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Capital

Em bairro com cachorro "a rodo", desafio é convencer tutores sobre vacinação

Mesmo com a vacina gratuita de casa em casa, agentes enfrentam resistência e mitos que dificultam a imunização

Por Viviane Oliveira | 04/08/2026 10:36
Em bairro com cachorro "a rodo", desafio é convencer tutores sobre vacinação
Beethoven recebe a vacina antirrábica pela primeira vez (Foto: Juliano Almeida)

Beethoven, um cachorro sem raça definida de cerca de dois anos, recebeu nesta terça-feira (4) a vacina antirrábica pela primeira vez. A imunização ocorreu durante a visita dos agentes de combate às endemias do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) ao Bairro Colúmbia, na região do Grande Nova Lima, em Campo Grande. Apesar da grande quantidade de cães encontrados nas residências e nas ruas, o principal desafio da campanha continua sendo convencer os tutores de que a vacina é segura e essencial para prevenir a raiva.

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Campo Grande iniciou nesta segunda-feira (3) a Campanha de Vacinação Antirrábica de Cães e Gatos 2026, com visitas previstas a cerca de 300 mil imóveis. A meta é imunizar ao menos 80% dos animais domésticos. O principal desafio é a resistência dos tutores, que desconfiam da segurança da vacina. O CCZ alerta que 12 morcegos já testaram positivo para raiva em 2025, mantendo o risco de transmissão.

Agente de combate às endemias há 21 anos, Denilson dos Santos Leite afirma que, ao longo das duas décadas de trabalho, a resistência da população não diminuiu. Pelo contrário. "As pessoas acreditam em mitos. Um vai falando para o outro que a vacina mata o cachorro, mas não existe nenhuma evidência disso. Posso garantir que a vacina é comprovadamente segura. Estamos aqui para ajudar. A raiva não tem cura e a única forma de prevenir a doença é por meio da vacinação", afirma.

Segundo ele, muitos moradores recusam a imunização alegando que levarão o animal a uma clínica particular, mas isso raramente acontece. "A maioria não leva, até pelo custo. No fim, o animal fica sem proteção e a família também", diz.

Denilson explica que outra dificuldade é a desconfiança em relação à vacina aplicada pelo CCZ. "Tem gente que acha que a vacina fornecida pelo município não tem qualidade. Isso faz com que o animal permaneça desprotegido, assim como todas as pessoas que convivem com ele", disse.  Para o agente, a situação se agravou com o passar dos anos.

"Hoje está até pior. Nós levamos a vacina até a casa das pessoas e, mesmo assim, encontramos cada vez mais resistência. Muitos aceitam, mas muitos também desdenham do nosso trabalho e da vacina. Essa é a maior dificuldade no dia a dia".

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Apesar de Campo Grande não registrar casos recentes de raiva em animais domésticos, o risco permanece devido à circulação do vírus em morcegos. Denilson lembra que cães e gatos infectados podem transmitir a doença aos seres humanos por meio de mordidas, arranhões ou contato da saliva com ferimentos. "A única maneira de evitar a raiva é a vacina. Não existe outro método de prevenção", explicou.

Os agentes trabalham em duplas e cada equipe tem como meta vacinar cerca de 50 animais por dia. Moradora do bairro há dez anos, a secretária Márcia Alves recebeu os agentes em casa e aproveitou para imunizar as cadelas Sofia e Vaquinha. "É muito bom não precisar sair de casa. Facilita bastante para quem tem animais", afirmou, elogiando o trabalho dos servidores.

O ajudante de pedreiro Natalino de Freitas, de 47 anos, também recebeu os agentes. Dono das cadelas Paloma e Bolotinha, ele admite que as duas recebem apenas a vacina antirrábica oferecida gratuitamente pelo município. "Elas só são vacinadas porque não tem custo. Se tivesse que pagar, seria mais difícil", afirma.

Em bairro com cachorro "a rodo", desafio é convencer tutores sobre vacinação
Silvana Siqueira recebeu os agentes do CCZ para vacinar os animais de estimação (Foto: Juliano Almeida)

A dona de casa Silvana Siqueira, de 38 anos, tutora do Beethoven, conta que morava em uma fazenda entre Maracaju e Nioaque, onde não havia vacinação domiciliar. Só a gata Gordinha da família não foi encontrada durante a visita dos agentes. "É muito importante ter esse serviço. Eu queria que ela também tivesse sido vacinada, porque dorme com meu filho mais novo", relata.

A Campanha de Vacinação Antirrábica de Cães e Gatos 2026 começou nesta segunda-feira (3) e prevê visitas a aproximadamente 300 mil imóveis em todas as regiões da Capital. A meta é imunizar pelo menos 80% da população de cães e gatos, índice considerado suficiente para impedir a circulação do vírus.

Segundo a chefe do Serviço de Controle da Raiva e Outras Zoonoses do CCZ, a médica-veterinária Maria Aparecida Conche, embora não haja registros recentes da doença em animais domésticos, o vírus continua circulando na natureza. "Somente neste ano, já identificamos 12 morcegos com resultado positivo para raiva. Quando um animal vacinado entra em contato com um morcego infectado, a vacina funciona como uma importante barreira de proteção".

Além da vacinação, as equipes realizam um novo censo da população de cães e gatos durante as visitas para atualizar os dados do município e aperfeiçoar o planejamento das próximas campanhas. Os agentes trabalham identificados com uniforme, crachá funcional e caixa térmica para transporte das vacinas. Caso não haja um responsável no imóvel, é deixado um aviso para que o tutor leve o animal posteriormente ao Centro de Controle de Zoonoses.

A vacinação é realizada apenas com autorização do responsável. Animais soltos nas ruas não recebem a dose durante as visitas domiciliares e devem ser levados pelos tutores à sede do CCZ, que funciona como posto fixo de vacinação durante todo o ano.

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Vaquinha recebe a vacina antirrábica durante visita do CCZ (Foto: Juliano Almeida)

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