Advogado bêbado que atropelou casal matou empresária em acidente há 18 anos
Caso aconteceu na época de Carnaval; João Paulo Cestari Grotti saiu do local antes da Polícia Militar
O advogado João Paulo Cestari Grotti, de 37 anos, que atropelou um casal na tarde de terça-feira (15), na Rua Antônio Maria Coelho, enquanto estava alcoolizado ao volante, bateu em um Honda Fit na Quarta-feira de Cinzas, em 6 de fevereiro de 2008, e causou a morte da empresária Thereza Lopes da Cruz, de 69 anos. O caso, apesar de antigo, voltou à tona após o advogado ter sido liberado durante audiência de custódia mediante o pagamento de fiança de R$ 32 mil.
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Advogado João Paulo Cestari Grotti, de 37 anos, preso por atropelar um casal embriagado em Campo Grande, já havia causado a morte de Thereza Lopes da Cruz, de 69 anos, em 2008, também alcoolizado. Familiares relatam sentimento de impunidade, pois o processo criminal não foi adiante. Após o novo caso, ele foi liberado em audiência de custódia mediante fiança de R$ 32 mil.
Ao Campo Grande News, familiares detalharam os momentos de sofrimento após o acidente que vitimou Thereza há 18 anos e o sentimento de impunidade, que perdura até hoje. O empresário Gilberto Lopes Cruz, de 63 anos, filho de Thereza, relata que foi o primeiro a chegar ao local do acidente, na Rua Pedro Celestino, esquina com a Rua Maracaju, por volta das 12h daquela quarta-feira.
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"O cidadão estava totalmente embriagado quando atravessou o sinal vermelho. Há depoimentos de outras pessoas que também atravessaram o sinal junto com ela. Ela era a primeira da fila quando ele bateu. A colisão foi muito forte, houve rompimento de fígado, baço e outras partes internas", detalhou Gilberto.
Gilberto relata que uma testemunha que seguia pela rua no momento do acidente ligou para ele pelo celular da mãe, pedindo para que fosse até o local. "Ela ainda estava viva no momento da batida. Eu cheguei antes da ambulância, consegui tirá-la de dentro do carro e depois ela veio a falecer no hospital", descreveu o filho.
Ainda segundo ele, João conduzia um Volkswagen Jetta no momento do acidente e saiu do local antes mesmo da chegada da Polícia Militar, deixando apenas o veículo. "O pai dele chegou ao local e o tirou de lá, mesmo bêbado. Eu fui socorrer a minha mãe. Registramos boletim de ocorrência e eu contratei um advogado para mover o processo criminal contra o condutor, mas soube dois anos depois que não foi levado adiante", lembrou Gilberto.
Na época do ocorrido, João tinha 19 anos e, como o carro ficou no local do acidente, o boletim de ocorrência foi registrado pela família. Horas depois, Thereza morreu na Santa Casa de Campo Grande. Na certidão de óbito consta que a causa da morte foi hemorragia interna, traumatismo toracoabdominal, ação contundente e acidente de trânsito.
Thereza deixou 4 filhos na época e uma empresa de sucesso nos ramos agropecuários, de materiais de construção e de mármore.
A filha, Rosangela Lopes Cruz Braga, relata que, no dia do acidente, chegou ao local junto com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). "Ela estava com hemorragia, mas conversava e sentia muita dor [...] Nós lutamos muito para que fosse feita justiça contra esse indivíduo. Infelizmente, uma pessoa que não tem consciência de beber e sair dirigindo não pode continuar tendo livre acesso para se locomover. Precisa se tratar primeiro", afirmou.
Caso recente - Ao final da tarde de terça-feira (15), um casal foi atropelado por João, que seguia pela Rua Antônio Maria Coelho quando acessou a Rua Nortelândia na contramão. As vítimas foram socorridas com ferimentos. O piloto da motocicleta teve fratura na perna, sinais de convulsão e suspeita de traumatismo. Já a passageira sofreu fratura no pulso e escoriações.
Testemunhas relataram que o condutor apresentava sinais visíveis de embriaguez, estava cambaleando e tentou fugir após a batida, sendo contido até a chegada da polícia. Ele foi preso e encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Tiradentes, onde ficou sob escolta policial. Dentro do veículo que conduzia, uma Tiggo 8 Pro, foram encontradas 11 garrafas de cerveja e uma ice fechadas, além de pelo menos duas garrafas já consumidas e vazias.
Durante a audiência de custódia, realizada no dia seguinte, o advogado teve a liberdade concedida após pagar fiança de R$ 32.412, teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa e foi proibido de se ausentar da residência por mais de oito dias. Ao Campo Grande News, o advogado que integra a defesa de João afirmou, na quarta-feira (15), que o autor se comprometeu a realizar tratamento para o alcoolismo.
A reportagem tentou contato com João Paulo e com a defesa, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.



