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Capital

Denúncias em eleição têm homofobia, fake news e apoio religioso

Áudios pedem voto contra "sujeirada da esquerda" e parar acabar com "antro" de gays em conselho tutelar

Por Silvia Frias | 29/09/2023 12:26


Compra de votos, abuso de poder, fake news e discurso homofóbico estão na lista de denúncias registradas a dois dias da eleição para conselheiros tutelares. O material é encaminhado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e, se a irregularidade for comprovada, há até o risco de perda do cargo, caso o candidato seja eleito.

“São várias denúncias, vários áudios, mas as mais objetivas, que a gente consegue ter materialidade, que configuram crime, encaminhamos para outros órgãos”, disse o coordenador da Casa Satine e do Fórum Estadual LGBT, Leonardo Bastos.

Na maioria, os áudios e as mensagens de WhatsApp são de pessoas que pedem voto para “candidatos de direita”, contra “a sujeirada aí da esquerda”, "anti-lgbt", citando aborto como pauta da esquerda.

Fake: mensagem encaminhada pelo WhatsApp fala em votação em massa de movimento (Foto/Reprodução)
Fake: mensagem encaminhada pelo WhatsApp fala em votação em massa de movimento (Foto/Reprodução)

Em um dos áudios, o homem diz que é preciso mudar a história em Campo Grande. “Quando um pai quer ensinar o caminho para a criança, de trabalho da religião eles ficam enchendo o saco (...)”.

Em outro, relacionado à eleição em Corumbá, a mulher reclama da formação atual dos conselhos tutelares, um “antro fechado”, com presença de homossexuais.

Por WhatsApp, a denúncia de que o movimento LGBTQIAPN+ quer eleger o maior número possível de candidatos.

Bastos diz que encaminhou o material para MPMS e Defensoria Pública. Segundo ele, que não há qualquer orientação sobre votar ou não em candidatos LGBTQIAPN+ e que não há a mobilização massiva como circulou na mensagem. “Nossa preocupação é que seja eleito alguém que respeite identidade de gênero e orientação sexual dos adolescentes”.

O CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Campo Grande) disponibilizou e-mail para receber denúncia contra os candidatos (cmdcacampogrande@gmail.com).

“Chega denúncia sem prova, fake news, tem muita conversa” diz o vice-presidente do conselho, Márcio Benites. A campanha começou este mês e se acirrou nesta última semana. Ele diz que recebeu cerca de 20 e repassa ao MPMS para averiguação.

Benites lembra que o edital nº 12 lista as irregularidades são passíveis de cassação do registro ou do diploma, caso o candidato tenha sido eleito.

Na lista, compra de votos, uso da máquina pública em benefício de candidato e propaganda irregular. Em Campo Grande, cinco candidaturas foram impugnadas, três delas no Diogrande desta sexta-feira.

As outras duas candidaturas impugnadas foram a de Indiani Carolini Domingues Mercado da Silva e a de Suelen Leme Serrano pela mesma irregularidade: campanhas feitas em igrejas. As práticas configuram abuso de poder religioso e político, que são vetadas pelas regras eleitorais. Nenhum dos envolvidos se manifestou quando a reportagem tentou contato.

A reportagem encaminhou pedido de informações ao MPMS sobre as denúncias e aguarda retorno para atualização do texto.

A assessoria da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul informou que está acompanhando, por meio do Núcleo de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, mas reforça que denúncias devem ser feitas no CMDCA e ao MPMS.

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