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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

27/06/2011 14:33

Deficiente mantida trancada no Nova Lima ainda não tem atendimento

Vanda Escalante

Caso foi denunciado por vizinhos na semana passada, mas autoridades ainda não conseguiram vaga para internação da mulher.

Uma sequência de atitudes negligentes, ignorância e falta de acesso aos serviços especializados de saúde. A situação da mulher de 38 anos, com grave deficiência mental, mantida encarcerada pela família no bairro Nova Lima, em Campo Grande, é o resultado desse quadro, que mistura elementos sociais e culturais ao despreparo do aparato público para atendimento a pessoas com necessidades especiais.

A história da mulher no Nova Lima ainda não tem um desfecho, mas a expectativa das autoridades que conduzem o caso é de que seja possível, “de preferência ainda hoje” conseguir uma vaga para internação hospitalar.

O caso veio a público no final da semana passada, em pleno feriado de Corpus Christi, o que, segundo as autoridades, atrasou o andamento das providências. Tanto a Polícia Civil quanto o Consep (Conselho Estadual da Pessoa Portadora de Deficiência), e outras instâncias de atendimento já acionadas, estão em busca de uma vaga para internação, já que a avaliação de todos que atenderam a ocorrência é de que o estado geral da mulher requer tratamento médico de urgência.

A denúncia foi feita por vizinhos da família. Polícia e membros do Consep estiveram na casa da família e constataram as más condições em que os pais mantém a filha. Trancada em um quarto sem iluminação, cercada por fezes e urina, ela não recebe acompanhamento psiquiátrico desde os sete anos de idade, segundo relatou a própria mãe no dia da ocorrência.

Ela contou também que, nesse tempo todo, a filha passou por um consulta com um clínico geral e foi atendida por um ginecologista, que prescreveu medicamento para suspender a menstruação. Sobre o atendimento psiquiátrico, a mãe contou que a filha tomava remédios quando criança, mas ao terminar o efeito da medicação, se tornava muito agressiva, o que fez a mãe suspender, sem acompanhamento médico, o uso da medicação.

No dia da ocorrência, a agressividade da mulher era visível. “Ela batia na porta com muita força”, relatou o presidente do Consep, Luiz Santos. “Mas é preciso avaliar também que o estado geral dela não se deve apenas à doença mental, mas também às condições em que está sendo mantida durante todo esse tempo, porque a falta de tratamento adequado acaba gerando outras patologias”, avalia.

Junto com a busca por atendimento imediato, a polícia está também conduzindo um inquérito para apurar as responsabilidades pela situação de maus tratos. Além da família, a situação seria conhecida também por agentes de saúde que já teriam visitado a residência.

“Não se trata de punir a mãe, mas sim de conseguir aparato legal para tirá-la daquela situação, já que um mandado judicial á capaz de obrigar a internação”, comenta o presidente do Consep.

Pai - Na manhã desta segunda-feira (27), a reportagem do Campo Grande News foi até o endereço da família, no Bairro Nova Lima. O pai foi quem nos recebeu e, demonstrando grande hostilidade, recusou-se a falar sobre a filha. “Não quero ninguém enchendo o saco aqui e o delegado disse que não era para a gente receber mais ninguém”.

Mesmo negando uma entrevista, o homem disse que já está “tudo encaminhado” e que a filha receberá atendimento “numa escola, pra ver se ela aprende alguma coisa”. Ele afirmou que é contra a internação, porque acredita que a medida não vá resolver o problema da filha. “Ela é assim, não tem o que fazer. Se internar, vão deixar ela amarrada e dopada, vai ser pior”, afirma o pai.

O homem contou também que acredita que manter a filha trancada é a maneira de proteger a ela mesma e ao restante da família. “Não tem como deixar por aí uma pessoa que entra na cozinha, joga tudo no chão, quebra copo, quebra tudo e ainda fica pisando em cima”, diz ele.

Saúde - Para os responsáveis pelo inquérito no 2º DP, esse caso é menos de polícia do que de saúde pública. O delegado afirma que a polícia está cumprindo seu papel, mas acredita que a solução está mesmo é no atendimento de saúde especializado.

“Acredito que houve uma seqüência de negligências”, comenta o presidente do Consep, Luiz dos Santos, informando ainda que o Conselho tem recebido algumas denúncias de falta de atendimento adequando a pessoas com deficiência, mas afirma que casos como o do Nova Lima raramente chegam ao conhecimento do Consep.

“O preocupante é que se as coisas chegam a esse ponto aqui em Campo Grande, deve haver outras situações até piores pelas cidades do interior”, diz. Para ele, em situações como essa não resolve culpar apenas a família. “Tem que haver condições de acesso aos atendimentos”, afirma.

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ESTE É MAIS UM MOTIVO DE QUE ESTA MAE NAO DEVE SER JULGADA! POIS SE NEM A JUSTIÇA COM TANTOS MEIOS E CONHECIMENTO NAO ESTAO RESOLVENDO A SITUACAO DESTA JOVEN! COMO QUE UMA PESSOA DENTRO DE SUA SIMPLICIDADE VAI SABER LIDAR COM TAL SITUIAÇÃO???
 
keli regina em 27/06/2011 04:31:05
esta familia é digna de compaixão,por ignorancia ou medo,não procuraram autoridades para ajuda-los.se esta paciente tem aposentadoria,tem com que alguem fique por perto dela,mantendo-a limpa e medicada, e os remédios irão mante-la calma, agora se não tem, como vão sobreviver?
 
teresa moura em 27/06/2011 03:37:38
Que absurdo!! Ainda estão procurando vaga?! A pobre doente está sem atendimento desde os sete anos de idade, e quando precisa de ajuda..."não tem vaga"...total descaso com a população carente...esse é o retrato da saúde pública no nosso país.
 
Joanne Pereira em 27/06/2011 03:25:00
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