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Capital

Após 4 anos, família de jovem morto por PM aguarda sentença fora de júri

Gésus Fernandes de Oliveira atirou no adolescente durante uma confusão em frente a casa de show

Por Geisy Garnes e Cristiano Arruda | 14/09/2021 09:01
Família de Luiz em frente ao Fórum de Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf)
Família de Luiz em frente ao Fórum de Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf)

Foram mais de quatro anos de espera até o julgamento do assassino de Luiz da Silva Souza Júnior, baleado aos 17 anos em uma casa do show, em Campo Grande. Em busca de justiça, a família se reuniu em frente a porta giratória que dá acesso ao plenário do Tribunal do Júri, antes mesmo das 8 horas desta terça-feira (14), mas ali mesmo, receberam a notícia de que não poderiam acompanhar o desfecho do crime que mudou a vida de todos.

É que desde a morte de Luiz, ferido a tiro pelo policial militar Gésus Fernandes de Oliveira, a família não é mais a mesma, conta a irmã do adolescente, Jéssica Samantha Bastos, de 30 anos. O pai entrou em depressão e sofre de ansiedade. A mãe, renal crônica, também sucumbiu a tristeza. Ao longo dos anos, os dois vivem de remédios e resta às filhas ampará-los.

Jéssica, irmã de Luiz, pede a condenação máxima para o réu. (Foto: Marcos Maluf)
Jéssica, irmã de Luiz, pede a condenação máxima para o réu. (Foto: Marcos Maluf)

O julgamento desta manhã, afirma, é a esperança de justiça por um crime que para eles, ainda não tem explicação. “Tiraram a vida do meu irmão e a gente ainda não consegue entender o porquê”.

Segundo a advogado da família, em júri popular, a acusação vai defender a tese de homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima, que tem pena de 12 a 30 anos de reclusão. “Ele atirou pelas costas do menino, que sequer pode se defender”. Com a condenação, a família espera que a sentença seja pela pena máxima.

“A pena precisa ser justa, porque tiraram a vida do meu irmão. Ele não era nenhum criminoso, era a segunda vez que saia sozinho e para um evento perto de casa”, lembra Jéssica.

Enquanto isso, a defesa de Gésus Fernandes, feita pelo advogado Amilton Ferreira de Almeida, alega que o policial militar agiu em legítima defesa, que o adolescente estava armado e agiu em comprimento do seu dever legal ao tentar conter a confusão que acontecia do lado de fora da casa de show na Chácara da República. “Vamos insistir na tese de legitima defesa, meu cliente afirma que atirou para se defender”.

Mais uma vez, a família rebate a versão do policial. “Meu irmão não estava armado, nunca andou com arma e nem sabia atirar”. Luiz foi morto em 10 de junho de 2017, por volta de 02h30, com um tiro fatal na nuca.

O julgamento, que acontece na 1ª Vara do Tribunal do Júri, não terá plateia. Mas mesmo assim, os dez parentes de Luiz pretendem ficar em frente ao fórum até que a sentença de Gésus Fernandes de Oliveira seja lida pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida.

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