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Em Pauta

Pelos rios nossa história viajava. Não havia estradas terrestres

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 09/07/2026 07:00
Pelos rios nossa história viajava. Não havia estradas terrestres

Esqueçam dessa lorota de Peabiru, não passa de lenda, nunca existiu uma estrada terrestre que ligasse o litoral paulista, passando pelo Mato Grosso do Sul, chegando em algum lugar dos Andes dominados pelos incas. As viagens sempre foram feitas pelos dois grandes rios que nos limitam - Paraguai e Paraná -, usando seus afluentes para menores distâncias. Nossa história escrita, e corretamente documentada, começa com o espanhol Cabeza de Vaca, que navega pelo rio Paraguai, de Assunção até algum lugar entre P.Murtinho e Corumbá, no século XVI.


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A primeira estrada terrestre.

Após longos séculos, termina o tempo das viagens aquáticas. Manoel da Costa Lima, um fazendeiro dos Campos de Vacaria - grosseiramente a região de Dourados - que constrói nossa primeira estrada, via aberta em 1.903, ligando Campo Grande a Bataguassu. Nesse intervalo de quatro séculos, os brancos e indígenas viajavam pelos rios e por trilhas


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Os monçoeiros paulistas: entre rios e trilhas.

Após muito tempo, cem anos depois dos espanhóis, chegaram os paulistas no Mato Grosso do Sul. A viagem era feita pelo rio Paraná, partindo de Porto Feliz, em S.Paulo, em batelões, chegando na região da atual Três Lagoas. Caminhavam por trilhas variadas até o Rio Pardo. Em outro barco, viajavam até algum ponto ainda distante da fazenda Camapuã, próxima a atual cidade de mesmo nome. Os quilômetros que distavam até essa fazenda era percorrido a pé, com o barco puxados por bois ou, para os mais pobres, na força dos braços.


Pelos rios nossa história viajava. Não havia estradas terrestres

O sul-mato-grossense viajava para o litoral carioca.

Difícil de acreditar devido à imensidão do percurso. Todavia, o sul-mato-grossense empreendia uma viagem da fazenda ou povoado onde morava até Corumbá. Dessa então maior cidade da região, tomava um navio que chegava em Montevidéu, no Uruguai. Tinha de comprar passagem em outro navio que o levasse até o Rio de Janeiro. Era uma viagem cara que poucos faziam. Também de Corumbá partiam inúmeros barcos, médios e pequenos, para realizar comércio com Miranda e Coxim e delas, irradiando pelos afluentes, para lugares ainda mais distantes.


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As trocas “legais” entre o MS e Concepción.

Diferente dos pantaneiros, a população que passou a povoar a região de Dourados - Campos de Vacaria - tomava um caminho um tanto distinto. As trocais “legais” se davam por trilhas ou através do Rio Paraguai. Partiam de algum lugar dessa região até o Paraguai para realizar permutas sem intervenção de moedas. Os sul-mato-grossenses levando gado e trocando principalmente por arame farpado e sal.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.