Empresas contratadas pela Santa Casa Saúde não tinham nenhum funcionário
Quatro empresas não tinham empregados formais; outra, de telemedicina, operava com apenas um
Quatro empresas ligadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte e que atuavam em serviços da Operadora Santa Casa Saúde não tinham nenhum empregado formalmente registrado, segundo dados do Ministério do Trabalho citados pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). Outras duas empresas do mesmo núcleo tinham apenas um funcionário cada, apesar de estarem vinculadas a atividades como telemedicina, gestão e comercialização de serviços de saúde.
RESUMO
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Quatro empresas ligadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte, investigado na Operação Antidotum, não tinham funcionários registrados, segundo o Ministério do Trabalho. Outras duas tinham apenas um empregado cada. As empresas atuavam em telemedicina e gestão de saúde para a Operadora Santa Casa Saúde e receberam R$ 9,6 milhões em 2025, ano em que a operadora registrou prejuízo de R$ 3,5 milhões.
A informação aparece no relatório da Operação Antidotum, que investiga contratos e pagamentos feitos pela Santa Casa e pela operadora do plano de saúde. De acordo com o documento, as empresas DR Tele Saúde Ltda., Santa Cruz Saúde Gestão em Planos de Saúde Ltda., Intelectus Soluções em Saúde Ltda. e Health Life Planos de Saúde Ltda. não possuíam empregados formalmente vinculados.
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A Deisse Medicamentos Ltda. tinha apenas um empregado, admitido em janeiro de 2026. Já a DR Smart Saúde Telemedicina e Telessaúde Ltda. também possuía somente um trabalhador formal, contratado em outubro de 2025.
Para os investigadores, a estrutura de pessoal chama atenção porque essas empresas atuavam em áreas consideradas estratégicas da operadora. O relatório menciona atividades de administração de benefícios, entrevistas qualificadas, telemedicina, gestão e comercialização de produtos de saúde.
As empresas aparecem na investigação como integrantes do núcleo empresarial ligado a Paulo da Cruz Duarte, advogado que prestava serviços à Santa Casa Saúde e que, segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), passou a controlar ou representar diferentes pessoas jurídicas contratadas pela própria operadora.
A apuração afirma que essas empresas foram distribuídas por várias etapas do funcionamento do plano de saúde, incluindo atendimento aos beneficiários, cobrança de mensalidades, emissão de boletos, comercialização de planos, administração de benefícios, telemedicina, publicidade, gestão administrativa e até venda de medicamentos.
Segundo o Gecoc, a divisão das atividades entre diferentes CNPJs dava aparência de autonomia a empresas que compartilhavam estrutura e estavam vinculadas ao mesmo núcleo empresarial. Somente em 2025, empresas relacionadas a Paulo receberam R$ 9,6 milhões da Operadora Santa Casa Saúde, enquanto a entidade registrou resultado negativo de R$ 3,5 milhões.
Telemedicina com um funcionário
Entre os casos detalhados pelo relatório está o da DR Smart Saúde Telemedicina e Telessaúde Ltda. A empresa foi contratada para prestar serviços de telemedicina, telessaúde, teleorientação, teleatendimento, triagem remota e apoio assistencial aos beneficiários da operadora.
O contrato, conforme o Gecoc, ainda incluía uma previsão genérica de "demais serviços correlatos constantes do portfólio", mas não especificava especialidades médicas, número de profissionais envolvidos, horários de atendimento, capacidade mensal nem níveis mínimos de serviço.
Apesar da amplitude dos serviços previstos, a DR Smart tinha somente um empregado formal, contratado em 1º de outubro de 2025.
O documento também registra que o contrato permitia o uso de parceiros, fornecedores, subcontratados, sistemas de terceiros e infraestrutura em nuvem. O trecho disponível, porém, não demonstra quantos profissionais terceirizados efetivamente prestavam os serviços nem identifica toda a estrutura externa utilizada pela empresa.
A DR Tele Saúde foi contratada em abril de 2025 para coletar declarações de saúde e fazer entrevistas qualificadas de pessoas que entrariam no plano. O contrato previa R$ 12.950 por mês para até 500 entrevistas, a R$ 25,90 cada, mas o valor mínimo continuaria devido mesmo se nenhuma entrevista fosse feita ou se a demanda fosse menor.
Paulo da Cruz Duarte não está entre os seis presos na Operação Antidotum. A Justiça determinou o afastamento dele das funções exercidas na Santa Casa e na Operadora Santa Casa Saúde e proibiu seu acesso às dependências das instituições enquanto durar a medida cautelar. As conclusões apresentadas pelo Gecoc ainda serão submetidas ao contraditório e à análise judicial.
O Campo Grande News tenta contato com os envolvidos desde a última sexta-feira e segue com espaço aberto para respostas.


