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Capital

Apesar de cada vez mais movimentados, feirões não cobrem gastos da AACC

Só a casa de apoio, um dos principais braços da entidade, custa cerca de R$ 400 mil por mês

Por Cassia Modena e Geniffer Valeriano | 07/04/2026 08:39
Apesar de cada vez mais movimentados, feirões não cobrem gastos da AACC
Pessoas esperando do lado de fora o início do "Feirão do Cincão" (Foto: Geniffer Valeriano)

Entidade que mais tem realizado feirões daqueles que dobram quarteirões em Campo Grande, a AACC/MS (Associação dos Amigos da Criança com Câncer no Estado) recorre cada vez mais a esse tipo de evento para se manter, mas não depende apenas dele.

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A AACC/MS realiza mais uma edição do Feirão do Cincão em Campo Grande, vendendo roupas, sapatos e eletrônicos usados para custear sua casa de apoio, que atende crianças com câncer e suas famílias. Os gastos mensais chegam a R$ 400 mil, cobrindo transporte, alimentação e exames. Em 2024, a entidade atendeu 323 pacientes e serviu mais de 31 mil refeições. O evento ocorre até amanhã na Avenida Ernesto Geisel, 3475.

Em entrevista dada antes de mais um "Feirão do Cincão" começar, na manhã desta terça-feira (7), a diretora de voluntariado, Auxiliadora Freire, explicou que as vendas registram crescimento a cada edição, porém, ainda não dão conta de cobrir todos os custos da casa de apoio que acolhe pacientes e familiares, um dos braços mais importantes da Associação.

"Quando não se mantêm na média, as vendas crescem 10% a cada feirão. Depende da quantidade de produtos ofertados", relata.

Apesar de cada vez mais movimentados, feirões não cobrem gastos da AACC
Diiretora de voluntariado, Auxiliadora Freire fala sobre os feirões e a casa de apoio (Foto: Geniffer Valeriano)

No feirão de hoje, são vendidos roupas, sapatos, eletrodomésticos e eletrodomésticos usados, em bom estado. Outras edições também são realizadas com produtos contrabandeados que são apreendidos e depois doados pela Receita Federal à AACC. Eles já incluem aparelhos celulares, perfumes importados, brinquedos e outros, todos novos.

Ainda segundo a diretora, a casa de apoio custa cerca de R$ 400 mil mensais e o arrecadado representa uma ajuda importante, mas é insuficiente.

"Tudo isso que a gente vende, que o povo campo-grandense nos doa, é para a casa de apoio. Hoje nós temos um gasto de R$ 400 mil por mês com transporte, alimentação, remédios, nutrição e exames que o SUS (Sistema Único de Saúde) algumas vezes não cobre. Nós cobrimos porque o câncer, quanto mais cedo for diagnosticado, mais cedo vem a cura. A gente corre contra o tempo quando uma criança chega para nós", ela detalha.

Apesar de cada vez mais movimentados, feirões não cobrem gastos da AACC
Alguns dos produtos à venda no feirão de hoje (Foto: Geniffer Valeriano)

Auxiliadora não soube dizer e o site da AACC também não mostra o balanço de quanto a AACC arrecada com as vendas nos feirões. Os valores repassados diretamente por doadores também não estão disponíveis.

Os produtos vendidos no "Feirão do Cincão" são coletados em caixas deixadas em condomínios, lojas e academias, por exemplo. Além das vendas, a arrecadação é composta por doações do imposto de renda, doações mensais voluntárias e repasses públicos.

Quem aproveita - Eduardo Vinicius, 34, é vigilante. Primeiro da fila, chegou às 0h para comprar itens pessoais. "Vim olhar roupas, eletrônicos, coisas para mim", disse. A mãe dele, Ray da Silva, 55, chegou depois para acompanhá-lo e fazer compras também.

Apesar de cada vez mais movimentados, feirões não cobrem gastos da AACC
Gente aproveitando os primeiros minutos do feirão (Foto: Geniffer Valeriano)

A fila estava pequena quando a reportagem chegou ao local, por volta das 6h40. A idosa Zelina Santos, 75, chegou uma hora antes e ficou numa boa posição na espera. Seu objetivo é dar "uma olhadinha". Ela se surpreendeu com a tranquilidade. "Sempre tem muita gente", disse.

O feirão abre às 8h, fecha às 17h e recomeça amanhã (8), no mesmo horário. O endereço é Avenida Ernesto Geisel, 3475, Bairro Orpheu Bais.

Atividades - Segundo relatório disponível no site da AACC/MS, no ano passado, 323 crianças e adolescentes foram atendidos. Os números destacam:

  • 17.910 procedimentos profissionais;
  • 677 internações;
  • 1.525 cestas básicas entregues;
  • 31.676 refeições servidas para pacientes e acompanhantes;
  • e 6.346 hospedagens de apoio.

O documento também anuncia que em 2026, a casa de apoio passará por reforma com investimento previsto em mais de R$ 3,5 milhões.


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