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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

14/07/2012 10:50

Caso Scooby reacende polêmica sobre tratamento de leishmaniose

Nicholas Vasconcelos

Entidades e Conselho de Medicina Veterinária são favoráveis, enquanto Ministério da Saúde não autoriza e determina eutanásia

Scooby aguarda no CCZ o resultado de exame de leishamniose. (Foto: Minamar Junior)Scooby aguarda no CCZ o resultado de exame de leishamniose. (Foto: Minamar Junior)

O caso do cachorro Scooby, que causou comoção após ser arrastado por 4 quilômetros e apresentar sintomas de leishmaniose, reacendeu a polêmica a respeito da eutanásia dos cães que apresentam resultado positivo para a doença. O protocolo do Ministério da Saúde não autoriza o tratamento e determina o sacrifício do animal, enquanto veterinários e entidades defendem que ele seja realizado.

Dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande apontam que em 2011 foram colhidas 105 mil amostras, dessas 16.800 apresentaram contaminação. No mesmo período, os casos de leishmaniose visceral humana chegaram a 202, com três mortes.

A ONG (Organização Não Governamental) Abrigo dos Bichos defende que Scooby seja adotado e submetido ao tratamento contra o protozoário.

O CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul), reconhece o tratamento e a eficácia dele para o animal. “O dono e o médico veterinário têm de ter a opção de oferecer o tratamento ao animal. Se o animal tem um dono e ele assume a responsabilidade, ele deve ser tratado”, afirma a presidente do órgão, Sibele Cação.

Sibele frisa que o Conselho é a favor da eutanásia para os cães de rua e que o dono que oferecer o tratamento tem de ter a responsabilidade sobre o animal. “O dono não pode procurar informações com vizinhos, amigos, é preciso procurar um profissional que vai indicar qual o tratamento mais adequado. Caso contrário ele também vai praticar maus tratos”, destacou. A médica veterinária lembra que a leishmaniose se comporta de maneira diferente e que o tratamento varia conforme o peso, idade e doenças pré-existentes.

O Conselho questiona a política adotada até o momento em Campo Grande para o tratamento, que segue a orientação do Governo Federal, e defende o combate ao mosquito flebótomo, transmissor do protozoário causador da doença. “A culpa não é do cão, mas do mosquito. Ele é que precisa ser combatido e não o cão.”,explica a presidente. A médica veterinária ainda reforça que a transmissão não se dá do animal infectado para o homem diretamente, somente através do mosquito.

O mosquito flebótomo é o transmissor da doença e se reproduz em material orgânico em decomposição, como restos de folhas e alimentos. Na opinião dos veterinários, deveria ser combatido com o trabalho de agentes de saúde e não pelo sacrifício do cão, que serve de reservatório da leishmaniose.

A posição do CRMV também é de que o cão seja a submetido ao exame de pulsão medular, além do de sangue como é aplicado atualmente pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses)."O animal pode ser soro reagente, ter o anticorpos da leishmaniose,no entanto pode ter se defendido da doença", detalha.

O protocolo do Ministério da Saúde para a leishmaniose, que é seguido pelo Centro de Controle, determina que o animal seja sacrificado e proíbe qualquer tipo de tratamento. Entre 2002 e 2011 foram registrados 34.683 casos em todo país, 3.917 somente no ano passado. No último ano, 249 pacientes morreram.

Para o Ministério, a redução dos casos só é possível com o controle do agente transmissor, o mosquito, e também do reservatório, no caso o cão doméstico.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério, o tratamento não é autorizado e quando os cães não são mortos eles continuam transmitindo a doença. As prefeituras podem decidir sobre o futuro dos animais, como no caso do cão Scooby, mas que elas assumem o risco de transmissão de doenças para a população.

O prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) informou que o futuro do cão, que virou mascote nas redes sociais, depende do resultado de exames que vão confirmar ou não a presença da doença. Trad Filho afirmou que o Ministério vai ser informado sobre a decisão em relação á Scooby, mas declarou que é uma questão de saúde pública e que o protocolo deve ser seguido.

Até o resultado do novo exame, Scooby continua no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) onde recebe tratamento para os ferimentos provocados após ser arrastado pelo dono amarrado a uma moto.



Todos sabemos que a postura do Ministério do Saúde em sacrificar o animal é simplesmente para não liberar a vacina, pois assim como a da RAIVA o governo teria que disponibilizar gratuitamente....vergonha sacrificar é mais barato.
 
Juarez de Souza em 15/07/2012 10:45:24
Gente... já estou 8 (oito) anos no "CONSELHO REGIONAL” pedindo um "Centro de Saúde Animal" como já existe em São Paulo... pra atender os animais do nosso povo de baixa renda que muitas das vezes são obrigados a abandonar os seus ... de estimação nas ruas... nunca fui atendido !!! Não sabia que “EU” poderia resolver puxando um animal com crueldade pra alguém atender !!!! Ajuda ai oh ! Vamos parar
 
Edson Profeta em 14/07/2012 12:52:00
O que os senhores políticos esquecem é que se nossos animais não tem voz, seu donos tem. O Brasil é o único país do mundo em que uma legislação errada e ultrapassada ainda é utilizada para os casos dessa doença. O tratamento existe, é eficaz, e ao contrário do que dizem os "entendidos" o cão deixa de transmitir a doença ao ser tratado. Acorda gente! As eleições estão aí!
 
Silvia Fernandes em 14/07/2012 12:24:22
Meus câes apresentaram teste positivo para tal doença e o cz já queriam sacrificá-los, foi me informar o que poderia fazer á respeito, refiz os exames e contra prova ambos resultaram negativamente na doença, provando mais uma vez que estes exames são de baixa qualidade e absurdamente com resultados errados. dois cães e 100% de erro.
 
robson torraca em 14/07/2012 11:57:53
Meus cães forma diagnosticados com a doença pelo pessoal da prefeitura. Mandei refazer os exames em clíinica particular e eles nada tinham. Isso aconteceu há quatro anos e eles estão bem vivos e saudáveis. É preciso muito cuidado quando o poder público não tem competência. Eu poderia ter sido induzida a assassinar meus cãezinhos por um erro estúpido. E é o que deve ter acontecido com muitos.
 
Sandra Cunha em 14/07/2012 08:00:57
Em 2003, perdi meu cachorro pra essa doença, se não me engano, foi no primeiro surto dela. Até hj ele faz falta, Maylon era o nome dele. Se existe tratamento pq não apoiarem? Eu daria tudo pra te-lo de volta, pra não ter que deixa-lo ir naquela carrocinha que me dá arrepios qnd vejo, sim qnd ainda vejo, pq Maylon era um amigo e nunca mais vai voltar.
 
Annelyse Lobo em 14/07/2012 07:50:18
Nesta reportagem ficou claro que é mto importante o combate ao mosquito. Não adianta matar o animal se não combater a causa.Em frente a minha casa tem um terreno que a proprietária foi notificada pra fazer a limpeza de seu terreno.Fez mas não tirou a sujeira que ficou servindo de "cama" para o mosquito se proliferar.Comuniquei a prefeitura, pois eles não vieram certificar se realmente estava limpo
 
Lourdes Oliveira em 14/07/2012 04:11:00
Se já está mais do que claro que o mosquito é o transmissor, INCLUSIVE PARA O HOMEM, que lógica tem sacrificar os animais????? Cadê o Poder Público combatendo o mosquito???? O Brasil é o ÚNICO PAÍS QUE ADOTA ESSA MEDIDA BIZARRA DE "CONTROLE"!!!!!
 
Daniela Rocha em 14/07/2012 03:04:50
É indignante ver todos os meios dizerem que devemos cuidar do quintal não deixando acumular folhas e restos de comida. Mas a verdade é que nenhum Órgão de saúde se importa qdo fazemos reclamação nesse sentido. Moro no Conj. Estrela do Sul fazem quase 30 anos, e ao lado de casa tenho uma vizinha que ajunta bixo e lixo em seu quintal pra queimar . Até agora nada de solucionar o meu problema !
 
Paulo Henrique Garcia Espinosa em 14/07/2012 02:46:30
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