Cobrança de celular terminou com morte em bar e deixa quatro crianças sem pai
Esposa de Marildo José Pereira Marques pede justiça após crime motivado por dívida antiga
Cobrança de celular terminou com a morte de Marildo José Pereira Marques, de 60 anos, na noite desta sexta-feira (17), em um bar na Rua Ganso, no Bairro Vila Manoel Secco Thomé, região do Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande. A vítima tem quatro filhos crianças que irão crescer sem o pai.
RESUMO
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O autor do crime, um homem de 33 anos identificado apenas como Lucas, foi preso em flagrante por uma equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações).
Segundo a esposa da vítima, Ivanir Cardoso Maria, de 44 anos, conhecida no bairro como companheira de “Alemão”, o crime teria sido motivado pela cobrança de um celular danificado anos atrás durante uma confusão antiga.
“Foi por acaso que aconteceu a fita lá no bar. Aí o cara veio cobrar um celular que foi anos passados, ele falou que não ia pagar. Aí o cara foi lá tomar um banho. Aí ele já voltou, já deu um só no peito dele. Foi um só. Por causa do celular”, relatou.
Ela afirmou ainda que o aparelho caiu na água da chuva durante uma briga antiga e negou que o marido tivesse causado o dano. “Caiu no chão lá na briga deles lá no passado, caiu no chão o celular na água, na chuva. E aí ele veio cobrar dele. E ele falou que nem ia pagar”.
Ivanir contou que o suspeito já havia ido até a residência da família anteriormente para cobrar o prejuízo.“Eu não conhecia ele não, mas ele já tinha vindo aqui na minha casa cobrar essa fita dele”.
Ela reforçou que o próprio autor teria derrubado o celular. “O cara mesmo derrubou, não tem nada a ver do meu marido derrubar não. Ele mesmo derrubou o próprio celular dele no chão”.
Marildo morava há 13 anos com Ivanir. O casal tinha quatro filhos pequenos: três meninos, de 10, 9 e 3 anos, e uma menina de 7 anos. Abaladas, as crianças foram levadas por uma pastora para a igreja e vão permanecer no local até às 16h de hoje.
A vítima trabalhava com corte de madeira, plantava abóbora e vendia no bairro. Ele morreu a cerca de 500 metros da casa onde morava. “Era um homem trabalhador, toda a vida mexeu com corte de madeira. Aí o cara veio cobrar dele, veio cobrar dele, foi uma facada só”.
Abalada e chorando muito, Ivanir pediu justiça. “Eu só quero justiça, que a lei seja executada. Por conta de nada ele acabou com tudo, mas vamos nos reerguer”.
Moradora do bairro há cinco meses, uma doméstica de 51 anos, vizinha da família, disse que conhecia Marildo e a esposa e nunca presenciou qualquer comportamento agressivo dele.
“Eu conheço ele, conheço a mulher dele. Faz pouco tempo que moro aqui, nunca vi nada de errado dele. Ele era uma pessoa de boa, tranquila. Bebia a cachacinha dele, né, mas era sossegado. Nunca vi ele caçando confusão com ninguém”.
Segundo ela, o casal era conhecido pela simplicidade e trabalho. “Já fui duas ou três vezes na casa deles. A gente conversava, tomava cerveja junto. Eles eram de boa, trabalhadores. Ele morava ali mesmo e trabalhava por ali. Ela também era trabalhadora. Eu adorava os dois”.
Ao saber da morte, a moradora disse ter ficado em choque e revelou medo diante da violência. “Eu fiquei sabendo ontem pelo meu esposo. Ele falou que a pessoa que mataram ali eu acho que você conhece. Quando eu vim aqui e falaram que era ele, fiquei chocada. Agora fica o sentimento de medo, né? Dá medo de sair na rua durante o dia e durante a noite. A gente não sabe quem fez isso, se é daqui ou de outro lugar”.
Assassinato - Os policiais foram acionados por volta das 22h30, após a comunicação de um homicídio. A equipe foi até o local para levantar informações sobre o autor, inicialmente descrito como um homem vestindo calça jeans, boné e camiseta preta. Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento foram coletadas e permitiram aos investigadores identificar a dinâmica do crime.
Segundo as imagens, a vítima estava com a esposa em uma das mesas do bar quando o autor se aproximou, sentou-se com o casal e passou a ingerir bebida alcoólica. Após alguns minutos, houve um desentendimento entre os dois, que evoluiu para discussão. O proprietário do bar interveio, e o autor deixou o local, vestindo uma camiseta laranja.
Algum tempo depois, o suspeito retornou, desta vez com uma blusa preta. Ele voltou a se sentar na mesa do casal e, de forma repentina, sacou uma faca e desferiu um golpe no tórax de Marildo. Em seguida, fugiu pelos fundos do estabelecimento.
Os investigadores iniciaram buscas na direção da fuga e, a cerca de um quilômetro do local, localizaram o suspeito na rua. Durante a abordagem, a faca utilizada no crime foi encontrada na cintura dele.
O homem foi levado imediatamente à autoridade policial que ainda estava no local, junto com peritos criminais que realizavam os exames no corpo da vítima. Questionado, o suspeito alegou ter agido em legítima defesa, versão que, segundo a polícia, é contradita pelas imagens de segurança.
A autoridade plantonista da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol apreendeu as evidências e determinou a autuação em flagrante de Lucas pelo crime de homicídio qualificado por traição e motivo fútil.
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