ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
AGOSTO, SEGUNDA  24    CAMPO GRANDE 23º

Arquitetura

Pesquisa usa 229 casas de madeira para contar origem de cidade no interior

Levantamento da UFMS mostra que só 27 estão em ótimo estado e alerta para perda desse patrimônio

Por Ângela Kempfer | 24/08/2026 16:24
Pesquisa usa 229 casas de madeira para contar origem de cidade no interior
Imagens históricas são recuperadas com uso da Inteligência Artificial

As casas de madeira construídas durante a formação de Naviraí, principalmente nas décadas de 1960 e 1970, ainda fazem parte da paisagem da cidade, mas muitas já apresentam sinais de deterioração. Pesquisa desenvolvida pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) identificou 229 residências remanescentes e constatou que apenas 27 estão em estado considerado muito bom de conservação.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Pesquisa da UFMS mapeou 229 casas de madeira remanescentes em Naviraí (MS), construídas entre as décadas de 1960 e 1970, e constatou que apenas 27 estão em bom estado de conservação. Seis foram demolidas entre 2023 e 2026. O projeto utilizou inteligência artificial para restaurar fotografias históricas e registrar detalhes arquitetônicos. Segundo os pesquisadores, não existem políticas públicas voltadas à preservação desse patrimônio.

O projeto “Casas de madeira de Naviraí: ocorrências, conservação e memória” reúne professores e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS no município. O objetivo é mapear as construções, avaliar as condições de conservação e registrar a importância delas para a história urbana local.

A pesquisa surgiu a partir de levantamentos acadêmicos realizados em 2023 e 2025 e avançou diante da constatação de que parte desse patrimônio vem desaparecendo.

As casas são consideradas testemunhos do período de formação de Naviraí, marcado pelo ciclo da exploração madeireira. Fotografias históricas mostram que uma parcela significativa das primeiras edificações da cidade foi construída em madeira.

Além do valor histórico, essas construções apresentam características próprias, como soluções de adaptação ao clima, técnicas construtivas antigas e formas de organização dos espaços diferentes das adotadas nas edificações atuais.

Seis casas foram demolidas desde 2023

O levantamento atualizado identificou 229 residências de madeira ainda existentes. A estimativa inicial era de aproximadamente 240 imóveis.

O número atual já considera a demolição de seis casas entre 2023 e 2026.

Todas as edificações mapeadas estão concentradas no chamado octógono central de Naviraí, região correspondente ao núcleo original da cidade.

A distribuição dos imóveis indica que essa área já teve uma presença ainda maior de construções de madeira, muitas substituídas ao longo das décadas por imóveis de alvenaria.

Pesquisa usa 229 casas de madeira para contar origem de cidade no interior

Só 27 estão em estado muito bom

Depois do mapeamento, as casas passaram por avaliação técnica. Das 229 residências identificadas, 27 foram classificadas em estado muito bom de conservação. Outras 166 estão em condição intermediária e 36 apresentam estado ruim.

A análise considerou problemas como umidade, infiltrações, fungos, insetos, fissuras, deformações da madeira, condições de portas e janelas, proteção superficial, telhados, calhas e encaixes.

Os dados apontam para um processo de descaracterização e deterioração dessas construções. Segundo a pesquisa, atualmente não existem políticas públicas específicas voltadas à preservação desse conjunto de casas.

Inteligência artificial ajudou na pesquisa

O trabalho também utilizou ferramentas de IA (inteligência artificial).

A tecnologia foi empregada para restaurar fotografias históricas e melhorar a leitura de imagens atuais, principalmente em casos em que elementos dificultavam a observação de detalhes arquitetônicos.

A proposta, segundo os pesquisadores, não foi substituir os registros originais, mas facilitar a identificação de materiais, formas e características construtivas.

O projeto continua em andamento com a organização dos dados coletados, ampliação do acervo documental e busca por registros históricos junto à Fundação de Cultura de Naviraí.