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Campo Grande, Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

06/04/2017 11:11

Com improviso, central de vagas faz bombeiros trabalharem 'no escuro'

Ofício foi encaminhado pela Sesau e militares terão que ligar no Samu para deixar regulação gravada

Yarima Mecchi
Unidade de resgate do Corpo de Bombeiros de Campo Grande. (Foto: Alcides Neto)Unidade de resgate do Corpo de Bombeiros de Campo Grande. (Foto: Alcides Neto)

Com sistema que ainda recorre a improvisos, a Central de Regulação, responsável por coordenar as vagas no sistema municipal de saúde pública de Campo Grande, não consegue ter o controle sobre os resgastes feitos pelo Corpo de Bombeiros.

O sistema usado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não é interligado com o dos militares, que usam o Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança) para se comunicarem.

O resultado disso é que, muitas vezes, os socorristas acabam trabalhando 'no escuro', sem saber se conseguirão vaga na unidade de saúde para onde estão levando um ferido em acidente de trânsito, por exemplo.

É mais uma das dificuldades enfrentadas pela corporação. Conforme o Campo Grande News mostrou na segunda-feira (3), muitas vezes os bombeiros precisam atravessar a cidade para entregar um paciente em unidade de saúde onde há vaga, já que a mais próxima está lotada – uma demora que pode custar a vida de quem foi socorrido.

Além disso, com a central de vagas sem conseguir catalogar o que é passado via rádio pelos bombeiros, o jeito foi improvisar. Agora, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) quer que os socorristas telefonem para o Samu informando onde deixaram o paciente. 

Como funciona – Quando acionados para atender uma ocorrência, os militares passam pelo rádio de comunicação o estado de saúde de pacientes. A central, então, informa para qual unidade de saúde devem seguir.

Ocorre que as informações por rádio não são gravadas. Sem um controle eficaz, erros podem acontecer, como o caso de duas ambulâncias chegarem ao mesmo posto de saúde onde há apenas uma vaga.

Com a tentativa de mudar a situação, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) formalizou pedido para os militares, na quarta-feira (4). De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, além de passar pelo rádio, os socorristas terão que ligar no 192, número do Samu, e passar a ficha do paciente e o médico responsável no posto de saúde.

"A Central de Regulação encaminhou através da Sesau um ofício solicitando a adequação. Hoje o bombeiro pega a vítima, encaminha para o centro de saúde que a central regula, mas não tem um controle de classificação da vítima e a inclusão dela em um banco de dados da regulação", detalha o capitão Paulo Costa Neto, da sessão de apoio e logística do Corpo de Bombeiros.

A medida gerou reclamação por parte dos socorristas, que não quiseram se identificar. Muitos disseram que o tempo para regulação aumentou e com isso o paciente é prejudicado. De acordo com o capitão, o ato nunca foi cobrado pelo sistema do Samu.

Ambulâncias do Samu em unidade de saúde. (Foto: Alcides Neto)Ambulâncias do Samu em unidade de saúde. (Foto: Alcides Neto)

"É impossível fazer de um dia para outro, não foram informados a tempo. O ofício chegou no fim de expediente. Não deu tempo de avisar todo mundo. Esse sistema é feito no atendimento do Samu. O bombeiro não estava adequado, uma falha da regulação", ressalta o capitão.

Militares informaram que o sistema atual gerava conflito de informação. "Chegou um ofício dizendo que o Samu não tinha controle e pedem que gera um bravo para onde está sendo encaminhada a vítima. É por isso que chega na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e não tem vaga. Tem que ligar para gerar um número de cadastro", disse um bombeiro, que não quis se identificar.

Neto reconhece que já aconteceram casos onde duas ambulâncias chegaram em uma unidade de saúde e tinha penas uma vaga. "Foi regulado para um centro de saúde e chega lá e estava lotado. Já teve casos de chegar em centro de saúde ou mesmo hospital e acontecer isso. Não sei se o ofício é por causa isso", disse.

Secretaria - A Sesau nega que tenha alteração na regulação. Por meio de nota, a secretaria informou que o Corpo de Bombeiros está propondo algumas mudanças. "Mas isso será discutido em reunião prevista para acontecer na sexta-feira. A regulação é de pertinência do município", destacou.

Segundo a Sesau, são 27 profissionais lotados no setor mais o quadro de plantonistas. Os plantões incluem 20 profissionais entre médicos, enfermeiros, técnicos e dentistas.

"Por dia são realizadas de 3 a 4,5 mil regulações entre consultas com especialistas, exames e procedimentos. A atual administração tem trabalhado para melhorar os procedimentos realizados por todos os setores, inclusive os da regulação, beneficiando a população", destacou.



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