Grupo começou com 10 amigos e virou irmandade do vôlei
Em dois anos, turma cresceu, ganhou campeonatos, festas e transformou a quadra em ponto de encontro
O que começou com cerca de 10 amigos reunidos para jogar vôlei durante a semana se transformou em uma comunidade com mais de 100 pessoas em Campo Grande. Em dois anos, o grupo Vôlei (Vôlei Oriental Latino Esportivo Internacional) cresceu, ganhou campeonatos, camisetas próprias, festas e encontros fora das quadras, em uma rede de amizades que os participantes descrevem como uma espécie de irmandade.
O esporte continua sendo o motivo oficial para reunir a turma, mas para muitos integrantes, o vôlei já virou apenas o ponto de partida. A convivência semanal aproximou pessoas, criou novos vínculos e fez com que jogadores passassem a participar da rotina uns dos outros.
“Hoje a gente já virou muito mais amigo. A rotina das pessoas já faz parte do vôlei. A gente realmente só usa o vôlei como uma desculpa para se ver ali todo mundo”, resume Davi Cenciarelli, que assumiu a organização das partidas.
Criado em agosto de 2024, o grupo nasceu entre amigos que já costumavam sair juntos. Na época, o vôlei era apenas mais uma desculpa para aumentar os encontros durante a semana.
“Era um grupo de pessoas que saía junto, não tinha nada a ver com o vôlei. A gente se via todo final de semana, conversava o dia inteiro pelo WhatsApp e ainda inventou um vôlei durante a semana. A gente acabou se vendo mais ainda”, conta.
Com o tempo, amigos de amigos começaram a entrar. Alguns queriam voltar a jogar, outros foram convidados por colegas de trabalho e conhecidos. Aos poucos, pessoas que chegavam sem intimidade passaram a criar laços dentro da quadra e levar a amizade para fora dela.
“Uma pessoa falava: ‘Conheço um cara do meu trabalho que queria jogar’. Esse cara ia e levava um amigo dele. A gente foi ficando mais próximo porque, no início, ninguém tem intimidade, mas depois a gente cria uma convivência jogando”, explica Davi.
A comunidade cresceu rapidamente. Se no começo o desafio era reunir jogadores suficientes para formar os times, depois a procura ficou tão grande que uma única quadra deixou de comportar todo mundo.
“Antes, a gente sofria para dar 18 pessoas. Às vezes, juntava 12, 13, 14 e a gente dava um jeito de jogar. Depois foi aumentando até o momento em que 36 pessoas já não comportavam mais”, lembra.
A turma passou a ocupar duas quadras e, mesmo assim, as vagas continuaram disputadas. Em uma época, os participantes chegavam a colocar despertador no celular para não perder o momento em que a lista era aberta.
“As pessoas perguntavam que horas ia abrir a lista. A gente fazia até votação para decidir o horário. Quando chegava o momento, elas colocavam alarme um ou dois minutos antes para ficar online e colocar o nome”, relata.
O grupo também passou a criar tradições próprias. Já foram realizados quatro campeonatos, com medalhas, equipes e camisetas exclusivas, além de festas, encontros e até uma edição especial de Halloween.
Em uma das histórias lembradas pela turma, os participantes marcaram uma partida em uma sexta-feira e combinaram que, depois do jogo, sairiam para beber. Ninguém passou em casa.
“Todo mundo que estava jogando foi para o lugar que a gente tinha combinado e ficou bebendo até de madrugada com a roupa do vôlei, de camiseta e suado”, comenta Davi.
A organização também cresceu. O que antes dependia apenas de uma pessoa passou a ser dividido entre vários integrantes, responsáveis por montar listas, reservar quadras, comprar materiais e organizar os campeonatos.
Apesar de reunir mais de 100 pessoas, o grupo mantém uma dinâmica mais fechada e recebe, principalmente, amigos de quem já participa. A escolha ajuda a preservar a proximidade construída ao longo dos encontros.
“Obviamente, a gente não é íntimo de todo mundo, mas todo mundo acaba criando uma certa intimidade. A gente já pode fazer brincadeiras, conversar e se conhecer melhor. O vôlei já ultrapassou muito a quadra”, finaliza Davi.
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