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Educação e Tecnologia

Influenciadores mirins deverão ter alvará judicial para atuar nas redes sociais

ECA Digital exige autorização da Justiça para crianças e adolescentes que ganham dinheiro na internet

Por Izabela Cavalcanti | 18/06/2026 11:05


RESUMO

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O Brasil passou a exigir alvará judicial para crianças e adolescentes que monetizam atividades nas redes sociais, conforme a Lei nº 15.211/2025, o ECA Digital. Desde junho, plataformas como o Instagram notificam usuários que devem apresentar o documento, sob risco de suspensão ou banimento. A advogada Camila Oliveira relata 15 a 20 atendimentos semanais sobre o tema. Um exemplo é Lorena Sanabria, 12 anos, que teve sua conta com 85 mil seguidores derrubada em abril.

A atuação de crianças e adolescentes como criadores de conteúdo nas redes sociais agora está sujeita a novas regras no Brasil. A legislação entrou em vigor em março deste ano e estabelece diretrizes para o uso de redes sociais, aplicativos, jogos, plataformas de vídeo e outros serviços online.

Entre as medidas, está a obrigatoriedade de autorização judicial para crianças e adolescentes que utilizam sua imagem com fins lucrativos na internet.

A exigência de alvará judicial para menores que monetizam suas atividades digitais faz parte da Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), e complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990).

A presença desse público no ambiente digital já se tornou comum. Conteúdos como trends, dancinhas e vídeos de maquiagem fazem parte da rotina de milhões de usuários mirins.

A advogada Camila dos Santos Oliveira, especialista em direito digital e proteção de dados, afirma que a procura por orientações sobre o tema cresceu significativamente. Segundo ela, desde março, são realizados entre 15 e 20 atendimentos semanais relacionados ao assunto.

“Eu atendo 15, 20 por semana. Estou atendendo muito neste mês de junho, que é quando o Instagram começou a exigir”, explicou.

De acordo com a especialista, a nova legislação impõe uma responsabilidade ativa às plataformas digitais.

“O ECA Digital traz para as plataformas uma obrigação proativa para impedir que esse direito seja desrespeitado e estabelece a obrigação de que todas as crianças que explorem sua imagem e monetizem tenham uma autorização judicial para que continuem a realizar suas atividades nas redes sociais. Cada plataforma tem sua regra”, completou.

Influenciadores mirins deverão ter alvará judicial para atuar nas redes sociais
Notificação recebida por outra mãe de influencer mirim de Campo Grande (Foto: Divulgação)

Ela também aponta que o crescimento do número de crianças nas redes sociais contribuiu para a criação da norma.

“Tivemos um aumento do número de crianças no ambiente digital em nível mundial. Elas foram para o TikTok, YouTube, Instagram, e começou a ter os problemas que naturalmente surge dessas pessoas nesses ambientes”.

Além dos responsáveis legais, empresas que utilizam a imagem de menores também deverão se adequar à legislação.

“Estamos falando dos usuários, mas também das empresas. Uma loja que explora a imagem de uma criança, por exemplo, também terá que buscar o alvará”, ressalta.

Desde quarta-feira (17), o Instagram passou a notificar usuários que se enquadram nessas regras para apresentação do alvará judicial. Caso o documento não seja apresentado dentro do prazo, a conta pode ser suspensa ou até banida.

A recomendação da advogada é que responsáveis por crianças que utilizam as redes com frequência busquem a regularização o quanto antes.

Um caso recente em Campo Grande ilustra os impactos da nova exigência. A empresária Cintia Sanabria, mãe da criadora de conteúdo Lorena Sanabria, de 12 anos, relata que a conta da filha, que tinha 85 mil seguidores, foi derrubada no dia 17 de abril.

Segundo ela, o processo para obtenção do alvará já havia sido iniciado em março, antes da queda do perfil.

“Como ela estava crescendo muito no Instagram, eu queria me adequar. A gente ainda não sabe por que caiu, porque ela não teve nenhum tipo de notificação”, pontuou.

Cintia afirma que, no dia em que a conta saiu do ar, dois vídeos de Lorena haviam viralizado, um sobre Campo Grande e outro ensinando a fazer tranças.

A pré-adolescente produz conteúdos simulando a apresentação de um telejornal e já realizou entrevistas com personalidades como Celso Portiolli e Edu Guedes.

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