Campo Grande tem 18 sítios arqueológicos catalogados, um deles na zona urbana
Entre todos os locais, o mais próximo de grandes construções está dentro do Parque das Nações Indígenas

Um levantamento da consultoria em arqueologia Matis aponta que Campo Grande possui 18 sítios arqueológicos catalogados, distribuídos principalmente em áreas rurais e próximas a cursos d’água.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Campo Grande possui dezoito sítios arqueológicos catalogados, sendo que o Córrego Prosa 01 é o único situado na zona urbana, dentro do Parque das Nações Indígenas. Com vestígios de até mil anos, o local abriga cerâmicas e artefatos líticos associados à tradição Aratu e a povos do tronco linguístico Jê. O estado de Mato Grosso do Sul soma mais de 800 áreas cadastradas pelo Iphan, exigindo rigorosos processos de análise e conservação para preservar o patrimônio histórico e a memória regional.
Dos 18 sítios, apenas um está localizado na zona urbana. Trata-se do sítio Córrego Prosa 01, também conhecido como CG3 (Campo Grande 03). A área foi delimitada dentro do Parque das Nações Indígenas, um dos principais espaços públicos da Capital.
- Leia Também
- Novo condomínio de luxo passa por estudo contra risco ao patrimônio arqueológico
- Área de futura hidrelétrica no Rio Verde terá varredura arqueológica
Segundo o estudo da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) intitulado “Um olhar para o sítio arqueológico CG3 na cidade de Campo Grande”, o sítio recebe esse nome por estar localizado na bacia do Córrego Prosa. No local, foram encontrados vestígios arqueológicos compostos principalmente por materiais cerâmicos e líticos, com predominância de artefatos feitos de arenito silicificado, matéria-prima comum na região.
Entre os objetos identificados, destacam-se raspadores utilizados por antigos grupos humanos.

As cerâmicas encontradas sugerem ligação com a chamada tradição Aratu, uma cultura ceramista brasileira datada desde o século IX e associada a grupos agricultores sedentários do Planalto Central e Nordeste.
As peças dessa tradição apresentam características específicas, como vasilhas em formatos periformes, esféricos ou elipsoides, geralmente sem reforço estrutural e com bases arredondadas ou côncavas. Também foram encontrados objetos como rodelas de fuso, usadas na fiação de fibras, e cachimbos, com pouca decoração ou pintura.
Essa tradição está ligada, em grande parte, aos povos do tronco linguístico Jê, que historicamente ocuparam regiões do interior do Brasil e desenvolveram modos de vida baseados na agricultura, caça e coleta.
Do total de sítios arqueológicos identificados em Campo Grande, cinco estão localizados na região do Rio Anhanduí, enquanto outros seis ficam em áreas de córregos, como os sítios Córrego Imbirussu 3, Córrego Laranjeira 1, Córrego Gameleira 1, Córrego Água Ruim 1, Córrego Cachoeira 1 e Córrego da Pedra.
De acordo com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso do Sul), o Estado conta com mais de 800 sítios arqueológicos cadastrados em suas bases de dados.

Conservação e análise
Segundo informações da consultoria em arqueologia Matis, após a coleta em campo, os materiais arqueológicos passam por um rigoroso processo de análise e conservação. As peças são inicialmente etiquetadas e armazenadas em sacos plásticos e caixas organizadas por tipo de material, como cerâmica, lítico ou orgânico.
Em laboratório, é feita a conferência das fichas de identificação e uma limpeza superficial a seco, garantindo a preservação dos vestígios. Em seguida, os itens são catalogados em banco de dados, fotografados e classificados conforme suas características.
Todo esse procedimento permite não apenas a conservação dos materiais, mas também o aprofundamento dos estudos sobre a ocupação humana na região, contribuindo para a preservação da história e da memória de Campo Grande.
Sítio Arqueológico Ribeirão das Botas 2
Conforme informado em reportagem do Campo Grande News, o Ribeirão das Botas 2, um sítio de Campo Grande do período pré-colonial a céu aberto classificado como lítico, fica a cerca de 4,5 quilômetros de um condomínio de alto padrão em construção na região do Terras Alpha, em Campo Grande.
Essa proximidade é um dos fatores que têm mobilizado arqueólogos a analisar um possível impacto ao patrimônio histórico-cultural na área, onde já estão construídos os residenciais Alpha 3 e 4.
O Iphan classificou a área como região de nível III, o que indica média a alta interferência no solo, e informou que ela passará por estudos. Por isso, estão previstas prospecções de superfície e subsuperfície, com caminhamentos a cada 50 metros, além da execução de 96 poços-teste. As escavações podem chegar a um metro de profundidade.

