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Capital

Após volta às aulas, crescem casos de crianças em isolamento por conta da covid

Apesar disso, os registros de dias mais recentes, já em novembro, apontam menos casos de crianças em quarentena com a doença

Por Guilherme Correia | 11/11/2020 10:24
Foto tirada em março de 2019 mostra crianças realizando atividades coletivas, que atualmente, tiveram de ser revistas devido a pandemia de covid-19 (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Foto tirada em março de 2019 mostra crianças realizando atividades coletivas, que atualmente, tiveram de ser revistas devido a pandemia de covid-19 (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Depois de reabertura das escolas particulares de Campo Grande, a média móvel de pacientes de no máximo 9 anos que se encontram em tratamento domiciliar aumentou, conforme dados de acompanhamento médico da SES (Secretaria Estadual de Saúde).

No geral, até 21 de setembro, microdados da pasta indicavam 705 casos confirmados em pacientes dessa faixa etária na Capital. Até o registro mais recente, são 960 notificações positivas. Em dias mais recentes, as confirmações diárias nesse grupo têm tido redução, sobretudo nos meses de outubro e novembro.

Segundo levantamento feito pelo Campo Grande News, os casos registrados como "em tratamento domiciliar", ou seja, de pacientes diagnosticados com a doença, em quarentena, subiu a partir da reabertura. Apesar disso, mais recentemente, em 6 de novembro, esse número tem apresentado leve redução - ou seja, menos crianças são registradas como em situação de quarentena.

Abrir ou não? - É quase unanimidade entre pesquisadores da covid-19, que crianças apresentam quadros muito menos preocupantes da doença. É o que diz a professora e pesquisadora pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Infectologia Pediátrica, Ana Lúcia Lyrio, ao Campo Grande News.

Em outubro, a pesquisadora em Infetologia Pediátrica, Ana Lúcia Lyrio, participava de coletiva sobre a chegada de vacinas contra a covid-19 no Estado (Foto: Silas Lima/Arquivo)
Em outubro, a pesquisadora em Infetologia Pediátrica, Ana Lúcia Lyrio, participava de coletiva sobre a chegada de vacinas contra a covid-19 no Estado (Foto: Silas Lima/Arquivo)

Apesar disso, a preocupação ainda permanece já que os pequenos têm capacidade de transmitir a doença para os familiares e profissionais de educação. "Na verdade, todos estão sob risco. As crianças podem se infectar, serem assintomáticas e transmitir para as pessoas do domicílio, professores, auxiliares de ensino", diz.

Inicialmente, a pesquisadora pensava que crianças menores teriam mais dificuldade de se adaptar às regras impostas pela pandemia, como distanciamento mínimo ou impossibilidade de atividades coletivas.

Com o tempo, ela constata que houve uma adesão muito grande por parte dos alunos infantis. "O que estou vendo na prática é que os pequenininhos estão 'melhores' até que os maiores. Eles até corrigem comportamentos dos pais, por exemplo".

Mas no geral, não é uma situação fácil. A gente entende que, como tudo voltou à normalidade, esqueceram que a gente está vivenciando uma pandemia, as pessoas tiveram de voltar a trabalhar e com certeza estão com dificuldade para deixar os filhos. Provavelmente esse foi um dos motivos [para a reabertura]", explica.

Em entrevista concedida ao Campo Grande News na semana passada, o pediatra Alberto Jorge Félix Costa garantiu segurança na volta às aulas sob argumento de que estudos consolidados mostram como é a situação das crianças frente à covid-19.

Segundo ele, crianças contagiam menos a doença, além de costumarem apresentar sintomas considerados mais leves, semelhantes aos da gripe, como coriza, uma "febrinha" e mal estar leve. Sem filhos em idade escolar mas convicto de que as aulas deveriam ter voltado antes, ele disse que a doença ainda está sendo compreendida.

"No começo, pensávamos que elas contagiavam muito, mas viu-se que não. Crianças, de maneira geral, transmitem menos o coronavírus para os adultos. A chance de uma criança pequena de 2, 3, 4 anos transmitir é muitíssimo menor que um adolescente ou um jovem", ressaltou em entrevista na semana passada.

SIM-P - No fim de outubro, criança de cinco anos, que morava em Ponta Porã, faleceu de covid-19 em hospital na cidade de Dourados. Até então, havia suspeita de que se tratava de um caso de SIM-P (Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica), mas a SES (Secretaria Estadual de Saúde) descartou o caso e confirmou hipótese inicial do óbito.

Ainda em investigação pela pasta, adolescente de 15 anos que foi registrada no boletim epidemiológico do coronavírus é um dos casos suspeitos da SIM-P em Mato Grosso do Sul. Além dela, vítima de oito anos, de Sidrolândia, sequer entrou na contagem geral e pode se tratar de caso dessa nova síndrome.

A SIM-P se manifesta em crianças e adolescentes de quatro a 17 anos e os sintomas podem aparecer meses depois da covid-19. Os pais devem ficar atentos a febre alta e persistente, o inchaço das mãos e pés, dores abdominais, diarreia, vômito, confusão mental e vermelhidão nos olhos. Segundo a pesquisadora, o quadro é raro, mas muito preocupante, já que acontece em crianças e adolescentes.

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