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Capital

Projeto quer reconhecer Tia Eva e Maria Carolina como cofundadoras da Capital

Proposta mantém José Antônio Pereira como fundador e amplia reconhecimento histórico da formação

Por Ângela Kempfer | 24/08/2026 15:27
Projeto quer reconhecer Tia Eva e Maria Carolina como cofundadoras da Capital
Busto da Tia Eva em frente a igrejinha na comunidade negra (Foto: arquivo)

Na semana em que Campo Grande completa 127 anos, um projeto apresentado na Câmara Municipal propõe reconhecer duas mulheres como cofundadoras da cidade: a esposa de José Antônio, Maria Carolina de Oliveira, e a criadora da comunidade negra mais antiga da cidade, Eva Maria de Jesus, a Tia Eva. A proposta não retira de José Antônio Pereira o reconhecimento como fundador da Capital.

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Projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Campo Grande propõe reconhecer Maria Carolina de Oliveira e Eva Maria de Jesus, a Tia Eva, como cofundadoras da cidade, que completa 127 anos. A proposta, da vereadora Luiza Ribeiro (PT), tem caráter declaratório e não retira de José Antônio Pereira o título de fundador. O texto ainda precisa passar pela tramitação legislativa antes de virar lei.

O Projeto de Lei Legislativo nº 12.528/2026 foi apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e tem caráter declaratório e histórico-cultural. Na prática, o texto pretende ampliar a memória oficial sobre a formação de Campo Grande, incluindo mulheres que participaram da construção social, territorial e cultural do município.

A proposta inicialmente utilizava a expressão “fundadoras e formadoras”, mas, após sugestões de vereadores, foi apresentada uma emenda para substituir o termo por “cofundadoras”. Com isso, o projeto passa a reconhecer Maria Carolina e Tia Eva ao lado de outras figuras já tradicionalmente associadas à fundação da cidade.

Segundo a autora, a mudança busca deixar claro que o objetivo não é apagar ou diminuir a trajetória de José Antônio Pereira, mas reconhecer que a formação de Campo Grande não ocorreu pela atuação de uma única pessoa.

“Não se trata de apagar uma história, mas de ampliar a nossa memória. Campo Grande foi construída por muitas mãos, e é fundamental que as mulheres que participaram desse processo também sejam reconhecidas”, afirmou Luiza Ribeiro.

Maria Carolina de Oliveira era esposa de José Antônio Pereira e participou do deslocamento e da instalação da família na região onde posteriormente se formaria o povoado que deu origem a Campo Grande.

Projeto quer reconhecer Tia Eva e Maria Carolina como cofundadoras da Capital
Maria Carolina ao lado do esposo e da filha em foto gerada por IA

A justificativa do projeto sustenta que a participação dela não deve ser tratada apenas como a de acompanhante do marido. O estabelecimento de uma família de forma permanente no local envolvia atividades relacionadas à organização doméstica, produção, trabalho e construção de vínculos com a comunidade.

A discussão ocorre na semana do aniversário de 127 anos da Capital, celebrado nesta quarta-feira, 26 de agosto.

Já Tia Eva chegou à então Vila de Campo Grande em 1905, décadas depois do início do povoamento associado a José Antônio Pereira. Mulher negra e ex-escravizada, Eva Maria de Jesus veio acompanhada de familiares e outras pessoas e se estabeleceu na região do Olho d’Água, próxima ao Córrego Segredo.

No local, formou um núcleo familiar e comunitário que posteriormente deu origem à Comunidade Quilombola Tia Eva, uma das referências históricas e culturais de Campo Grande.

A trajetória de Tia Eva já aparece em documentos oficiais relacionados ao patrimônio cultural da Capital. Projeto de restauração da Igreja de São Benedito e de requalificação do entorno registra sua contribuição para a formação histórica da cidade.

Em maio deste ano, a Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, Tia Eva, também recebeu reconhecimento nacional ao ser inscrita pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no Livro do Tombo dos Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas dos Antigos Quilombos.

A proposta apresentada na Câmara, porém, ainda precisa passar pela tramitação legislativa antes de virar lei.

Caso seja aprovada, a mudança terá efeito principalmente simbólico e histórico. O texto não altera direitos, limites territoriais ou aspectos administrativos do município. A intenção é modificar a forma como a história oficial de Campo Grande reconhece alguns de seus personagens.