Após suspensão, licitação de R$ 188,5 milhões para asfalto da Capital é liberada
Prefeitura apresentou esclarecimentos e documentos que levaram à retomada dos 4 lotes suspensos
O TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) liberou o andamento dos quatro lotes que estavam suspensos na licitação de R$ 188,5 milhões da Prefeitura de Campo Grande para obras de pavimentação e drenagem em diversos bairros. A decisão do conselheiro Osmar Domingues Jeronymo foi publicada nesta quinta-feira (8), após a equipe técnica concluir que os documentos e esclarecimentos apresentados pelo município resolveram as irregularidades apontadas anteriormente.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O TCE-MS liberou o andamento dos quatro lotes suspensos na licitação de R$ 188,5 milhões da Prefeitura de Campo Grande para obras de pavimentação e drenagem. O conselheiro Osmar Domingues Jeronymo revogou a cautelar após a equipe técnica apontar o saneamento total das irregularidades. A medida não declara a legalidade da licitação, que ainda será julgada no mérito, com parecer do Ministério Público de Contas. A suspensão, de setembro, atingia os lotes 1, 11, 4 e 9, e envolvia planilhas orçamentárias e a espessura do asfalto.
A suspensão havia sido divulgada em 4 de setembro e atingia parte dos 18 lotes de uma concorrência eletrônica. Na ocasião, o Tribunal paralisou o andamento dos lotes 1 e 11 e proibiu a formalização dos contratos dos lotes 4 e 9, que já haviam sido adjudicados e homologados pela prefeita Adriane Lopes (PP).
- Leia Também
- Licitações de R$ 19,2 milhões preveem asfalto e controle de erosão em MS
- TCE barra 4 lotes de licitação de R$ 188,5 milhões em asfalto por falhas
Agora, Jeronymo revogou a medida e autorizou o “regular prosseguimento do procedimento licitatório”. A decisão foi assinada na quarta-feira (7).
Segundo o relatório, a Prefeitura apresentou manifestação técnica e jurídica, pediu a revogação da suspensão e encaminhou novos documentos. O material passou por outra análise da divisão responsável pela fiscalização de obras, serviços de engenharia e meio ambiente do Tribunal.
Ao concluir essa avaliação, a equipe técnica apontou o “saneamento total das irregularidades apresentadas anteriormente”, conforme registrado na decisão.
Para o conselheiro, os novos elementos afastaram os motivos que sustentavam a paralisação. “Não subsistem, neste momento, razões suficientes para a manutenção da suspensão cautelar”, afirmou.
Jeronymo também considerou o impacto que a continuidade da suspensão poderia ter sobre as obras previstas nos bairros de Campo Grande.
“A manutenção da suspensão do procedimento, por período prolongado, poderá comprometer a adequada prestação dos serviços de infraestrutura aos munícipes”, escreveu.
Processo ainda será julgado - A liberação permite retomar os lotes atingidos pela cautelar, mas não representa uma aprovação definitiva da licitação. O próprio conselheiro ressalvou que a análise do processo continuará.
“A revogação da medida cautelar não implica declaração de legalidade do procedimento licitatório ou dos atos nele praticados”, destacou Jeronymo.
Essa decisão também não antecipa a conclusão do julgamento de mérito, quando o Tribunal examinará definitivamente o procedimento. Os autos serão encaminhados ao MPC-MS (Ministério Público de Contas) para emissão de parecer, e a prefeita será intimada para tomar ciência da revogação.
O valor de R$ 188.530.225,94 corresponde à estimativa para o conjunto dos 18 lotes. A suspensão anterior não havia paralisado toda a licitação, e a nova decisão não trata de liberação de pagamento desse montante.
O que levou à suspensão - Em setembro, o Tribunal apontou indefinições e inadequações técnicas que poderiam causar prejuízo aos cofres públicos. Nos lotes 1 e 11, a área técnica havia recomendado revisão das planilhas orçamentárias, republicação do edital e reabertura do prazo para apresentação de propostas.
Nos lotes 4 e 9, um dos questionamentos envolvia a espessura da camada de CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), material utilizado no revestimento asfáltico.
Na análise que embasou a suspensão, os auditores registraram que a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) havia informado o uso padronizado da mistura asfáltica denominada “Faixa C”. Para essa solução, a espessura mínima indicada seria de 3,125 centímetros, arredondada para 3,2 centímetros, enquanto os projetos dos dois lotes previam 3 centímetros.
A equipe questionou se o município adotaria outra composição da mistura, como a “Faixa D”, que permitiria uma camada mais fina. Também recomendou a definição formal da composição e da espessura mínima antes das ordens de serviço, além de relatórios de controle de qualidade e ensaios laboratoriais para fundamentar medições e pagamentos.
Os dois lotes somam aproximadamente R$ 17,9 milhões. O lote 4 foi adjudicado à Gradual Engenharia e Consultoria Eireli por R$ 4.969.886,52, e o lote 9 à TST Construções Ltda., por R$ 13.008.484,55.
Embora registre que as irregularidades foram resolvidas, a nova decisão não detalha quais ajustes ou esclarecimentos solucionaram cada apontamento, nem informa qual espessura de asfalto será adotada nesses lotes.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


