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Tattoo, piercing e idade: novas regras para doação de sangue já valem em MS

Algumas mudanças vão entrar em vigor a partir de 30 de setembro, segundo coordenação do Hemosul

Por Silvia Frias e Viviane Oliveira | 24/08/2026 10:47
Tattoo, piercing e idade: novas regras para doação de sangue já valem em MS
Sangue coletado é cadastrado por equipe do Hemosul (Foto: Juliano Almeida)

O Hemosul começa a adotar a partir de agora, em Mato Grosso do Sul, parte das novas regras para doação de sangue previstas na revisão da Portaria de Consolidação. Entre as principais mudanças antecipadas estão a redução do período de impedimento para quem fez tatuagem ou colocou piercing e a possibilidade de doadores frequentes continuarem doando depois dos 70 anos, desde que passem por avaliação médica.

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O Hemosul começa a adotar novas regras para doação de sangue em Mato Grosso do Sul, com destaque para a redução do impedimento para quem fez tatuagem ou piercing, que cai de um ano para sete dias com comprovação, e a permissão para doadores frequentes acima de 70 anos continuarem doando mediante avaliação médica. A meta é ampliar as doações diárias de 90 para 150.

Atualmente, a média é de aproximadamente 90 doações por dia, patamar considerado baixo. O volume já chegou a 110 diariamente, e a meta é atingir 150 doações por dia com as novas regras, o que representa um aumento de 36,4% em relação a esse patamar.

A previsão inicial era de que as alterações fossem implantadas até 30 de setembro, dentro do prazo de 90 dias estabelecido para adequação às novas normas. Segundo a coordenadora da Rede Hemosul, Marina Sawada Torres, porém, algumas das medidas já podem ser colocadas em prática.

A principal flexibilização envolve tatuagens, piercings e maquiagem definitiva. Antes, esses serviços poderiam impedir a doação por até um ano. Agora, o prazo pode cair para sete dias quando o doador conseguir comprovar as condições em que foram realizados. Sem essa comprovação, a restrição será de quatro meses. “É o que mais vai beneficiar os doadores e flexibilizar, na verdade”, afirma Marina.

Também passam a valer agora mudanças relacionadas a exames como endoscopia e colonoscopia. Nesses casos, o período de inaptidão, que antes era de seis meses, passa para quatro meses.

Para quadros de gripe sem febre, a alteração é ainda maior. O impedimento, que anteriormente chegava a 30 dias, passa a ser de três dias, desde que a pessoa não tenha apresentado febre.

Tattoo, piercing e idade: novas regras para doação de sangue já valem em MS
Coordenadora do Hemosul, Mariana Torres, fala das novas regras (Foto: Juliano Almeida)

Outra mudança alcança quem completa 70 anos. Até então, essa era a idade máxima para doação. Com a revisão da norma, doadores frequentes poderão continuar contribuindo mesmo depois dessa idade, desde que sejam avaliados por um médico do serviço de hemoterapia.

A idade mínima permanece em 16 anos, com acompanhamento do pai ou responsável legal. Para quem nunca doou antes, a primeira doação continua limitada aos 60 anos.

É justamente a nova possibilidade de ultrapassar a barreira dos 70 anos que permitirá a Domingos Paulo Sostis seguir fazendo algo que já faz parte de sua vida há mais de cinco décadas. Aos 70 anos, ele doa sangue há 52 anos, sendo cerca de 30 deles no Hemosul.

Domingos conta que começou depois que um colega precisou de sangue para uma criança recém-nascida e nunca mais parou. “É só gratidão. Fazer o bem e não olhar a quem nós devemos fazer. Graças a Deus, Ele me deu uma saúde que é difícil eu ter”, diz.

As novas regras também diminuem de um ano para quatro meses o período de impedimento relacionado a determinados comportamentos considerados de risco, como ter mais de um parceiro no período avaliado.

Tattoo, piercing e idade: novas regras para doação de sangue já valem em MS
Doador há 52 anos, Domingos diz que sente gratidão por poder ajudar o próximo (Foto: Juliano Almeida)

Cronograma - Nem todas as mudanças previstas na portaria, entretanto, serão aplicadas imediatamente. Conforme Marina, regras relacionadas a outras situações de inaptidão temporária, como uso de medicamentos e realização de cirurgias, deverão entrar em uma segunda etapa, até 30 de setembro.

A expectativa do Hemosul é de que a flexibilização amplie o número de pessoas aptas a doar sem comprometer a segurança transfusional. A rede tem cerca de 350 mil doadores cadastrados em Mato Grosso do Sul, mas apenas 45% são considerados ativos.

Atualmente, a média é de aproximadamente 90 doações por dia, patamar considerado baixo. O volume já chegou a 110 diariamente, e a meta é atingir 150 doações por dia com as novas regras.

“Nós acreditamos que, com a flexibilização, que não vai comprometer a segurança transfusional, teremos um número maior de doações aqui na Rede Hemosul”, afirma a coordenadora.

Marina lembra que os estoques dependem de reposição permanente porque o sangue não possui substituto e a demanda é diária. Por isso, a intenção é fazer com que pessoas que antes precisavam aguardar períodos mais longos saibam que podem estar novamente aptas em menos tempo.

O Hemosul também afirma ter buscado agilizar o atendimento para reduzir o tempo de permanência dos doadores entre cadastro, triagem, coleta e alimentação após o procedimento. Em condições normais, todo o processo leva entre 30 e 40 minutos, podendo demorar um pouco mais nos horários de maior movimento.

“É importante divulgar essas novas regras para que as pessoas se solidarizem e venham fazer a sua doação”, reforça Marina.

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