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Capital

Cafezinho no balcão de padaria vira saudade, mas “índice chipa” segue em alta

“Em 35 anos, nunca passei por isso”, diz o proprietário da panificadora Monte Líbano

Por Aline dos Santos e Gabriel Neris | 18/07/2020 10:27
Café neste fim de semana é só no copo térmico e "para viagem". Decreto proíbe consumo no local de venda. (Foto: Henrique Kawaminami)
Café neste fim de semana é só no copo térmico e "para viagem". Decreto proíbe consumo no local de venda. (Foto: Henrique Kawaminami)

Primeiro dia das novas medidas restritivas para conter o avanço da covid-19, o sábado foi de saudosismo na padaria Monte Líbano em Campo Grande. Há mais de três décadas, o estabelecimento nunca deixou de servir o cafezinho no balcão para a clientela. “Em 35 anos, nunca passei por isso”, diz o proprietário  Hélio Carlos Nantes, 75 anos.

A padaria segue de portas abertas, mas é proibido o consumo no local e, inclusive, todas as cadeiras e mesas foram bloqueadas. Num dia em que todas as compras são “para viagem”, o empresário não esconde a preocupação com o futuro do empreendimento.

 “O mês de abril já foi um desastre de faturamento, com queda de 30%. Agora,   foi de 20%. Mas também não queria estar na pele do prefeito, qualquer coisa que fizer, vai apanhar”, diz Hélio.

Com a pandemia, ele mesmo se vê em situação delicada, quando precisa dialogar  até conscientizar o cliente que ele deve usar a máscara. “Tenho que conversar sem criar nenhum alarde”, afirma.

O empresário conta que suspendeu o contrato de trabalho de dez funcionários e outros dois estão de férias. “Do jeito que está, aguento só até dezembro”, diz.

Fim de semana é de cadeiras e mesas lacradas na padaria Monte Líbano. (Foto: Henrique Kawaminami)
Fim de semana é de cadeiras e mesas lacradas na padaria Monte Líbano. (Foto: Henrique Kawaminami)

No Jardim dos Estados, a padaria Pão e Tal registrou venda acima do esperado neste sábado. Por lá, o termômetro é o “índice chipa”, a iguaria presente no café da manhã de muitos campo-grandenses.

De acordo com Isabela Silveira, do setor de marketing da padaria, foram vendidas 105 chipas até às 8h de hoje. Enquanto o normal é vender igual quantidade durante todo o dia.

“Muita gente liga, pergunta se estamos abertos. Alguns chegam de carro, pedem e levamos os produtos e a maquininha do cartão”, afirma. A padaria também reforçou as entregas por delivery.

O local está aberto, mas com mesas e assentos interditados. O cliente entra por uma porta, faz as compras, chega ao caixa e sai por outra.

Jairo Correa, 82 anos, afirma que aprova as medidas mais severas. “Está certo, tem que fazer o possível mesmo para que mais gente possa ficar curada”.

Neste fim de semana, o setor de alimentação (supermercado, padaria, açougue, barraca de hortifrúti em feiram peixaria) pode funcionar até às 20 horas. Mas com 30% da capacidade e sem consumo no local.

Pão e Tal criou corredor para que cliente entre e saia por portas diferentes. (Foto: Henrique Kawaminami)
Pão e Tal criou corredor para que cliente entre e saia por portas diferentes. (Foto: Henrique Kawaminami)