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Comportamento

“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos

Após coma e três cirurgias na cabeça, Evandro Prado se recupera e prepara exposição em Campo Grande

Por Clayton Neves | 01/08/2026 07:42
“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos
Em processo de recuperação, Evandro já está com a rotina quase normalizada.(Foto: Arquivo Pessoal)

Há cerca de seis meses, o artista visual sul-mato-grossense Evandro Prado vive uma recuperação que ele próprio define como diária e cheia de esperança. Aos 40 anos, ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), ficou quase três meses internado e passou por três cirurgias na cabeça.

Nesta semana, Evandro revelou nas redes sociais parte do que viveu desde dezembro do ano passado. Em entrevista ao Lado B, o artista contou que hoje já consegue fazer praticamente tudo sozinho e que, aos poucos, recupera a autonomia.

“Eu estou super bem agora. Já tem quase seis meses que eu saí do hospital. Agora eu consigo fazer tudo sozinho, estou quase andando”, afirma.

Nascido em Campo Grande e morando em São Paulo, Evandro é formado em Artes Visuais pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Ao longo da carreira, construiu uma produção que provocou discussões sobre religião, política, consumo e poder, muitas vezes usando símbolos conhecidos e elementos da cultura popular para suas reflexões.

“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos
Os pais têm sido suporte e ajudado no processo de recuperação do artista. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele ganhou projeção com a exposição “Habemus Cocam”, em 2006. Na série, imagens e símbolos ligados à Igreja Católica foram misturados a referências do consumo. As obras causaram polêmica e chegaram a ser alvo de tentativas de censura.

Dor de cabeça por semanas - Evandro lembra que os primeiros sinais começaram semanas antes do AVC. Ele sentia dores de cabeça frequentes, principalmente à noite, e chegou a procurar atendimento médico em Campo Grande.

Na época, recebeu o diagnóstico de uma infecção e voltou para São Paulo, onde mora. Poucos dias depois, na manhã de 7 de dezembro, acordou passando mal.

“Eu acordei com dor de cabeça e muita tontura. Achei que estava com labirintite. As coisas estavam girando muito rápido. Eu até me agarrava na cama porque parecia que estava tudo mexendo”, recorda.

“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos
Foi o namorado, Gabriel, quem acionou o resgate para socorrer Evandro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois disso, as lembranças desaparecem. O namorado, Gabriel, chamou o Samu e Evandro foi levado ao Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Eu não lembro mais de nada. Apaguei”, diz.

O AVC atingiu o cerebelo, região do cérebro ligada, entre outras funções, ao equilíbrio e à coordenação dos movimentos. Durante a internação, ele passou por três cirurgias na cabeça. “Depois das cirurgias, comecei a melhorar. Ainda bem devagar, mas não parei mais”, conta.

O artista passou quase três meses no hospital e não se lembra do período mais grave. Segundo ele, a memória daquela fase foi apagada. “Eu não lembro de nada da época em que fiquei internado. Nem de quem me visitou”, relata.

Durante o tratamento, Evandro ficou em coma, foi intubado e precisou passar por procedimentos como traqueostomia. A gravidade do quadro só foi compreendida depois que deixou o hospital.

“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos
Nascido em Campo Grande, Evandro é formado em artes pela UFMS. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu fiquei sabendo depois que quase morri mesmo. Foi bem difícil, principalmente o primeiro mês”, afirma.

O AVC aconteceu pouco tempo depois de Evandro completar 40 anos. Segundo ele, os médicos buscaram possíveis explicações, mas não encontraram uma causa definida. “Eu não tenho excesso de peso, não fumo, não uso drogas. Os médicos procuraram saber o motivo, mas não encontraram uma razão para eu ter tido o AVC”, pontua.

Atualmente, Evandro continua com algumas sequelas, como tremores que o impedem de pintar. Ele ainda não sabe quando conseguirá voltar a produzir novas obras. “Eu tenho que melhorar dessa tremedeira. Não coloquei uma meta de quando vou voltar a pintar, mas acho que só no ano que vem”, explica.

Apesar das dificuldades, o artista diz que mantém a confiança na recuperação. “Na minha cabeça, eu vou ficar bom de novo. Pode demorar seis meses, um ano ou um ano e meio, mas eu tenho para mim que vou voltar a andar, falar e pintar, tudo igual antigamente. Tem que ter paciência”, declara.

“Quase morri”: artista de MS revela recuperação após AVC aos 40 anos
Neste ano, artista completa 20 anos d carreira e prepara exposições e lançamento de livro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo sem ter retomado a produção artística, Evandro já tem dois projetos marcados para este ano. As obras das exposições foram produzidas antes do AVC e estão prontas. Uma mostra será realizada em São Paulo, no dia 5 de novembro. A outra está prevista para 5 de dezembro, na Galeria de Vidro, em Campo Grande.

As exposições também marcarão o lançamento de um livro sobre os 20 anos de carreira do artista. Evandro começou a carreira ainda jovem e, agora, celebra duas décadas dedicadas às artes visuais.

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