salto expressivo. Conseguimos renovar a licença junto ao Corpo de Bombeiros sem multa e sem precisar abrir novas turmas”, destaca.

A participação dos moradores também é estimulada em assembleias. A síndica utiliza formulários online para coletar sugestões e mantém canais abertos de comunicação. Sempre que possível, prioriza contratar serviços de profissionais que vivem no próprio condomínio.

“Tem pedreiro, engenheiro, eletricista, gente que trabalha com licenciamento ambiental. Eu tento reinvestir o dinheiro dentro da própria comunidade. Isso gera confiança e engajamento”, explica.

O modelo, no entanto, ainda é visto com resistência por parte de outros gestores. A própria síndica relata já ter sido chamada de “louca” por colegas. Ainda assim, desde que assumiu, em 2024, e com mandato até 2028, disse já ter recebido propostas para atuar como síndica profissional em outros empreendimentos.

Desafios - A dificuldade de mobilizar moradores não é exclusiva deste condomínio. O síndico profissional Rodrigo Borges, que atua desde 2018, relata que a baixa adesão é regra. Em um dos condomínios que administra, com 528 apartamentos, apenas 18 pessoas compareceram a uma assembleia realizada em abril, mesmo sendo uma reunião para prestação de contas e definição de orçamento.

“Depois surgem questionamentos no grupo de WhatsApp sobre decisões tomadas. Mas muitos não participaram da assembleia”, diz.

Segundo ele, a ideia de oferecer incentivos já foi discutida, mas não avançou. “Chegamos a propor sorteio de taxa condominial ou uso de espaços para quem comparecesse, mas não foi aprovado”, relata. Hoje, Borges afirma desconhecer outros casos semelhantes ao de Weila.

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