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Cidades

Trabalhadores dos Correios voltam, mas ameaçam parar de novo

Das 79 cláusulas, trabalhadores perderam 50, a maioria atinge em cheio às mães como auxílios creche e para filhos com deficiência

Por Paula Maciulevicius Brasil e Bruna Marques | 22/09/2020 10:44
Depois de julgamento de dissídio, trabalhadores voltaram às atividades no chamado "Estado de greve". (Foto: Henrique Kawaminami)
Depois de julgamento de dissídio, trabalhadores voltaram às atividades no chamado "Estado de greve". (Foto: Henrique Kawaminami)

Depois da audiência no TST (Tribunal Superior do Trabalho) que julgou o dissídio coletivo dos funcionários dos Correios e suspendeu a greve que já durava mais de 30 dias, os trabalhadores voltaram às atividades, mas podem parar a qualquer momento. O chamado "estado de greve", segundo o sindicato que representa a categoria, foi decidido em assembleia. No julgamento, o TST determinou que os funcionários voltassem hoje sob pena de multa diária de R$ 100 mil às entidades representativas, em caso de descumprimento.

A paralisação alcançou 34 municípios e 70% dos trabalhadores, conforme o Sindicato. Nesta manhã, o Campo Grande News passou por agências dos Correios do Centro e o trabalho estava normalizado. A Superintendência dos Correios em MS foi questionada quanto ao percentual de volta e como estão as entregas, mas até o momento não obteve resposta.

"Mantemos o estado de greve, conforme deliberação, podemos decretar greve a qualquer momento, pois tivemos muitas perdas neste julgamento", fala a presidente do Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de MS), Elaine Regina de Souza Oliveira.

Serviço estava normalizado nas agências do Centro nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)
Serviço estava normalizado nas agências do Centro nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)

Elaine mesmo está nos Correios há 18 anos e avalia que o julgamento retirou direitos conquistados há décadas. Das 79 cláusulas, os trabalhadores perderam 50 delas.

"A ministra relatora do TST, Kátia Arruda propôs a manutenção das cláusulas históricas, mas foi voto vencido, foram excluídas praticamente todas com teor econômico", diz.

O sindicato resume como cláusulas principais perdidas a da categoria não poder realizar reuniões setoriais no local de trabalho, "o que não gerava ônus nenhum para a empresa", pontua Elaine, além de auxílio creche e reembolso babá e auxílio para dependentes com deficiência física.

"Perdemos desde cláusulas que davam livre acesso ao sindicato, ao realizar reuniões setoriais, até reembolso para mulheres que têm filhos com menos de 7 anos, que pagavam um valor e tinham o reembolso mediante apresentação de toda a documentação", enfatiza Elaine.

Os dois auxílios atingem em cheio as mulheres. "Afeta principalmente as mães, porque por mais que não deveria ser função exclusiva nossa, acaba que boa parte das mães ficam com essa responsabilidade", diz a presidente.

O reembolso de babá e auxílio creche eram pagos somente às mulheres trabalhadoras. "Os homens a gente ainda não tinha conseguido e agora nem vai mais conseguir incluir", lamenta Elaine.

Outra grande perda na concepção do sindicato é quanto ao auxílio para dependentes com deficiência física. "Não era um dinheiro que os Correios davam e a pessoa fazia o que queria, era preciso comprovar o tipo de tratamento que essa criança precisava fazer, os pais pagavam um valor e tinham parte do reembolso. Quando você vai pegar alguém que nunca fez tratamento é diferente, neste caso os filhos já estão num processo de tratamento há mais de 10 anos. Vai ser um prejuízo muito grande", comenta Elaine.

Greve pode voltar a qualquer momento, diz Sindicato. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)
Greve pode voltar a qualquer momento, diz Sindicato. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

Correios - Em nota, os Correios falam que Tribunal do Superior do Trabalho decidiu que manterá as cláusulas propostas pela empresa, entre elas vale alimentação/refeição e determinou também a correção salarial em 2,6%.

Sobre os dias parados, foi decidido que metade do período será descontado em folha e a outra metade será compensada, a fim de beneficiar a sociedade, normalizando o mais rápido possível a entrega de cartas e encomendas.

"Os Correios seguem executando o plano de continuidade do negócio, com a realização de mutirões de entrega, inclusive em fins de semana e feriados, com o objetivo de reduzir os efeitos da paralisação parcial dos empregados à população".

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