Campo Grande tem 2ª maior alta de homicídios entre capitais em 5 anos
Atlas da Violência mostra queda em 2024, mas taxa da Capital cresceu 45,5% desde 2019
Campo Grande fechou 2024 com queda na taxa estimada de homicídios, mas aparece em posição incômoda no recorte de médio prazo: foi a segunda capital brasileira com maior aumento proporcional da violência letal entre 2019 e 2024. O dado consta no Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Campo Grande fechou 2024 com queda de 7,6% na taxa de homicídios em relação a 2023, passando de 21,1 para 19,5 casos por 100 mil habitantes. Porém, no período de 2019 a 2024, a capital registrou alta de 45,5%, sendo a segunda maior entre as capitais brasileiras, atrás apenas de Belo Horizonte, segundo o Atlas da Violência, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A taxa estimada da Capital passou de 13,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2019 para 19,5 em 2024, alta de 45,5%. O avanço só ficou atrás de Belo Horizonte, que teve crescimento de 50,5% no mesmo período.
- Leia Também
- Zona-chave do crime, MS é rota de 80% da maconha e da cocaína que entram no País
- Alta de mortes em aldeias altera licitação para contratação de funerária
Na comparação com 2023, porém, Campo Grande teve queda. A taxa saiu de 21,1 para 19,5 homicídios por 100 mil habitantes, recuo de 7,6%. O dado mostra um cenário de duas leituras: melhora no último ano, mas piora expressiva quando a comparação volta a 2019.
Apesar da alta em cinco anos, Campo Grande ainda ficou abaixo da média das capitais brasileiras, que foi de 26,6 homicídios por 100 mil habitantes, e também abaixo da taxa nacional estimada, de 23,4. Em números absolutos, o Atlas estima 186 homicídios na Capital em 2024. Desse total, 175 foram registrados oficialmente e 11 aparecem como homicídios ocultos.
O Atlas chama de homicídios ocultos os casos inicialmente registrados como mortes violentas por causa indeterminada, mas que, pela metodologia do estudo, têm características compatíveis com homicídio. A conta final dos homicídios estimados soma os registros oficiais com esses casos reclassificados estatisticamente.
Segundo o relatório, essa diferença pode ocorrer por falhas técnicas no compartilhamento de informações entre saúde e polícia, e não necessariamente por tentativa de esconder dados. É o tipo de detalhe que parece burocrático, mas muda a leitura da violência. Sem ele, o número pode parecer menor do que realmente é.
Em Mato Grosso do Sul, a taxa estimada caiu de 21,5 para 20 homicídios por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, redução de 7%. O Estado também ficou abaixo da média nacional. No entanto, o número de homicídios ocultos saltou de 18 para 47 no mesmo período, alta de 161,1%.
Pelos registros oficiais do sistema de saúde, Mato Grosso do Sul teve 519 homicídios em 2024, contra 584 em 2023, queda de 11,1%. Quando entram os casos ocultos estimados pelo Atlas, o total chega a 566 homicídios no ano passado.
No recorte estadual de longo prazo, a taxa estimada de Mato Grosso do Sul caiu 30,3% entre 2014 e 2024. Em 2014, era de 28,7 homicídios por 100 mil habitantes. Dez anos depois, passou para 20. Já entre 2019 e 2024, houve leve alta de 3,1%, segundo o levantamento.
O Atlas também aponta que três municípios de Mato Grosso do Sul com mais de 100 mil habitantes aparecem na base municipal de 2024. Campo Grande teve taxa estimada de 19,5, com 186 homicídios. Três Lagoas registrou taxa de 19,1, com 27 casos estimados. Dourados teve taxa de 18,8, com 49 homicídios estimados.
No cenário nacional, o Brasil teve 49.673 homicídios estimados em 2024, taxa de 23,4 por 100 mil habitantes. O número é maior que os 42.590 homicídios registrados oficialmente, porque o Atlas incorpora os homicídios ocultos à contagem final.
A diferença entre os dois retratos ajuda a explicar a cautela dos pesquisadores. Pelos registros oficiais, o país teve queda mais forte na violência letal. Pela estimativa do Atlas, a redução foi bem menor, de apenas 0,3% no número de homicídios estimados em relação a 2023. Em outras palavras: o Brasil melhorou menos do que o dado bruto sugere.
O levantamento mostra ainda que a violência letal segue muito concentrada no país. Em 2024, metade dos homicídios ocorreu em apenas 99 municípios, o equivalente a 1,8% das cidades brasileiras. Entre as capitais, as maiores taxas estimadas foram registradas em Salvador, Maceió, Macapá, Recife e Fortaleza.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.




