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Entre ansiedade e cirurgia, mãe e filha encontraram espaço para rir no hospital

Personagem de projeto da UFMS, a palhaça leva brincadeiras e conversa a pacientes internados

Por José Cândido | 06/11/2026 16:40
Entre ansiedade e cirurgia, mãe e filha encontraram espaço para rir no hospital
A iniciativa da UFMS leva brincadeiras, música e conversa aos quartos do Humap, em Campo Grande. (Foto UFMS)

Mãe e filha enxugavam as lágrimas enquanto esperavam por uma cirurgia. Foi assim que um grupo de palhaços encontrou as duas em um quarto do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande. A visita começou com conversa, ganhou algumas brincadeiras e, quando os estudantes se despediram, as duas já riam com o grupo. Antes que eles saíssem, contaram que estavam muito ansiosas e agradeceram pela visita.

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O projeto Rir é o Melhor Remédio, criado em 2010 na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, leva palhaçaria aos quartos do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande. Estudantes da área da saúde usam piadas, músicas e brincadeiras, mas respeitam o ritmo de cada paciente, que pode preferir conversar ou ficar em silêncio. Segundo a psicóloga Aline Zottos, a leveza alivia a tensão, embora não altere o quadro clínico. A experiência também contribui para a formação dos participantes.

A cena ficou na memória de Júlia da Silva Martins, estudante de Fisioterapia e uma das coordenadoras do Rir é o Melhor Remédio. Criado em 2010 na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o projeto leva a palhaçaria aos quartos do Humap. O repertório inclui piadas, músicas e brincadeiras, mas cada visita toma o rumo que o paciente dá à conversa.

Para a psicóloga Aline Zottos, do Humap, esses momentos de leveza podem aliviar a tensão de quem está longe de casa e preocupado com exames, procedimentos ou com o próprio diagnóstico. A preocupação pode continuar ali, mesmo quando aparece uma risada.

“Às vezes, um sorriso compartilhado não muda a situação clínica, mas pode transformar a maneira como aquele momento é vivido”, observa.

Tem dia em que o paciente só quer conversar

Emily Ribeiro Rosa, estudante de Medicina e coordenadora do projeto, conta que há pacientes que preferem contar uma história e outros que querem ficar em silêncio. Em quartos compartilhados, às vezes alguém acompanha de longe a brincadeira no leito ao lado e, por conta própria, acaba entrando na conversa. Quando a pessoa prefere ficar quieta, o grupo respeita.

A experiência também faz parte da formação dos estudantes. Sofia Batista Santos, residente de Fisioterapia, conta que chega para animar o dia de alguém e muitas vezes sai do quarto com um conselho ou uma história que vai lembrar depois. Para Amanda Cuttier Velasquez, acadêmica de Enfermagem, as visitas são uma oportunidade de conhecer um pouco da vida de quem ela, em outro contexto, talvez só encontrasse durante um atendimento.

Maria Luiza Diniz dos Santos entra nos quartos como doutora Mafalda. Diz que tenta oferecer aos pacientes o que gostaria de receber se estivesse naquele leito. Às vezes, isso vira brincadeira. Em outras visitas, o melhor que Mafalda pode fazer é ficar mais um pouco e ouvir.