Amor que começou em baile mato-grossense no Rio atravessa 62 anos
Casal se conheceu por acaso em festa e construiu família na Capital desde 1964
Paulino e Leonir se conheceram em um baile mato-grossense no Rio de Janeiro (RJ), e o amor já dura 62 anos. A carioca e o corumbaense vivem desde 1964 em Campo Grande, onde tiveram dois filhos e construíram a vida em comum.
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Paulino Luis de Barros Filho, de 88 anos, e Leonir Wiechert de Barros, de 87, celebram 62 anos de casamento em Campo Grande. O casal se conheceu no Rio de Janeiro, em um baile mato-grossense, e se mudou para o Mato Grosso do Sul em 1964. Para Paulino, o segredo do casamento duradouro é o sentimento e o respeito. Atualmente, Leonir enfrenta limitações de saúde, mas segue ao lado do marido.
O engenheiro civil Paulino Luis de Barros Filho, de 88 anos, é quem começa contando a história do casal. Segundo ele, a ida para o Rio de Janeiro foi incentivada pelo irmão.
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“Eu não estava a fim de ir para a fazenda, já tinha dois irmãos trabalhando lá. Ele falou assim: ‘você nem pensa em voltar. Lá na fazenda nem tem lugar para você, nós já somos muitos’. Eu sempre gostei de estudar, era bom aluno, e fui para lá”, relembra.
Enquanto estudava, Paulino morava em uma república e precisou conciliar a faculdade com o serviço militar na Marinha. Foi um colega que o convidou para o “baile mato-grossense”.
“Ele falou para mim: ‘tem um senhor que disse que conhece o seu pai’. Fiquei meio assim, mas ele me convidou e eu falei: vamos. Chegou na hora, tive outro compromisso e não pude ir, e era na casa dela”.
Um novo convite surgiu, desta vez em outro endereço. “Chegando lá, o pai dela contou que conheceu meus pais e meus tios. Quando cheguei, a turma já estava dançando na sala. E quem estava dando um show? Ela. Quando vi, falei: é aquela moça que eu sempre vejo”.

Apesar de nunca terem conversado antes, Paulino explica que o trajeto do bondinho que ele usava passava por Leonir. Foi nessas idas e vindas que despertou interesse pela futura esposa.
“Se eu não tivesse feito o científico aqui, não teria ido para o Rio. Se não tivesse feito a Marinha, não teria conhecido o Júlio, que morava no mesmo prédio dela. Não seria chamado para o baile e não teria conhecido ela. São linhas cruzadas”.
Depois disso, Paulino foi convidado para um almoço com a família de Leonir e outros encontros. “Me serviram uma torta de maçã, uma sobremesa alemã com calda”, lembra.
Outro momento marcante foi o baile de formatura da Marinha. Quem recorda é Leonir Wiechert de Barros, de 87 anos. Segundo ela, havia uma fila de oito moças para dançar com o engenheiro.
“Resolvemos tirar a sorte e eu fui a sétima. Fiquei pensando enquanto dançava com ele: ‘se ele me largar, vou ser a sétima de novo’. Quando acabou a música, parei no meio do salão e fiquei conversando com ele. Aí tocou outra música e nós dançamos de novo”, conta.
A estratégia foi repetida duas vezes. “Eu acho que isso deve ter transmitido alguma coisa para ele. Mas eu queria dançar com ele. Ele todo bonitão, vestido de guarda da Marinha. O que você acha? Ele deve ter pensado: ‘por que ela não para de dançar comigo?’. Mas não tinha nada de querer namorar”, explica.
Dias depois, Paulino convidou Leonir para ir ao cinema. O encontro, porém, não saiu como o planejado. “Eu nunca tinha ido ao cinema com rapaz nenhum e nunca tinha namorado. Quando ele me convidou, pedi para esperar porque iria conversar com a minha mãe. Voltei e falei: ‘minha mãe disse que vai conosco’. Ele fala que eu dei golpe nele, mas não dei”, conta, em tom bem-humorado.
Leonir e Paulino se casaram em 25 de abril de 1964. No mesmo ano, mudaram-se para Campo Grande, onde já viviam familiares do engenheiro. No Estado, Leonir atuou como advogada, artista plástica e escritora. Já Paulino participou da construção de prédios históricos da Capital, como o Edifício Iná e a antiga rodoviária.
A história do casal inclui até um acidente de avião, em junho de 1997. Paulino pilotava a aeronave que decolou da fazenda da família, na Nhecolândia, com destino a Campo Grande. O motor falhou e o avião caiu em um rio próximo à pista. Ninguém ficou ferido.
Em 2026, eles comemoram 62 anos de casamento cercados por filhos, netos e familiares. Atualmente, Leonir já não ouve bem e perdeu a visão, mas continua se arrumando para acompanhar o marido no escritório. Paulino, por sua vez, trabalha hoje com agropecuária.
Para ele, o segredo de um casamento duradouro é o sentimento. “Ele vem de dentro para fora, vai sublimando, cobrindo tudo. Você viu um defeito? Ele vem e cobre o defeito da pessoa”, afirma.
Segundo o engenheiro, o respeito também é essencial. “Hoje pregam o discurso que a gente sempre adotou. Tem que respeitar a mulher. No meu tempo, não se levantava a mão nem para dar tchau. Nunca falei um palavrão para ela”.
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