ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
ABRIL, SEXTA  17    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Advogado bêbado que atropelou casal matou empresária em acidente há 18 anos

Caso aconteceu na época de Carnaval; João Paulo Cestari Grotti saiu do local antes da Polícia Militar

Por Clara Farias | 17/04/2026 07:00
Advogado bêbado que atropelou casal matou empresária em acidente há 18 anos
Thereza Lopes da Cruz, durante o natal de 2007 (Foto: Arquivo Pessoal)

O advogado João Paulo Cestari Grotti, de 37 anos, que atropelou um casal na tarde de terça-feira (15), na Rua Antônio Maria Coelho, enquanto estava alcoolizado ao volante, bateu em um Honda Fit na Quarta-feira de Cinzas, em 6 de fevereiro de 2008, e causou a morte da empresária Thereza Lopes da Cruz, de 69 anos. O caso, apesar de antigo, voltou à tona após o advogado ter sido liberado durante audiência de custódia mediante o pagamento de fiança de R$ 32 mil.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Advogado João Paulo Cestari Grotti, de 37 anos, preso por atropelar um casal embriagado em Campo Grande, já havia causado a morte de Thereza Lopes da Cruz, de 69 anos, em 2008, também alcoolizado. Familiares relatam sentimento de impunidade, pois o processo criminal não foi adiante. Após o novo caso, ele foi liberado em audiência de custódia mediante fiança de R$ 32 mil.

Ao Campo Grande News, familiares detalharam os momentos de sofrimento após o acidente que vitimou Thereza há 18 anos e o sentimento de impunidade, que perdura até hoje. O empresário Gilberto Lopes Cruz, de 63 anos, filho de Thereza, relata que foi o primeiro a chegar ao local do acidente, na Rua Pedro Celestino, esquina com a Rua Maracaju, por volta das 12h daquela quarta-feira.

"O cidadão estava totalmente embriagado quando atravessou o sinal vermelho. Há depoimentos de outras pessoas que também atravessaram o sinal junto com ela. Ela era a primeira da fila quando ele bateu. A colisão foi muito forte, houve rompimento de fígado, baço e outras partes internas", detalhou Gilberto.

Gilberto relata que uma testemunha que seguia pela rua no momento do acidente ligou para ele pelo celular da mãe, pedindo para que fosse até o local. "Ela ainda estava viva no momento da batida. Eu cheguei antes da ambulância, consegui tirá-la de dentro do carro e depois ela veio a falecer no hospital", descreveu o filho.

Ainda segundo ele, João conduzia um Volkswagen Jetta no momento do acidente e saiu do local antes mesmo da chegada da Polícia Militar, deixando apenas o veículo. "O pai dele chegou ao local e o tirou de lá, mesmo bêbado. Eu fui socorrer a minha mãe. Registramos boletim de ocorrência e eu contratei um advogado para mover o processo criminal contra o condutor, mas soube dois anos depois que não foi levado adiante", lembrou Gilberto.

Advogado bêbado que atropelou casal matou empresária em acidente há 18 anos
Thereza, à esquerda, durante uma viagem com amigas (Foto: Arquivo Pessoal)

Na época do ocorrido, João tinha 19 anos e, como o carro ficou no local do acidente, o boletim de ocorrência foi registrado pela família. Horas depois, Thereza morreu na Santa Casa de Campo Grande. Na certidão de óbito consta que a causa da morte foi hemorragia interna, traumatismo toracoabdominal, ação contundente e acidente de trânsito.

Thereza deixou 4 filhos na época e uma empresa de sucesso nos ramos agropecuários, de materiais de construção e de mármore.

A filha, Rosangela Lopes Cruz Braga, relata que, no dia do acidente, chegou ao local junto com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). "Ela estava com hemorragia, mas conversava e sentia muita dor [...] Nós lutamos muito para que fosse feita justiça contra esse indivíduo. Infelizmente, uma pessoa que não tem consciência de beber e sair dirigindo não pode continuar tendo livre acesso para se locomover. Precisa se tratar primeiro", afirmou.

Caso recente - Ao final da tarde de terça-feira (15), um casal foi atropelado por João, que seguia pela Rua Antônio Maria Coelho quando acessou a Rua Nortelândia na contramão. As vítimas foram socorridas com ferimentos. O piloto da motocicleta teve fratura na perna, sinais de convulsão e suspeita de traumatismo. Já a passageira sofreu fratura no pulso e escoriações.

Testemunhas relataram que o condutor apresentava sinais visíveis de embriaguez, estava cambaleando e tentou fugir após a batida, sendo contido até a chegada da polícia. Ele foi preso e encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Tiradentes, onde ficou sob escolta policial. Dentro do veículo que conduzia, uma Tiggo 8 Pro, foram encontradas 11 garrafas de cerveja e uma ice fechadas, além de pelo menos duas garrafas já consumidas e vazias.

Durante a audiência de custódia, realizada no dia seguinte, o advogado teve a liberdade concedida após pagar fiança de R$ 32.412, teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa e foi proibido de se ausentar da residência por mais de oito dias. Ao Campo Grande News, o advogado que integra a defesa de João afirmou, na quarta-feira (15), que o autor se comprometeu a realizar tratamento para o alcoolismo.

A reportagem tentou contato com João Paulo e com a defesa, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.