Defesa mantém tese de suicídio em morte de subtenente da PM
Advogado diz que vítima tratava de depressão; novas oitivas e o interrogatório ainda vão ocorrer
A defesa de Gilberto Jarson, de 50 anos, mantém a tese de que a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues tirou a própria vida. A declaração foi dada ao Campo Grande News após o término da audiência realizada na tarde desta segunda-feira (15), na 2ª Vara Criminal.
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Durante a oitiva, sete testemunhas foram ouvidas, entre elas a delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Ferraz, o filho da vítima, Marcus Vinícius, e um amigo próximo. Os depoimentos começaram às 14h30 e se estenderam por mais de duas horas.
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Ao final da audiência, o advogado do réu, Jeferson Soares, afirmou que a defesa seguirá sustentando a hipótese de suicídio. “Infelizmente, o réu fala que ela vinha passando por depressão há algum tempo. Hoje foi confirmado com as testemunhas que ela tomava remédio de depressão, né? Remédio de tarja preta. Essa é a tese da defesa”, declarou.
O advogado também informou que laudos residuográficos realizados nas mãos da vítima e de Gilberto devem contribuir para o andamento do processo. Os documentos ainda serão anexados aos autos.
“Ele [réu] tem essa versão de que foi suicídio. Ele tentou evitar esse suicídio e não conseguiu. Tentou tomar a arma da mão dela. Essa é a versão que ele alegou para os advogados aqui presentes”, pontuou.
Jeferson também comentou sobre as acusações de pornografia infantil envolvendo o réu. Segundo ele, o celular utilizado por Gilberto era acautelado pela PM (Polícia Militar), e até o momento não há comprovação de que ele tenha mantido contato direto com crianças.
“Vai ser feita a perícia no celular e ele [réu] afirma que aquelas imagens já estavam no aparelho, vindas da internet. Não há nada concreto até agora, até porque o celular nem era dele, era acautelado da Polícia Militar. Outras pessoas podem ter compartilhado essas imagens. Só com a perícia será possível identificar a verdade”, afirmou.
Na próxima audiência, serão ouvidas testemunhas de defesa, além da realização do interrogatório de Gilberto. “Hoje não deu tempo, por conta do número de testemunhas. Foram mais de três horas de audiência. Na próxima, será ouvido o réu e as testemunhas da defesa”, concluiu.
Caso – O crime ocorreu em abril de 2026, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande, e causou forte comoção por se tratar de uma das pioneiras da Polícia Militar feminina no Estado. Marlene atuou na antiga Companhia Florestal e trabalhava no Comando-Geral da corporação. Ela foi encontrada morta de farda, caída perto da janela da sala da residência onde morava com o companheiro.
No dia do crime, um policial militar que passava pela região ouviu o estampido do disparo e entrou na residência. Ele flagrou Gilberto Jarson na sala, com um revólver calibre .38 nas mãos, enquanto fazia ligações telefônicas. Ao checar o histórico do aparelho celular do suspeito, os policiais constataram que ele havia telefonado para a Polícia Militar, para o próprio cunhado e para o advogado de defesa logo após o tiro que atingiu a subtenente.
Durante os primeiros depoimentos na delegacia, o homem apresentou versões contraditórias. Inicialmente, afirmou que estava no quintal, cobrindo uma motocicleta com uma lona, e que não viu quando a companheira pegou a arma. Em seguida, mudou a versão e alegou que suas mãos poderiam ter vestígios de pólvora porque teria entrado em luta corporal com a vítima para tentar evitar o disparo.
As versões do suspeito foram contestadas por testemunhas e vizinhos do casal ouvidos após a ocorrência. Moradores relataram histórico de brigas frequentes e barulhentas, além de gritos e pedidos de socorro vindos da casa em ocasiões anteriores ao crime.
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
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