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Capital

Estancar sangria da Santa Casa pode incluir venda do antigo Colégio Oswaldo Cruz

Por falta de recursos, as obras no imóvel ocorrem há pelo menos dez anos sem nunca terem sido finalizadas

Por Lucia Morel | 06/11/2026 12:13
Estancar sangria da Santa Casa pode incluir venda do antigo Colégio Oswaldo Cruz
Lotação na Santa Casa em julho, problema crônico que causa sobrecarga dos profissionais. (Foto/Divulgação)

A venda de ativos da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) é uma das alternativas previstas para que o maior hospital de Mato Grosso do Sul consiga diminuir a dívida, que hoje chega a R$ 800 milhões. O Campo Grande News acompanha a situação e, entre as diversas opções para que a unidade de saúde continue atendendo a população, também está a decretação de recuperação judicial, como a reportagem mostrou aqui.

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A venda de ativos da Associação Beneficente de Campo Grande, como o prédio tombado do antigo Colégio Oswaldo Cruz, é uma das hipóteses para reduzir a dívida de R$ 800 milhões da Santa Casa. O juiz Eduardo Trevisan afirmou que nada está confirmado. Outra opção é a recuperação judicial, que poderia alongar pagamentos por até 20 anos. O administrador judicial, Luiz Alberto Kanamura, reduziu leitos e suspendeu serviços, e uma perícia contábil analisa os débitos do hospital.

Nas últimas semanas, outra possibilidade aventada é que imóveis pertencentes à associação sejam vendidos, como o prédio do antigo Colégio Oswaldo Cruz, onde o hospital pretende abrir a faculdade da Escola de Saúde da Santa Casa. O local é tombado como patrimônio de Campo Grande.

Por falta de recursos, as obras no imóvel ocorrem há pelo menos dez anos sem nunca terem sido finalizadas. O caso é acompanhado em ação judicial ajuizada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e, em maio deste ano, o então diretor da Escola de Saúde, Fábio Edir dos Santos Costa, chegou a afirmar que o espaço começaria a funcionar este ano. Ele saiu do cargo em setembro deste ano.

Responsável por processos cíveis que acompanham a situação financeira do hospital, o juiz Eduardo Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, afirma que a possibilidade de venda de ativos foi levantada como uma das ideias para tentar pagar as dívidas do hospital, mas não há nada confirmado.

“Estamos em uma fase de hipóteses e muitas são aventadas, mas ainda não há nada de concreto, é uma possibilidade a ser discutida”, comentou.

Na semana passada, em entrevista ao Campo Grande News, ele destacou que outra opção é decretar a recuperação judicial da Santa Casa, o que depende também de outras definições. Conforme Trevisan, o hospital poderia recorrer ao mecanismo para renegociar o passivo e alongar os pagamentos por até 20 anos.

A gestão do hospital é marcada pelo agravamento contínuo de passivos milionários, intervenções judiciais, impasses contratuais e paralisação gradual de serviços essenciais à população sul-mato-grossense.

Em setembro deste ano, a Operação Antidotum prendeu dirigentes, entre eles a ex-presidente, Alir Terra Lima. Por decisão judicial, o médico Luiz Alberto Kanamura assumiu a administração do hospital, que ainda espera a assinatura de um novo contrato de contratualização no valor de R$ 39 milhões mensais.

Apesar desse incremento, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul alertou que o valor ainda não é suficiente para zerar o déficit operacional contínuo, estimando que a instituição continuará operando no vermelho devido ao montante de débitos acumulados.

Em meados de outubro, Kanamura anunciou mais reduções de leitos e suspensão de especialidades, que já alcançou os atendimentos a crianças com problemas cardíacos. O setor de cirurgia de coração pediátrica encerrou as atividades tanto para casos eletivos quanto de urgência e emergência. Outras cirurgias eletivas também estão suspensas.

Médicos e fornecedores - Com débitos que superam R$ 40 milhões em honorários médicos e atrasos recorrentes no pagamento de prestadores, serviços cruciais correm risco diário de interrupção. A categoria de anestesistas, que acumulava meses de atrasos nos recebimentos, manteve o atendimento sob constantes negociações para conter a paralisação total das cirurgias.

Para assegurar o cumprimento de metas e a sobrevivência do hospital, o juiz Eduardo Trevisan expandiu as atribuições do administrador judicial nomeado, o doutor Kanamura, concedendo autonomia de gestão para renegociar contratos, enxugar despesas de pessoal e reestruturar o patrimônio da ABCG.

Uma perícia contábil aprofundada, conduzida pela consultoria GRC Vista, analisa débitos acumulados desde junho de 2021 e a destinação de empréstimos bancários que superam R$ 200 milhões, passo considerado decisivo para fundamentar os próximos rumos judiciais da instituição.

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