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Campo Grande, Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

09/08/2013 18:17

Desolação, dor, desespero e angústia na espera por uma vaga em hospital

Lidiane Kober
Mulher deixa UPA e já esperou 14 horas por vaga na Santa Casa (Foto: Pedro Peralta)Mulher deixa UPA e já esperou 14 horas por vaga na Santa Casa (Foto: Pedro Peralta)

Sem vagas de emergência nos hospitais de Campo Grande, pacientes lotam as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e vivem horas de espera e angústia. Além de lidar com a dor, alguns chegam há aguardar 14 horas por um leito nos hospitais. O resultado é um cenário de desolação, com suspiros de dor e desespero dos familiares, que, de mãos atadas, rezam pela abertura de vagas.

A sobrecarga é resultado do fechamento de 60 vagas do PAM (Pronto Atendimento Médico) do HU (Hospital Universitário). A decisão superlotou os hospitais da Capital e, para driblar a crise, optou-se em manter os pacientes em estado menos grave nas UPAs.

O problema é que, em menos de duas semanas, três pessoas morreram a espera de leitos nos hospitais. Além disso, a sobrecarga nas unidades de saúde está atrasando os demais serviços e quem estava acostumado há aguardar 40 minutos pelo atendimento não sai do local antes de duas horas de espera.

Depois de uma noite de dor incontrolável na coluna e de não sentir as mãos e as pernas, a dona de casa Laurice Gomes Barbosa, 50 anos, chegou à UPA do Bairro Coronel Antonino, às 7h30 de segunda-feira (5). Sem vagas na Santa Casa, ela precisou esperar 14 horas para ser atendida no hospital. “Cheguei lá às 21h, meu filho que me contou, pois estava inconsciente”, contou. “Ela chorava de dor”, comentou o marido, Manoel Gomes Barbosa, 50 anos.

Dispensada no dia seguinte, hoje (9), depois de novamente não sentir as mãos e as pernas, ela voltou à Upa. Lá, ela recebeu injeções para combater a dor na coluna e, duas horas depois, foi de cadeiras de rodas para a casa, diante da falta de vagas nos hospitais.

Porta na cara – Acostumado a ser atendido na Santa Casa, um senhor de 82 anos, vítima de Mal de Alzheimer, bateu com a cara na porta, nesta sexta-feira. “Não tinha vagas no hospital e mandaram a gente para a UPA”, relatou sua cuidadora, Márcia Regina Silva Ferreira, 29 anos.

Na unidade de saúde, a situação do senhor chamava a atenção diante dos suspiros de dor. “Ele está com febre e suspeitamos de infecção urinária”, explicou Márcia.

Também a espera de um leito de emergência, estava na UPA do Bairro Coronel Antonino, Luzia de Fátima Vilela, 40 anos. Pela segunda vez, ela sofreu derrame na coluna. “Chegamos aqui por volta das 10h”, contou seu irmão, o professor Eurides Vilela, 55 anos. Às 14h23, ela conseguiu uma vaga na Santa Casa.

“A saúde, a educação e a segurança não são prioridades dos nossos governantes”, concluiu o professor. “Dinheiro existe, o problema é que ele para no bolso de corruptos”, emendou. A indignação também é decorrente da revolta por assistir o martírio de dois anos de sua mãe na luta contra um câncer.

Ela morreu no ano passado. “Cansei de ver ela aguardar seis meses por um exame e implorar por atendimento”, lembrou.

Atraso e revolta – A sobrecarga dos pacientes de emergência está acarretando mais espera ao público que busca consulta e exames nas UPAs. “Tenho criança pequena e volta e meia estou aqui. Em média, esperava 40 minutos, agora, não saio daqui antes de duas horas”, afirmou a dona de casa Glória Estela Ladeira, 27 anos.

Hoje, ela se revoltou na unidade de saúde e se juntou a outras mães para cobrar atendimento a um bebê, que, por duas horas, chorou desesperadamente, mas não foi socorrido. “Batemos na porta do pediatra, porque ninguém mais aguentava ver, sem fazer nada, o desespero da criança e da mãe”, comentou.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande não se manifestou até o fechamento da matéria. No início da semana, o procurador-geral do município, Luiz Carlos Santini, informou acionar a Justiça para obrigar o HU a reabrir o PAM para evitar novas mortes.

Glória se revoltou ao ver criança chorando sem ser atendida por duas horas (Foto: Pedro Peralta)Glória se revoltou ao ver criança chorando sem ser atendida por duas horas (Foto: Pedro Peralta)
Eurídes acompanhou irmã, que sofreu derrame na coluna (Pedro Peralta)Eurídes acompanhou irmã, que sofreu derrame na coluna (Pedro Peralta)


HU esta com o Pam Pediátrico aberto
 
antonia aparecida gomes em 10/08/2013 12:54:18
Isso é para aprendermos a não acreditar mais em promessas de candidatos politicos, que dizem resolver tudo ! Mudam as moscas, mas a m... continua a mesma.
 
Marcos Figueiredo em 10/08/2013 10:34:57
Como cidadão brasileiro, campo-grandense e pagador de impostos, me sinto envergonhado com esse caos na saúde pública!! O que falta, e gente competente e vergonha na cara das autoridades constituídas, pois dinheiro/verba pública tem muito!!
 
MARCELLO MENDES em 09/08/2013 22:32:46
Os políticos dizem não ter verba para melhorias e ampliações! Mas sempre tem para os aumentos absurdos e ilegais de seus salários, sempre tem para desviar(roubar) e nunca tem para fazer aquilo para qual foram eleitos. Povo antes de escolher o candidato A ou B, escolha o que não rouba e se os 2 são iguais, não vote! Isso seria a maior foma de protesto no mundo, um país de democracia(o Brasil é só no papel!) onde sua população se abstém de votar ou anula seu voto, mostraria ao mundo que não aguentamos mais ladrões no governo!
 
Alexandre de Souza em 09/08/2013 22:22:37
Enquanto isso esse prefeitinho de nada ta preocupado com cantores da nossa terra!!!
 
Hildebrando Costa em 09/08/2013 21:07:47
Depois os governantes falam que a prioridade é a saúde................só se for a deles!
 
nanci reis em 09/08/2013 20:54:59
Meu pai do céu, será que não tem que olha por essa gente, Bilhões em arrecadação um estado rico como o nosso MS e o povo largados a própria sorte, se bem que a culpa é nossa mesmo porque elegemos as mesmas pessoas, que são totalmente desinteressadas pela dignidade humana, ano que vem já é de praxe vir esses mesmos senhores com discurso demagogo que vão melhorar a SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA...depois que estão lá tchal povo fiquem aí largados que vou correr atrás dos meus próprios interesses, fazer minha pequena fortuna a custa do seu suor, e ainda pousar de Herói, ACORDA POVO SUL-MATOGROSSENSE...
 
Sérgio Gimenez em 09/08/2013 20:22:45
È uma crueldade: fecham o PAM do HU sem outra alternativa para a população. Se os governantes precisarem de atendimento, pegam um avião, vão para os melhores hospitais de São Paulo e a população local que morra.
Vão reabrir o PAM DO HU num local que foi construído p/ ser cozinha. Resultado: pior do que estava. Sem banheiros; estrutura caótica; privacidade zero. Estes são os nossos governantes, só pensam em si e em como colocare toda a família p/ mamar na teta do governo como mostra a reportagem sobre o "família Tad/Siuf".
 
Gláucia Chaves Brito em 09/08/2013 18:55:38
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