Tonelada de "Monjauro paraguaio" segue em comboio para incineração na fronteira
Segundo órgãos de fiscalização, a carga reúne mais de 20 mil itens contrabandeados
Mais de uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos em Mato Grosso do Sul começou a ser levada para incineração nesta quinta-feira (18), em uma ação considerada inédita pela Vigilância Sanitária Estadual. O carregamento saiu de Campo Grande com destino a Dourados, escoltado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), e reúne produtos recolhidos entre fevereiro e junho durante a Operação Visa Protege.
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Mais de uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos no Mato Grosso do Sul começou a ser levada para incineração nesta quinta-feira (18). O carregamento saiu de Campo Grande com destino a Dourados, escoltado pela PRF, e reúne mais de 20 mil produtos recolhidos entre fevereiro e junho pela Operação Visa Protege, incluindo canetas emagrecedoras, anabolizantes e hormônios contrabandeados ou sem registro.
Entre os itens estão canetas emagrecedoras, anabolizantes, hormônios e outros medicamentos contrabandeados, sem registro ou comercializados de forma irregular. Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), mais de 20 mil produtos foram apreendidos ao longo da operação, volume que ultrapassa uma tonelada.
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Representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da SES e da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) acompanham o comboio. A destruição ocorrerá em uma empresa licenciada para esse tipo de procedimento ambiental.
Gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo explica que a maior parte dos produtos apreendidos tem origem na região de fronteira e era destinada à venda clandestina, principalmente pela internet. "O grande problema sanitário hoje não está mais no comércio físico. O grande problema é o comércio clandestino, o que acontece atrás das telas, nas redes sociais e nos marketplaces", afirmou.
Segundo ele, embora as canetas emagrecedoras tenham ganhado destaque recentemente, a preocupação vai além do emagrecimento rápido. O risco está na procedência desconhecida dos produtos, na falta de controle sobre armazenamento e transporte e no uso sem acompanhamento médico.
Representando a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), Serafim Branco afirmou que a entidade acompanha com preocupação o aumento da circulação de canetas emagrecedoras e outros medicamentos vendidos fora dos canais autorizados.
Segundo ele, um dos principais problemas está nos marketplaces não regulamentados, onde o consumidor não tem garantias sobre a origem, o armazenamento e o transporte dos produtos. "Você não sabe de onde esse produto veio, qual foi a acomodação dele e ele acaba chegando ao consumidor. Muitas vezes não produz o efeito esperado e pode até causar problemas à saúde", afirmou.
Serafim destacou ainda que o crescimento desse mercado paralelo tem mobilizado discussões entre o varejo farmacêutico e a indústria para ampliar mecanismos de rastreabilidade dos medicamentos. A proposta, segundo ele, é permitir maior controle sobre a circulação dos produtos sem necessariamente adotar as mesmas regras aplicadas aos medicamentos sujeitos a controle especial.
A Vigilância Sanitária afirma que a operação tem intensificado a fiscalização de encomendas que chegam pelos centros de distribuição dos Correios. Para Pirolo, o volume de apreensões registrado em apenas quatro meses demonstra o tamanho do mercado ilegal de medicamentos no Estado.
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